sexta-feira, 30 de novembro de 2007

Estudando o Tao
Parte – XXI
continuando...

32- "Quem tem consciência de sua limitação, não corre perigo"

Há uma diferença fundamental entre saber algo e ter consciência deste algo. Isto é muito importante na medida em que durante o processo de crescimento, estaremos quase todo o tempo, lidando com o estar efetivamente consciente.

A propósito de nossas limitações, o assunto já foi abordado amplamente. A nossa questão agora é - até que ponto nós temos consciência real desta limitação.

Quando eu pergunto se você entende de matemática, você pode me responder que sim ou que não, dependendo entre outras coisas, do tipo de treinamento que você teve.

A matemática envolve desde os rudimentos da aritmética até complicados problemas de matemática teórica. Assim, a sua resposta vai depender de seu conhecimento, de sua honestidade e de seu conceito de honestidade.

Entre os jogadores de xadrez, existem respostas padrão: aqueles que não jogam muito bem, perguntados se sabem jogar, respondem não. Os que jogam muito bem, respondem sim.

Há nestas respostas, um pouco mais daquilo que estamos chamando de consciência. O aperfeiçoamento pessoal é algo tão sério, que as coisas a ele relacionadas, devem partir de uma posição muito consciente de nossa parte - temos que ser muito honestos e severos conosco.

Assim, se eu afirmo que estou consciente de minhas limitações, isto não deveria ser encarado como uma resposta do tipo dado a um teste de revista.

Quando você diz que sabe seus limites, espera-se que esteja expressando mais do que uma educada modéstia, porém o que vai em sua alma, um profundo sentimento enraizado e consolidado dentro de você.

Isto é o que neste processo, estamos chamando de estar “consciente, verdadeiramente consciente”. No entanto, sabemos que isto não é alguma coisa fácil. E não é mesmo...


33- "Conhecer o Homem é inteligência, e a si mesmo é sabedoria"

A inteligência é um processo mental global basicamente ligado à lógica, e, portanto, às coisas que apresentam um mínimo de racionalidade.

Quando examinamos o Universo, percebemos que apesar das aparências, ele está inteiro e harmônico.

Visto sob um microscópio, ele poderia ser comparado à espuma de sabão em um copo. Seu aspecto muda; muda o formato das bolhas, tudo enfim em constante mutação.

Esta analogia deve ser entendida como a ação equilibradora e hamonizante do Tao em todo o Universo, visível ou não. A inteligência consegue captar e explicar as coisas lógicas dentro de certos limites.

Como, no entanto, o explicar o inexplicável?

Pela inteligência, pela lógica, pela razão?

Ou será que se pode negar existirem coisas que, pelo menos agora, são inexplicáveis, sendo que muitas delas, de caráter transcendente, JAMAIS poderão ser explicadas pela LOGICA FORMAL?

A sabedoria é um pouco mais do que conhecimento. A sabedoria é a sutil solução que provém do sutil, da intuição, da vivência e até mesmo da experiência.

A inteligência é um dom, mas não é uma finalidade em si. O homem verdadeiramente inteligente deveria aproveitá-la para auxiliar no desenvolvimento daquilo que EXPLICARÁ o inexplicável, o inusitado - a sua própria sabedoria.

quinta-feira, 29 de novembro de 2007

Estudando o Tao
Parte – XX
continuando...

3O- "Há os que estão acima e os que estão abaixo, e a situação nunca será a mesma"

Uma das cartas do Tarô chama-se a Roda da Fortuna. Ela mostra uma roda de madeira presa a um eixo e a uma manivela. Seu movimento circular faz com que as figuras que nela se encontram presas, ora fiquem em baixo, ora em cima.

O significado não pode ser mais claro - as situações, quaisquer que sejam não são fixas e imutáveis.

Nos alerta para a conscientização da modéstia e abandono da vaidade e arrogância. As pessoas que se aprofundam no estudo do Tao, vão percebendo paulatinamente, que estes sentimentos egoístas, são tão pequenos e tolos, que passam a não ter o menor sentido.

Como é possível uma pessoa inteligente, ser cheia de orgulho?

Isto parece tão absurdo, e entanto, acontece com grande freqüência. Existem duas coisas que devemos considerar: viver no mundo e viver para o mundo ou então, viver do trabalho e viver para o trabalho.

Se, vivemos no mundo, o trabalho tem um significado plausível. Se, no entanto, vivemos para o mundo, com todos nossos sentidos e energias voltados para ele, o trabalho levado às últimas conseqüências, é tão ilusório e insensato quanto a vida que se leva, que de nada difere da morte.


31- "O Tao é implacável com a guerra"

Por que acontecem as guerras?

Do ponto de vista mundano, as guerras são resultado, em geral, de problemas econômicos e com menor freqüência de outros.

De um ponto de vista mais abrangente, a guerra reflete uma desarmonia, que pode ter iniciado com uma pessoa ou um grupo delas e se estendido a outras pessoas ou grupos. Sempre são pessoas - não há guerra de robôs.

Num clima destes, existe uma situação de profundo desequilíbrio, que necessitaria de um colossal esforço de todos e de cada um, no sentido do retorno ao harmônico.

Sucede, evidentemente, é que as pessoas estão tomadas pelas paixões, mesmo que fossem treinadas dentro desta linha de pensamento, não encontrariam as condições ou a motivação para uma ação rearmonizante, que é a solução.

Por que o Tao é implacável com a guerra?

Ele não é apenas implacável com a guerra, mas com todos os conflitos e situações onde falta a serenidade e espírito de pacificação. Numa situação de divórcio, numa pendência entre superior e subordinado e coisas assim.

A idéia de implacabilidade, não quer dizer que o Tao é mau com os maus e, bom com os bons. O Tao não faz o jogo dos homens, nem dos astros - sua ação é a de manter as coisas funcionando.

É, portanto, implacável no sentido de aplicação sistemática da Lei da Harmonia global.

Sobre isso, ouvi na TV uma pessoa ligada aos movimentos ecológicos dizer que a destruição de florestas e de camadas atmosféricas, pode significar que estamos passando por uma situação irreversível, onde o mundo estaria em reajustamento e o homem certamente iria sofrer com isto, quem sabe, terminando seus dias na Terra.

Nasceria então uma nova situação onde os participantes e seus papéis seriam outros.

Há um certo sentido nestas palavras, porém o desfecho não seria necessariamente este. Se uma nova chance é dada pelos homens, eles sobreviverão e muito bem.

Não cabe ao Tao, orientar ninguém - os princípios são muito claros. Nós, em cada situação conflitante, devemos manter o desejo de pacificação consciente. Este é o único pré-requisito para a ação do Tao.

quarta-feira, 28 de novembro de 2007

Estudando o Tao
Parte – XIX
continuando...


27- "Aquele que se vangloria, não será reconhecido"


Há no mundo, uma luta constante por alcançar postos, status e coisas assim. E depois de alcançados, começa uma nova batalha que é a de permanecer ou de preferência subir mais um degrau na escala social.

O homem nunca se dá por satisfeito. Muitos usam de recursos absolutamente abjetos, outros utilizam as habilidades, muito aplaudidas, da diplomacia. Os menos criativos armam intrigas com o mesmo objetivo.

O ambiente de trabalho propicia a existência de uma oficina muito especial onde é forjada uma moral peculiar: a do relacionamento da escalada.

