Comer por compulsão ...
Sexta-feira, 02 de janeiro de 2026
Carregamos dentro de nós uma
memória muito mais antiga do que imaginamos. Nosso cérebro não nasceu ontem. Geneticamente
ele traz marcas de um tempo em que viver era um desafio diário. Nas suas
camadas mais profundas, ainda moram os instintos dos nossos ancestrais, que
precisavam lutar para sobreviver.
Naquele tempo, nada era
garantido. Comer significava continuar vivo. Não havia certeza da próxima
refeição. Por isso, quando havia alimento, era preciso aproveitar e comer tudo o que se podia. Esse
aprendizado ficou registrado, como uma cicatriz invisível atravessando
gerações.
Hoje, mesmo vivendo em um mundo de abundância, esses impulsos não desapareceram. Eles permanecem ativos, silenciosos, atentos.
Quando sentimos medo, ansiedade, estresse ou raiva, algo
desperta lá dentro. O corpo reage como se ainda estivesse na caverna, buscando
proteção, acúmulo, alívio imediato. A mente racional tenta intervir, mas nem
sempre consegue.
Isso não é fraqueza, nem falta de
força de vontade. É herança genética. É memória emocional. É o eco de um
passado em que sobreviver era a única prioridade.
Por isso, antes de se culpar,
precisamos de consciência. Ao perceber esse movimento interno, podemos parar e
reconhecer: não é fome do corpo, é uma fome antiga, instintiva, emocional,
primitiva. Quando damos nome a essa “fome da caverna”, abrimos espaço para a
escolha. E quando há escolha, a culpa perde o sentido. É nesse ponto que a
liberdade começa — e a compulsão pode, enfim, ser compreendida e transformada.
"Se essa mensagem tocou você, compartilhe com quem pode estar
precisando."
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