As pessoas que conhecem bem o organograma informal da empresa, isto é, quem de fato manda em quem, manipulam com rara destreza as espadas da maledicência, jogando para um canto qualquer, algum resto de ética que eventualmente ainda mantinham guardado.

Aquele que chama muita atenção sobre si estará colhendo rapidamente o que ele mesmo plantou: a rejeição e o repúdio. É uma questão de tempo.


28- "Ajude os que desejam ajuda"


A persistência é um dos fundamentos em que se baseia o desenvolvimento pessoal. Não é por outra razão, que o Tao-Te-Ching, repete com regularidade alguns de seus ensinamentos, como é o caso do par complementar - desejar e querer.

Penalizado com a sorte de um mendigo, um homem que costumava dar esmolas, decide não lhe dar nenhuma, pois pensa: se eu der dinheiro, ele ficará tão mal acostumado, que jamais sairá desta terrível situação.

Trata então de explicar ao pobre miserável, porque não daria a esmola que lhe fora solicitada. O mendigo, furibundo, esbraveja e impreca contra o mundo. A ele, o dinheiro é que era importante naquele momento. Deixar de mendigar, bem, isso era outra coisa.

Certa vez um amigo meu, homem de grande sensibilidade, me disse o seguinte: "Nunca tenha pena de ninguém".

Vendo o meu espanto, ele explicou: "Se você vê um cego querendo atravessar a rua, o que você deve fazer é ajudá-lo a atravessar. Ficar com pena e não fazer mais nada, é uma forma disfarçada de diminuir seu sentimento de culpa.

Para o cego, a atitude de neutralidade da pena, não vai adiantar nada, pelo contrário, a espera o tornará mais amargo. E prosseguiu:

É evidente que as pessoas sempre sentirão pena numa ou noutra situação. O que estou tentando dizer, é que ter dó de alguém, por si só, não tem maiores méritos. Se você PODE ajudar, não deixe de fazê-lo. Isto sim é fazer a coisa certa.


29- "À força do masculino deve se unir a flexibilidade do feminino, pois aí está a harmonia do Tao"


Lembremos que no Tai-Chi, tanto o Yang quanto o Yin, representam apenas metade daquilo que está sendo analisado. Qualquer situação pode ser definida por pares opostos ou complementares.

Um problema, uma doença, uma questão econômica, assuntos macro ou microscópicos. O Tao, Ordem harmônica de todo o Universo, pode ser sintetizado nesta figura magnífica.

O que a citação diz, é confirmar a necessidade do equilíbrio, para que tudo continue existindo em Harmonia.

O fato de que o Tao age em nossos corpos e mentes e que, a sua atuação é percebida nas coisas que nos cercam, faz com que algumas pessoas tenham a idéia de que se escolheu um nome mágico, para explicar o óbvio - se você se exercita na serenidade, a sua pacificação interna vem como resultado lógico, numa espécie de causa e efeito.

O Tao não seria então mais do que uma bengala psicológica. Só que não é isto. O Tao é uma Ordem, uma origem e um fim, mas principalmente, é o conceito equilibrador de tudo que existiu, existe e existirá.

É um conceito disperso e atuante em todos os lugares, em todos os tempos e em todas as dimensões. Creio que se o Tao fosse algo tão evidente e limitado, não teriam sido escritas obras do porte do Tao-Te-Ching, nem sido erigidas ciências e terapias respeitadas e que se baseiam unicamente em suas virtudes.

No dia em que tivermos nos exercitado o suficiente no Tai-Chi, de forma a visualizarmos imediatamente os componentes de uma questão qualquer, estaremos a um passo de realizações mágicas e certamente de uma grande sabedoria.
Estudando o Tao
Parte – XIX
continuando...


27- "Aquele que se vangloria, não será reconhecido"

Há no mundo, uma luta constante por alcançar postos, status e coisas assim. E depois de alcançados, começa uma nova batalha que é a de permanecer ou de preferência subir mais um degrau na escala social.

O homem nunca se dá por satisfeito. Muitos usam de recursos absolutamente abjetos, outros utilizam as habilidades, muito aplaudidas, da diplomacia. Os menos criativos armam intrigas com o mesmo objetivo.

O ambiente de trabalho propicia a existência de uma oficina muito especial onde é forjada uma moral peculiar: a do relacionamento da escalada.

As pessoas que conhecem bem o organograma informal da empresa, isto é, quem de fato manda em quem, manipulam com rara destreza as espadas da maledicência, jogando para um canto qualquer, algum resto de ética que eventualmente ainda mantinham guardado.

Aquele que chama muita atenção sobre si estará colhendo rapidamente o que ele mesmo plantou: a rejeição e o repúdio. É uma questão de tempo.


28- "Ajude os que desejam ajuda"

A persistência é um dos fundamentos em que se baseia o desenvolvimento pessoal. Não é por outra razão, que o Tao-Te-Ching, repete com regularidade alguns de seus ensinamentos, como é o caso do par complementar - desejar e querer.

Penalizado com a sorte de um mendigo, um homem que costumava dar esmolas, decide não lhe dar nenhuma, pois pensa: se eu der dinheiro, ele ficará tão mal acostumado, que jamais sairá desta terrível situação.

Trata então de explicar ao pobre miserável, porque não daria a esmola que lhe fora solicitada. O mendigo, furibundo, esbraveja e impreca contra o mundo. A ele, o dinheiro é que era importante naquele momento. Deixar de mendigar, bem, isso era outra coisa.

Certa vez um amigo meu, homem de grande sensibilidade, me disse o seguinte: "Nunca tenha pena de ninguém".

Vendo o meu espanto, ele explicou: "Se você vê um cego querendo atravessar a rua, o que você deve fazer é ajudá-lo a atravessar. Ficar com pena e não fazer mais nada, é uma forma disfarçada de diminuir seu sentimento de culpa.

Para o cego, a atitude de neutralidade da pena, não vai adiantar nada, pelo contrário, a espera o tornará mais amargo. E prosseguiu:

É evidente que as pessoas sempre sentirão pena numa ou noutra situação. O que estou tentando dizer, é que ter dó de alguém, por si só, não tem maiores méritos. Se você PODE ajudar, não deixe de fazê-lo. Isto sim é fazer a coisa certa.


29- "À força do masculino deve se unir a flexibilidade do feminino, pois aí está a harmonia do Tao"

Lembremos que no Tai-Chi, tanto o Yang quanto o Yin, representam apenas metade daquilo que está sendo analisado. Qualquer situação pode ser definida por pares opostos ou complementares.

Um problema, uma doença, uma questão econômica, assuntos macro ou microscópicos. O Tao, Ordem harmônica de todo o Universo, pode ser sintetizado nesta figura magnífica.

O que a citação diz, é confirmar a necessidade do equilíbrio, para que tudo continue existindo em Harmonia.

O fato de que o Tao age em nossos corpos e mentes e que, a sua atuação é percebida nas coisas que nos cercam, faz com que algumas pessoas tenham a idéia de que se escolheu um nome mágico, para explicar o óbvio - se você se exercita na serenidade, a sua pacificação interna vem como resultado lógico, numa espécie de causa e efeito.

O Tao não seria então mais do que uma bengala psicológica. Só que não é isto. O Tao é uma Ordem, uma origem e um fim, mas principalmente, é o conceito equilibrador de tudo que existiu, existe e existirá.

É um conceito disperso e atuante em todos os lugares, em todos os tempos e em todas as dimensões. Creio que se o Tao fosse algo tão evidente e limitado, não teriam sido escritas obras do porte do Tao-Te-Ching, nem sido erigidas ciências e terapias respeitadas e que se baseiam unicamente em suas virtudes.

No dia em que tivermos nos exercitado o suficiente no Tai-Chi, de forma a visualizarmos imediatamente os componentes de uma questão qualquer, estaremos a um passo de realizações mágicas e certamente de uma grande sabedoria.

sexta-feira, 23 de novembro de 2007

Estudando o Tao
Parte – XVIII
continuando...


24- "Viver nossas tarefas é estar no Tao"

Lao-Tsé expõe com admirável concisão, uma observação milenar de sua gente: quando se está integrado, vivenciando cada instante e cada passo da tarefa que estamos executando, estamos recebendo a grande graça do Tao: a harmonia perfeita de corpo e mente.

Um bom exemplo pode ser dado pela tarefa de escrever. O escritor atua no físico (no papel, computador...) e obviamente no mental. Se naquele dia, falta-lhe inspiração, e ele se põe em wu-wei, isto é, em estado de mente despreocupada com a questão, o espaço aberto é rapidamente preenchido pelo Tao e pela resposta.

Esta interação Homem/Tao é surpreendente. Um poeta, por exemplo, animado por esta atitude, está de tal forma concentrado em cada verso, em cada palavra ou idéia, que ele acaba por penetrar no mundo mágico da intuição.

E quando isto acontece, seu verso flui equilibrado e harmonioso. Este mundo maravilhoso é o Tao. A sugestão de Lao-Tsé, de alguma forma lembra o fazer a coisa certa.

Para os que trilham o Tao, fazer a coisa certa é sentir e viver cada instante do que se esteja fazendo. Em duas palavras: serena concentração.


25- "O vazio será cheio e o incompleto será completado"

Conheci uma moça, que vivia dizendo que era incompetente, que custava a entender as coisas, que suas opiniões não tinham o menor valor, etc. Ela não era nem uma coisa nem outra.

Seria uma pessoa perfeitamente normal, não fosse esta atitude de sistemática lamentação. Creio que o que ela desejava no fundo, era se eximir da responsabilidade de tomar posições.

Para muitas pessoas, esta postura, é bastante conveniente. A alienação voluntária é incompatível com a ação social. A pessoa não se prejudica, não se expõe, mas também não participa.

Confesso que até hoje, tenho muito pouca boa vontade com esse tipo de gente. E eu explico: na maior parte das vezes, essas pessoas sabem muito bem dos assuntos que dizem ignorar.

Formam uma categoria de indivíduos desarmônicos, que vivem da mentira, do engano e do egoísmo. E dessa categoria, devemos manter prudente distância, já que pelo processo de interação, ela abala o equilíbrio que levamos muito tempo a construir.

A notável frase extraída do Tao-Te-Ching, afirma o que a esta altura já sabemos: ninguém é totalmente culto ou ignorante. Em nosso Tai-Chi, a ignorância possui a semente do conhecimento, e no lado do conhecimento, a semente da ignorância.

TODOS podem desenvolver os pontos que se acham fracos. Temos em nós, hoje, agora, plantado em algum lugar, o princípio de nossa evolução. O Tao certamente agirá, bastando que efetivamente queiramos crescer. O vazio será cheio e o incompleto será completado.


26- O sábio é sereno e modesto no falar, no pensar e no agir"

Novamente nos vem à lembrança o dito: quem sabe, não precisa dizer; quem é, não precisa ostentar. Repare neste trecho dialogado:

- Em que você é formado?

- Por que está perguntando isso?

- Porque eu cursei Pedagogia, Filosofia e Psicologia!

- Muito bem...

- Muito bem?!? E tenho ainda dois mestrados e estou terminando meu doutorado!

- Você acha mesmo que isso é o mais importante?

- Claro! Isso me coloca num patamar superior!

- Você acredita mesmo nisso?

O doutor estava furioso com o interlocutor, que mantinha uma postura muito serena. Ele próprio tinha uma formação primorosa em Universidades de primeira, além de ser mestre e doutor várias vezes. Lembra-se do que foi dito?

"O livro traz conhecimento, mas não sabedoria". Os homens verdadeiramente grandes são modestos, porque conhecem suas limitações, porque a cada coisa que aprendem, percebem que existem muito mais coisas que desconhecem.

Vamos repetir mais uma vez: modéstia não é nem humilhação nem santificação, é uma postura perante a vida, que irá retirar de sua porta invejas e malícias. O intelectual vaidoso estará sempre sujeito a roubos em sua produção e nunca, nunca será um sábio.

quinta-feira, 22 de novembro de 2007

Estudando o Tao
Parte – XVII
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23- "O mundo se alegra numa festa que acredita não ter fim"

Aí está um bom tema para os dias que correm. O mundo se divide em países ricos e países pobres, e nestes há uma terrível desigualdade entre os habitantes: os que são muito, muito ricos e os que são muito, muito pobres.

Não há necessidade de se valer da Economia para perceber esta verdade incontestável. Quando se fala em Ecologia e em sistemas ecológicos, pensa-se em plantas, bichos e oceanos.

Não está errado, na medida em que, de fato, a Ecologia estuda a relação dos seres vivos com o ambiente. Sucede, porém, que o ambiente sofre influência de todo o processo econômico e tecnológico.

Assim, não podemos deixar de incluir nos estudos ecológicos, todas as mazelas sociais, políticas e econômicas que circulam por este planeta.

Acabaremos por ter um tipo de Ecologia mais abrangente, holística, que não será nada bonita de se ver ou de se pensar. Infelizmente, porém, esta é que é a realidade.

O Tao, como Ordem harmônica, acaba realizando exatamente o que o homem sugere: ao tempo em que um país se torna rico, alguns outros ficarão pobres; há violência dos bandidos e a contra-partida da polícia; homem contra a natureza e a natureza contra o homem.

O planeta precisa subsistir, e para subsistir é fundamental que as forças atuantes estejam em equilíbrio harmônico. Esta Lei que estamos estudando, chamada Tao, promove a cada instante o necessário reequilíbrio, para que a Ordem cósmica continue existindo.

Nem sempre o resultado vai agradar a mim ou a você. No entanto é inexorável. Ao contrário da idéia ocidental do Deus bondoso e provedor, o Tao oriental, é IMPLACAVELMENTE JUSTO e infinitamente eficiente.

Foi dado ao homem o livre arbítrio e, de uma forma ou de outra, ele o usa. Destrua-se uma floresta e a harmonia se restabelecerá em forma de deserto.

Assuntos como a dívida externa de um país, são por vezes abordados ingenuamente, como se alguém pudesse manipular impunemente, à sua vontade, o sistema financeiro mundial, que por sua vez está amarrado a esta grande Ecologia.

Não há nada que se faça de bom ou de mau, que não resulte na geração de um fato que invariavelmente harmonizará a atitude tomada. Esta é a Lei, a maior das Leis: o próprio Tao.

O Tao está presente em todos os atos, fatos e pensamentos do homem, bem como nos movimentos naturais dos rios, oceanos, planetas, galáxias, átomos...

Nada escapa ao Tao. Até porque este é seu papel. Poderíamos pelo exposto, supor que as coisas no geral, estão negativas?

A resposta é não. Elas estão positivas na metade deste composto chamado Tai-Chi, e negativas na outra metade. E será possível reverter o processo?

A resposta agora é sim. Bastaria num primeiro instante, buscar uma forma de aniquilar os grandes desequilíbrios econômicos e sociais. E isto não é nada fácil; afinal o Ta-Chi que representa a situação mundial, está constituído de elementos poluídos pelos próprios homens nestes séculos de insensatez.

E continuaria sendo deficiente, à solução violenta. Lembremos que há SEMPRE contra-partida. Quando se busca o aprimoramento pessoal, o que estamos promovendo, é a realização de nosso micro-cosmos, nosso EU superior equilibrado.

Certamente nossa atitude vai ter reflexo em nosso entorno. Tão certo quanto dois mais dois são quatro. Por extensão, um grande movimento mundial em favor da paz (harmonia), tendo necessariamente que passar pela idéia expressa no Tai-Chi, resultaria no aprimoramento do macro-cosmos planetário.

Enquanto isto, a vida mundana é um eterno gozo para os que estão em cima da Roda da Fortuna, e uma permanente maldição para os que estão em baixo.

Deveríamos ter a necessária humildade e compreensão de que este processo é dinâmico. A posição da Roda será diferente daqui a um segundo, talvez não para todo o planeta, mas com toda a certeza para alguns.

Se você pode contribuir de alguma forma para melhorar o quadro, faça-o, nem que seja aprimorando-se em equilíbrio e serenidade, em atos e pensamentos. Será um trabalho solitário com resultados sociais imediatos.

quarta-feira, 21 de novembro de 2007

Estudando o Tao
Parte – XVI
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21- "Não há Ética onde o Direito toma o lugar da Justiça"

Há uma permanente discussão sobre quem redigiu as Leis do Direito. Alguns alegam que foram os mais fracos para se defender dos mais fortes. Outros que os mais fortes as impingiram com a intenção de subjugar os mais fracos.

Falemos em valores temporários e valores permanentes. Aqui estão dois valores para que sejam classificados: o Direito e a Justiça.

O Direito na maioria das vezes, muito pouco tem a ver com a Justiça, até mesmo porque, tenha sido ele escrito por um ou outro grupo, são patentes suas contradições e assim seu caráter ambíguo.

Quando neste livro falamos em valores permanentes, referimo-nos àqueles que não dependem de cultura, poder ou civilização. Por exemplo: se um indivíduo rouba, conforme o Código de Direito que estejamos consultando, receberá determinada pena ou não, de acordo com os usos e costumes do local.

Agora, um pouco de Justiça. Se tivéssemos um Código de Justiça, que não temos, lá estaria um item que diria apenas : não se deve prejudicar outra pessoa. Muito mais sintético, conclusivo e justo.

Se o cidadão vai receber 1, 2 ou 5 anos, esta é uma questão de Direito, não de Justiça. Lao-Tsé foi muito feliz em sua afirmação, pois a simples aplicação das normas do Direito, não garante que a Justiça será feita, já que estas normas são sempre tendenciosas e favorecedoras.

Nenhum Código de Direito, poderia sobrepor-se aos preceitos básicos de uma Justiça que preservasse a integridade harmônica do indivíduo, da coletividade, da nação.

Infelizmente estamos longe disto. Engrandece a raça humana, os esforços individuais que encontramos aqui e ali.


22- "Renuncia a suas habilidades e artimanhas"

Em seus anos de côrte, Lao-Tsé desenvolveu a habilidade de distinguir instantaneamente o falso do verdadeiro, o elogio sincero da bajulação, a competência da malícia.

Ao optarmos pelo caminho do crescimento, estas habilidades e artimanhas, que foram se desenvolvendo em nosso relacionamento com o mundo, devem evidentemente ser modificadas ou definitivamente esquecidas.

Aquele que segue o caminho do Tao deve se esforçar por ser virtuoso. Em hipótese alguma, se torna um santo, mas sem dúvida se destaca como um indivíduo modesto e justo.

Muitos de nós sentimos em alguma ocasião da vida, uma espécie de aviso interno, que alertava para nossos erros e falhas e para a necessidade de nos corrigir.

Se você já teve esta sensação, e fez uma opção consciente, não cabe a ninguém mais senão a você próprio, se esforçar por manter-se no caminho escolhido.

Ficar esperando elogios ou palavras de admiração, só mostra o quanto se está longe da meta. Estas atitudes imaturas, não são muito diferentes das habilidades e artimanhas que continuam presentes.

Renunciar à mentira e ao enganar-se a si próprio, é básico para aquele que pretende continuar na trilha. No dia em que você sentir que cresceu um milímetro, um só, não duvidará mais que, de fato, valeu à pena...

segunda-feira, 19 de novembro de 2007

Estudando o Tao
Parte – XV
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18- "O Tao não exige gratidão"

Devemos ser gratos a todos aqueles que nos fazem um favor; é uma afirmação bastante comum e natural. Existe uma palavra que expressa o feio sentimento daqueles que não são reconhecidos: ingratidão.

Há um consenso de que a ingratidão é uma das expressões mais negativas do ser humano. Ser ingrato é ser traidor, falso, não ser merecedor de nossa mínima consideração.

Espera-se que um favor, uma gentileza, seja reconhecida e retribuída se a ocasião aparecer. Este compromisso está de tal forma arraigado em nosso pensamento, que é praticamente impossível imaginar que poderia ser diferente.

E os dias vão passando e ficamos aguardando a paga do favor que fizemos. Algumas pessoas afirmam com bastante ênfase, que jamais esperam reconhecimento ou recompensa, e por isso não se frustram nos casos de ingratidão.

O que ocorre com você? Você se aborrece, não liga ou o que?

O Tao é uma Ordem cósmica e universal, Lei que rege todas as Leis e é absolutamente justo, implacavelmente justo.

A harmonia que ele promove, não depende de raça, religião, orações, pedidos, méritos, nada..., e nem poderia ser diferente. Ele não é você ou eu. Não guarda mágoas nem rancores. Isto é atitude pequena, incompatível com seus atributos.

Se o Tao agisse de forma diversa, se ele atendesse apenas àqueles que suplicam, rogam, bajulam, certamente poderia ser tudo, menos o Tao.

A afirmação de que o Tao não exige gratidão, nos causa certa espécie, dando a falsa impressão de que ele é tão arrogante que, feito o favor, dispensa a gratidão.

Evidentemente não é isto. O Tao não exige nem precisa de gratidão, porque ao fazer o que ele faz, simplesmente realiza o atributo da ação justa.

Faça a coisa certa, diz o ditado. E é isto que o Tao faz. Não existe assim "favores" feitos ao Tao ou pelo Tao. Ele faz o que tem que ser feito. A chuva cai, porque tem que cair.


19- "O valor de uma panela não está em seu metal, mas no vazio que contém"

Afirmações como esta, são claramente orientais. Nós, do ocidente, não estamos acostumados a fazer este tipo de imagem. No entanto, elas têm uma beleza intrínseca que agrada a todos.

Panela...

Que importância pode ter uma panela além de sua utilidade na cozinha?

Aqui, a compreensão do seu TODO, é fundamental. Uma panela apresenta o lado de fora (o metal de que é feita) e o lado de dentro (o espaço útil). O lado de fora, equivale ao corpo ou matéria, enquanto o seu interior vazio, corresponde à mente ou espírito.

Temos um corpo e uma mente. A mente deverá dispor de um "espaço vazio" para poder aprender. Ao homem que soubesse tudo sobre todas as coisas, não sobraria espaço para aprender mais nada.

Uma panela cheia até a borda, não suporta nem mais uma gota. Este raciocínio pode se estender do micro ao macro, de um átomo a uma galáxia. O conhecimento, o aperfeiçoamento, a sabedoria, a harmonia, necessitam de espaço para se fazer presentes e atuantes.

Compreende-se, portanto, que, se o Tao é a Ordem responsável pela harmonização do conjunto humano, também ele necessita deste espaço.

Fornecer espaço em nossa mente, isto é, pacificá-la das preocupações que nos estejam assolando, é o único requisito para se atingir a solução do problema que estiver em questão.


2O- "O sábio orienta"

Encontramos com muita freqüência no ambiente de trabalho, aquele chefe que não treina seus subordinados por medo de perder a sua posição. É inevitável que nestes casos, apareçam conflitos do tipo disse me disse.

O subordinado reclamando que agiu assim por desconhecer determinada regra. O chefe por sua vez, acusa o chefiado de má fé ou incompetência, afirmando que disse sim, que orientou sim.

Nesta detestável arena de confronto desigual, o que tiver a posição mais fraca, perde a luta. Sempre. Infelizmente estas ocorrências são mais comuns do que se pode imaginar.

Não se trata somente de insegurança. A esta, soma-se o fato das chefias que efetivamente não sabem treinar ou delegar. O resultado final é a perda de eficiência do conjunto e o nascimento de inimizades ferozes.

Haverá sempre alguém dentro do sistema, que achará uma justificativa para tais procedimentos: vale tudo, desde que a máquina continue funcionando.

Afinal, é plausível esperar-se outra coisa de um mundo em que os valores materiais reinam absolutos?

Eu conheço e você conhece diversos chefes que não agem assim. Se nós os conhecemos, é porque são uma minoria. E são mesmo.

Existe uma coisa chamada síndrome do balcão: é o bastante estar por trás de um balcão ou mesa, para muitos se considerarem em posição superior àqueles que se valem de seus serviços.

Isto tanto pode acontecer em um hospital, numa empresa, num transporte público, numa recepção. Aquele que delega, que ensina, mesmo sabendo que poderá se prejudicar, e o faz por ser esta sua tarefa, age virtuosamente.

O homem sábio, vai muito além disso. Instrui sem restrições e se alegra com isto. O crescimento pessoal, demanda economia de energias pessoais, para que estas sejam canalizadas para o processo de aperfeiçoamento.

Assim, treinar e delegar, passa a ser imperativo. E se for feito com amor e respeito, as virtudes serão acumuladas.

quarta-feira, 14 de novembro de 2007

Estudando o Tao
Parte – XIV
continuando...


14- "O sábio não luta para impor suas idéias e por isto é inatacável"

O que é melhor e mais eficiente? Tentar convencer o mundo que você é um gênio, ou simplesmente deixar que o tempo e as situações se encarreguem disso?

Achar-se um gênio, é uma coisa um tanto extravagante nos dias de hoje; lembra-se de Dalí? Convencer os demais disto é mais tolo ainda. Quem sabe, não precisa dizer que sabe.

Quem é, não precisa afirmar coisa alguma. Os exemplos, as atitudes e as palavras, são o passaporte do homem realmente grande. É admirável ouvir-se uma palestra desta gente.

As palavras fluem com tal naturalidade e segurança, com tanta consistência e decência, que não há lugar para enganos, nem para dúvidas do ouvinte. Gente assim dignifica a raça humana.

Se todas nossas idéias forem expostas com clareza, consistência, seriedade e modéstia, quem precisa brandir outras espadas que não a do real conhecimento?

São estas pessoas de grande sabedoria, que justificam todos os esforços direcionados ao aperfeiçoamento pessoal. E estas pessoas são de fato inatacáveis, porque não há nada, nada que diminua seu brilho.


15- "Assim como não se enche um vaso mais do que sua capacidade, assim nós temos nossos próprios limites"

O sucesso que eventualmente alcançamos, tem muitas vezes a conseqüência de encher o nosso ego de um sentimento de auto-suficiência, que é multiplicado por uma natural vaidade.

E isto não é bom. E não é bom porque efetivamente na próxima vez que tivermos que tocar em um assunto um pouco mais complexo, talvez não tenhamos estofo para expô-lo tão bem.

E aí vem uma sensação de frustração muito desagradável. Podem acontecer então duas coisas: ou nós tomamos consciência de nossa própria limitação e ignorância, ou mergulhamos cada vez mais fundo em nossa própria insensatez.

Alguns estudiosos afirmam que o cérebro humano tem uma capacidade muito maior do que a que ele desempenha. Por outro lado, a prática tem mostrado que temos mais facilidade para determinados assuntos e mais dificuldades para outros.

Existem certos testes psicológicos que têm como objetivo verificar exatamente estes pontos: o poder de lidar com fatos abstratos, habilidades manuais, memória, frustrações, criatividade, etc.

O erro não está em se ignorar uma coisa, já que isto é fato perfeitamente normal. O mal está na falsa auto-suficiência. O orgulho impele certas pessoas a assumir tarefas para as quais não estão preparadas, e talvez nunca venham a estar.

Não é à toa, portanto, que o sábio delega constantemente. A sua competência nesta área é tão notável, que é comum que muitas pessoas os acuse de inatividade.

Tal observação é obviamente movida por má fé ou ignorância. Os melhores chefes delegam não por ignorar o assunto, mas para que seu papel de supervisão seja efetivamente exercido na obtenção de resultados eficazes. Saber nossos limites é a modéstia na busca da perfeição.


16- "Depois das homenagens, o caminho indica o desapego às recompensas"

Cada um de nós tem valores e méritos. Ninguém deixa de possuí-los. Esta verdade preserva a harmonia geral. E é exatamente por isto, que a observação acima se aplica a todos.

Cada vez que nos aprofundamos em nosso entendimento do Tai Chi, o símbolo do equilíbrio universal, a seqüência de um fato nos parece mais clara, ou pelo menos mais aceitável. Em suma, fica patente o outro lado da moeda.

No tema aqui abordado, se fala em homenagem, em reconhecimento, elogio, etc. E aí, como exercício, nós podemos perguntar:

- O que deveria acompanhar aquela homenagem a nós prestada, de forma que nossa harmonia interna fosse preservada? Que não fôssemos tomados por um vulgar sentimento de vaidade ou de orgulho menor?

Existem muitas pessoas que apoiadas em um elogio muitas vezes merecido, tornam sua tarefa constante a de trabalhar e fazer tudo para continuar recebendo homenagens, mesmo que imerecidas.

É a forma de alimentar o seu ego que cada vez mais incha, tornando esta pessoa profundamente egoísta, quando despreza os passos éticos ou morais que medirão sua caminhada rumo ao que chama sucesso.


17- "Quem é sábio, não precisa de erudição"

Durante nossa vida, acumulamos conhecimentos que, espera-se, algum dia, serão de valia. Numa formação completa, passamos pelo ensino elementar, que fornece os conhecimentos mínimos para nossa sobrevivência.

Em seguida por um 2o.ciclo , responsável pelo aperfeiçoamento das armas com as quais enfrentamos o mundo e nos dá a base para nos profissionalizarmos no ensino universitário.

São quase 2O anos de estudo formal. Consta, que os antigos gregos, estudavam além da aritmética e da linguagem, poesia e filosofia. Este povo, de estudo limitado, nos deixou não obstante, figuras da maior estatura, notáveis representantes da raça humana.

O Tao-Te-Ching, ao repetir certos temas como este, não está sugerindo que se deva desprezar o estudo formal e a erudição. Não é isto. A citação apenas nos alerta para o perigo que representa confundir uma coisa com outra.

Sabedoria, não depende de cultura ou de conhecimentos de alto nível. Também o erudito não é necessariamente um intelectual, nem o ignorante será, por esta razão, um sábio.

A sabedoria é o acúmulo de experiência de vida e de intuição. Como é possível atingir-se um estado de sabedoria? Isto é conseguido com a idade, com a vida e com a mente aberta para o intuitivo. Supletivamente por uma coisa mágica chamada iluminação.

A iluminação é um carisma, um dom recebido, que permite ao indivíduo perceber a síntese sem necessidade de fazer a análise; sentir o todo sem dividi-lo nas partes.

Um sábio, iluminado ou não, sente que a erudição, por maior e mais primorosa que seja, não cobre todas as necessidades do ser humano. Daí dedicar-se com igual empenho, na busca daquele estado que o permita apontar um problema, e ver sublimada a solução.

terça-feira, 13 de novembro de 2007

Estudando o Tao
Parte – XIII
continuando...

11- "Porque o sábio pouco cuida do material; seu Eu evolui"

Onde está o erro em nos preocupar com o ganhar a vida, poupar, prever, prover, gastar...?

Não há erro nenhum quando as coisas são feitas de maneira moderada. É preciso entender que a moderação é o mesmo que harmonia e equilíbrio. O exagero no trabalho pelo trabalho, nas poupanças e provimentos, são atitudes insensatas.

Por que insensatas?

Porque o ser humano possui duas partes distintas: a material e a espiritual.

Até os mais incrédulos sabem que isto é uma verdade. Não importa como você encara o espiritual, se de forma metafísica, biológica ou sentimental. O fato é que o material é palpável e o espiritual, não.

O Tai-Chi, que nos lembra as partes em harmonia, sugere claramente a matéria de um lado e o espírito de outro. São portando as duas faces da mesma moeda, ou se preferirmos, pares complementares.

Ora, a dedicação exclusiva à matéria, estaciona o indivíduo num certo patamar. Afinal, foi dito no Tao-Te-Ching, que o valor das coisas é medido pelos vazios e não pelos cheios: uma panela ainda tem valor, se contiver espaço disponível.

O mesmo se dá com uma sala. A um recipiente cheio, nada mais se pode acrescentar, porém naquele que dispõe de espaço, o crescimento ali se instalará.

Esta é a razão pela qual o homem mundano, é o que mais necessita e TEM as condições para seu crescimento global. Evidentemente, ninguém pode obrigar ninguém a fazer aquilo que não quer.

Existem milhões e milhões de pessoas que estão muito satisfeitas e felizes, levando uma vida exatamente da maneira como o mundo a apresenta. Os conselhos e sugestões que se possam dar, são absolutamente inúteis e impertinentes.

Os processos de aperfeiçoamento funcionam como um tipo de prática esportiva: se a pessoa está bem no seu íntimo NÃO QUER nadar, ela jamais aprenderá a nadar, a não ser quando por necessidade for obrigada.


12- "A virtude é como a água, modesta em sua adaptação"

Foi dito que o sábio é firme nas questões de Justiça. Ao se falar aqui em adaptação, poderíamos supor então que a Justiça é maleável conforme o caso?

Quando o assunto é o Tao, a Justiça de que falamos é um valor absoluto, universal, permanente e imutável. Quando o assunto é o mundo, a Justiça leva o sobrenome de Direito e sofre constantes revisões de acordo com os usos e costumes vigentes naquela sociedade e naquele tempo.

Na citação, o verbo adaptar, tem o sentido de envolver, como um envoltório. Por exemplo: se você é um professor, sua didática deve se adaptar às circunstâncias ou ainda, deve envolver cada aluno em seu aspecto global.

Imagine o indivíduo mais arrogante e vaidoso que você já conheceu. Um diálogo com seus subordinados poderia ser alguma coisa do tipo:

- Sua produção está muito baixa!
- Estou com sério problema na família...
- Isto é problema seu, eu quero produção!

Isto não é nem firmeza e muito menos adaptação. Isto é estupidez. Se a observação fosse:

- O que está sucedendo? Quem sabe a gente pode ajudar?...

Isto é o que o Tao-Te-Ching chama de virtude e modesta adaptação. Infelizmente é bastante comum vermos pessoas chegarem a um posto de mando e passarem a confundir poder com tirania.

Toda sua postura anterior de democrática flexibilidade, de preocupação e generosidade, some diante de um salário um pouco maior ou da insana vaidade de se julgar o dono do poder.

Existem algumas palavras-chave no processo de crescimento e uma delas é flexibilidade.


13 - "O homem feliz é prestativo no dar, sincero no falar, suave no conduzir, sereno no agir"

Você quer ser feliz? Claro e quem não quer? Preste atenção na receita de valores harmônicos que se segue:

1 - Seja prestativo - Não negue sua ajuda a quem a pede.

Se você pode ajudar, ajude. Fique alerta no entanto para não por lenha na fogueira da injustiça social. A caridade na forma de esmolas, é uma praga que tira a culpa de quem dá e mantém na desgraça quem recebe.

Ensinar, ajudar, orientar, conseguir e são exemplos de prestatividade. O indivíduo verdadeiramente prestativo não se engrandece nem se humilha.

2 - Seja sincero - São tantas as pessoas insinceras e mentirosas, que até existe esta frase preparada para eles: "A quem você pensa que está enganando?"

A mentira cedo ou tarde será descoberta e ninguém fica impune. E não fica mesmo, é só uma questão de tempo. Ser sincero é o mesmo que ser coerente. E ser coerente é ser justo consigo próprio.

Para alcançar a felicidade, um grande entrave é o auto-flagelo da mentira, da falta de sinceridade. Quando você diz coisas que não sente no intuito de agradar, o preço que será pago será sua própria subserviência.

Evidentemente não devemos confundir sinceridade com arrogância, estupidez ou falta de tato. Você pode e deve ser sincero, sem assumir nenhuma dessas atitudes.

3 - Seja suave - isto me lembra de que um presidente americano dizia: "Fale manso e carregue um porrete".

Suavidade ou mansidão, não significam passividade bovina, nem porrete presidencial. Quando você leva seu interlocutor, a aceitar conscientemente suas idéias, isto é ser eficiente.

Se, além disso, você tem a característica da fala suave, o resultado será ainda mais notável. Todo mundo gosta de ser bem tratado.

4 - Seja sereno - Aí está uma característica tão importante que mereceria todo um livro.

A serenidade nos pensamentos e nas ações, são um requisito básico a quem aspira o crescimento pessoal. A quietude da mente dá espaço para a atuação do Tao reequilibrante.

A quietude do corpo é aumentada e multiplicada pela ação do Tao harmônico. E isto não é fantasia. Você pode experimentar a qualquer momento, agora mesmo, e ver de imediato os resultados.

Feche suavemente os olhos, relaxe o corpo como puder e desligue sua mente. Aguarde um ou dois minutos. Logo- logo você vai sentir o efeito da reordenação que o Tao promove.

segunda-feira, 12 de novembro de 2007

Estudando o Tao
Parte – XII
continuando...

9 - "Quanto mais falamos do Universo, menos o entendemos"

Desde que o pensamento lógico se tornou a base das deduções científicas ocidentais, tem-se perdido a oportunidade de utilizar este instrumento da inteligência em conjunto com a intuição, instrumento da sabedoria.

Quando o Universo é observado sob um telescópio, o simples bom senso indica os resultados incompletos quando não, falsos. Esta não é uma opinião exposta por leigos inconseqüentes, que visam alguma fugaz notoriedade.

Há fortes indícios de que existe efetivamente uma relação causa-efeito entre o pensamento e movimento de certas partículas sub-atômicas.

Para aqueles que, já há muito tempo, percebiam intuitivamente que as características do Universo são tantas e tão além da percepção dos instrumentos, que isto não constitui novidade.

Acontece, no entanto, que a vida mundana se rege basicamente pelos sentidos, e assim a ciência e a tecnologia, são voltadas para atender as necessidades mais aparentes.

Não haveria mal algum, se tudo andasse bem, se este enfoque conseguisse que o homem se realizasse material e espiritualmente. Claro que isto não ocorre, todos nós sabemos.

E não ocorre porque a ciência racional e lógica é incapaz de incursionar no terreno do maravilhoso, do inexplicável.

- O que dizer dos sonhos que acabam por se realizar?
- Como equacionar as visões?
- E como dar um sentido racional às grandes coincidências?

Parece-nos uma falha de caráter, a manutenção de posições científicas estanques, movidas muitas vezes por interesses pessoais, prepotência, preguiça mental, ignorância ou intransigência.

Sabemos muito bem que os fenômenos parafísicos, não resistem aos mais simples testes de veracidade científica como, por exemplo, o da repetibilidade.

Acontece que não se pode medir comprimento com uma balança. Uma coisa não tem nada a ver com a outra. O desenvolvimento sistemático da percepção desses fenômenos, certamente trará as réguas com que eles serão medidos.

Esta reflexão sobre a citação do Tao-Te-Ching, poderia se encerrar de forma bastante natural:

Há fenômenos observáveis direta ou indiretamente pelos sentidos, e que são o campo de atividade da ciência lógica formal, e há fenômenos puramente conceituais que serão o campo de uma nova ciência paralógica. Aí então, e só então, o homem conhecerá o Universo e todas suas implicações.


1O- "É grande o valor do silêncio"

Existem duas posturas em relação ao silêncio. Em primeiro lugar, há o silêncio passivo, que é aquele onde nos colocamos receptivos às palavras, idéias, etc., dos que notoriamente sabem mais do que nós. É o silêncio do escutar, da apreensão racional.

Em segundo lugar, há o silêncio ativo, onde a mente aquietada, cede espaço para a que a intuição nos forneça a resposta a uma questão. Poderíamos dizer, que é o silêncio para a ação harmonizante do Tao.

O silêncio passivo irá corresponder, na prática, a uma posição de modesta humildade. Mesmo que sejamos expoentes em nossa especialidade, quem nos garante que sabemos tudo? Que não falta um pedacinho qualquer que irá complementar nossos conhecimentos?

Manter silêncio na aprendizagem é sinal de evolução espiritual. Lê-se ainda no Tao-Te-Ching, que aquele que muito fala, nada tem a dizer.

Isto parece fazer bastante sentido, quando por prepotência, vaidade e orgulho, brilhantes intelectuais defendem de forma douta, graves erros para os quais constroem justificativas cheias de arabescos e totalmente mentirosas.

O estudante certamente conhece casos e casos... O silêncio ativo, uma das mais notáveis conquistas daqueles que tem a percepção do Tao, acaba por resolver problemas complicadíssimos, sem que tenhamos outra coisa a fazer senão nos colocar em wu-wei, isto é, numa postura de mene silenciosamente ativa.

Não há necessidade de fazer nenhuma ginástica, nem de orar ou de se recitar mantras. Se você se sente bem em fazê-los, tudo bem. Se por outro lado, você tem dificuldades, não gosta ou não se sente à vontade, mas ABRE ESPAÇO, o Tao irá agir da mesma forma.

O Tao é uma Ordem universal e cósmica, e, portanto não faz distinção de estilos ou ritos, ou da falta deles. É suficiente que se dê o espaço de silêncio para a sua ação harmonizadora.

Quanto ao problema em questão, não devemos pensar nele durante nosso silêncio. Ele deve ser, digamos, congelado como se você, antes de pacificar seus pensamentos, o sentisse bem e em seguida o paralisasse. A solução da questão será inevitavelmente intuída. Experimente inicialmente em pequenos problemas e depois vá avançando.

sexta-feira, 9 de novembro de 2007

Estudando o Tao
Parte – XI
continuando...


6 -"Não dê muito crédito à razão e à cultura."

Quando examinamos a questão da cultura, parece ter ficado claro que ela não apresenta grandes méritos, embora saibamos que a maioria das pessoas ainda fica muito impressionada quando se depara com um indivíduo culto.

Confunde-se cultura com inteligência, com competência, com sabedoria é até com posição social. Cultura é um elemento de referência.

É uma espécie de enciclopédia onde você vai buscar informações que o ajudam a solucionar alguma questão.

Como a palavra cultura ficou intimamente ligada às coisas mais ou menos sofisticadas, o indivíduo que acumulou por diversos meios e razões, uma grande quantidade de conhecimentos, particularmente nas áreas artísticas e filosóficas, costuma se envaidecer de tal fato.

E é aí que a coisa deixa de funcionar direito. Os grandes problemas existenciais do ser humano e que pedem uma resposta urgente, estão muito mais ligados a sensibilidade e à intuição, do que à cultura e à razão.

Há um ditado popular que diz:

"O coração tem razões que a própria razão desconhece".

O que é uma grande verdade. As razões que a razão desconhece, são aqueles valores que a ciência não faz caso: sensibilidade, intuição, iluminação, etc.

Há como que uma supervalorização da cultura em detrimento dos valores comuns a todos os homens. Infelizmente isto é tão verdadeiro, que se torna difícil até mesmo argumentar.

De qualquer forma, meditemos sobre estas palavras do sábio, e ao lidar com questões realmente sérias, que se dê uma chance ao não tão lógico e ao não tão racional. Quem sabe assim, reconheçamos que nossa vaidade está nos vendando os olhos às melhores soluções.


7 - "Observe para onde leva a trilha das carroças"

Aí está uma observação de muitas interpretações, todas boas e todas de grande validade. Quando durante muitos anos as carroças passam por uma estrada de terra, vão deixando sulcos que se aprofundam com o tempo.

As questões que podem ser postas também são muitas:

- Será que este é o único caminho?

- Será que nunca ninguém tentou outro?

- Faltou curiosidade aos que me antecederam?

- Que distância eu devo percorrer até o destino?

- Devo crer que o caminho é seguro?

Você está convidado a dar sua própria interpretação às questões, como forma de se exercitar.

Não procure as respostas marcadas nas "trilhas" de sua mente, pelo contrário, procure soluções novas, originais, porém se não chegar a um acordo, adote então a solução já trilhada.

Uma coisa você pode ter certeza. É um excelente começo no exercício do desenvolvimento pessoal. Uma das coisas que mais nos prejudicam é nossa vaidade, nosso orgulho em admitir nossa ignorância.

Não há nada de mais nisto. Quem é que sabe tudo afinal? Pense nisto e, serenamente mãos à obra. Com calma. Não há pressa, você tem o tempo que quiser. Não se preocupe com suas respostas. Elas sempre serão as SUAS respostas.


8 - "O sábio é firme quando a questão é de Justiça."

Se você imagina que um sábio é um individuo permanentemente afastado das coisas mundanas, está enganado.

Quem se afasta assim é o eremita que não é necessariamente um sábio.

Vocês se lembram de Gandhi?

Bem, Gandhi era sem dúvida alguma um sábio que, embora tivesse uma vida muito modesta longe da confusão das grandes cidades, mantinha-se muito atento às necessidades de seu povo.

Ele era particularmente sensível as injustiças praticadas pelo poder colonial que ocupava seu país.

Muitas vezes ele liderou manifestações do tipo não-violência que, infelizmente, resultaram em tragédias. Um dos mais fortes sentimentos que vêm marcando a vida dos grandes homens, é o apego à Justiça.

Não devemos confundir Justiça com Direito. Direito são as Leis postas no papel. São as Leis escritas por quem esta no poder, habitualmente para defender seus próprios interesses.

Daí que o Direito não reflete necessariamente a Justiça. A Justiça tal como o sábio a vê, é um valor equilibrante, harmônico e absoluto.

Assim, é natural que ela seja motivo de sua constante preocupação. De fato ele não seria sábio, se permanecesse indiferente as injustiças praticadas à sua frente, pois estaria contribuindo para desequilibrar ainda mais o sistema.

Suas atitudes ao denunciar tais ocorrências, podem gerar situações por vezes muito fortes (veja o caso de Gandhi) que acabam por dar a impressão de que se estaria combatendo a injustiça com a injustiça.

Para o sábio, a Justiça não é uma entidade abstrata e utópica, mas um valor real, harmonizante e eterno. Para ele, Justiça é o próprio Tao.

quinta-feira, 8 de novembro de 2007

Estudando o Tao
Parte – X
continuando...


4 - "Não viver pelas paixões, mas pela sobriedade"

Que são paixões? O termo é usado para designar desejos irracionais ligados a fortes emoções, muitas vezes violentas. Poderíamos chamar de amor a este sentimento?

A paixão não lida apenas com pessoas, mas também com as causas defendidas vigorosamente; ou com os objetos, quando então ela degenera em consumismo.

Paixão é um tipo de fanatismo. Enquanto a paixão mostra permanentemente seu lado desequilibrado, o amor em seus níveis mais elevados é suave, tranqüilo e participativo.

Sobriedade, um dos temas preferidos pelos filósofos do Tao, é ter um comportamento equilibrado. A sua falta coloca o homem em todo tipo de desvantagem.

Ser sóbrio significa ter a mente bem preparada para dialogar, escolher e decidir. Quanto mais difícil for um problema, tanto mais sóbria e competente deve ser a ação.

A chamada não-violência tem tudo a ver com a sobriedade. Gera na outra parte, uma atitude de tal forma passional, que ao perder o controle da situação, já foi derrotada.

As grandes vitórias são sempre conseguidas mediante um diálogo sóbrio e eficaz. Conversar exige, é claro, muita preparação interior, e nem todos estão dispostos a investir em seu crescimento. Uma das tarefas daquele que deseja se aperfeiçoar é justamente a substituição da paixão pela sobriedade.


5 - "O livro traz erudição, mas não sabedoria"

Erudição e sabedoria. Erudição está ligada aos conhecimentos mundanos. Os livros em sua grande maioria refletem interesses de indivíduos ou grupos, alimentando até mesmo a vaidade do escritor.

Como os livros fazem parte de nossa educação desde a infância, exercem uma enorme influência em nossa maneira de ser e pensar. Não é exagero afirmar então, que uma pessoa que viveu e vive para os livros, terá uma forte tendência a resolver os problemas pelos modelos que neles encontra.

Observe que estas pessoas costumam ter respostas padronizadas. Não é por outra razão que os fanáticos políticos e religiosos, vociferam com um livro na mão.

Este processo de cultura livresca funciona de fora para dentro, do livro para o coração. Se você não utiliza seu bom senso, se não exerce conscientemente seu direito de crítica, acaba virando um robô cultural.

Godard e Marx serão endeusados mesmo que você não entenda claramente suas proposições. Um famoso jornalista americano, chamado Charles Fort, dizia:

"Julgamento suspenso, aceitação temporária, questionamento sempre".

Ele era tido como um indivíduo meio louco, pelas suas posições científicas pouco ortodoxas. Teve que fundar as Sociedades Fortianas, de sorte a ali defender seus princípios.

Creio que o mais importante, não é se ele afirmava ser a terra quadrada ou ôca como um balão. O mais importante é sua atitude em relação àqueles que eram escorraçados pela sociedade científica e por todos os que adotavam uma posião de intolerância.

As Sociedades Fortianas, eram o abrigo das causas perdidas. Qualquer idéia que fosse ridicularizada era aceita, em princípio, pela casa.

Observe que o lema da Sociedade (julgamento suspenso...) apelava para a Justiça, para a tolerância e para o processo crítico.

Isto não se aprende em livro nenhum. Esta salada de frutas, mesmo que não seja do nosso agrado, demonstra que Fort podia até não ter grande cultura, mas sem dúvida tinha sabedoria.

Você sabia que um analfabeto resolve seus problemas da mesma forma como um luminar resolve os dele? O processo mental é o mesmo. A única coisa que difere é o volume de informações, que no caso do indivíduo culto é tão grande que pode até atrapalhar a solução.

O homem simples, como dispõe de pouquíssimas informações, utiliza em muito maior escala, sem censura, as coisas que não se aprende na escola: bom senso, lógica inata, intuição, experiência de vida.

Quem ensinou isto a ele? Talvez a vida mesma, talvez algum dom. O fato é que ele não tem cultura, mas possui algo mais natural e muito mais importante: a sabedoria.

Quando aqui falamos em sabedoria, estamos nos referindo, portanto a um tipo de conhecimento que vem com o andamento da vida, com suas alegrias e percalços, com as soluções encontradas e testadas, com a observação de detalhes e até mesmo pela leitura...

A gente logo distingue um pomposo e tolo intelectual que acha que tudo sabe de um verdadeiro sábio, modesto e cauteloso nas palavras e ações, pois sabe muito bem que seu conhecimento tem limitações.

O erudito, se pega em vírgulas e outras tolices; o sábio ao contrário é tolerante e aberto. Se você conhece um homem muito culto que não seja mesquinho, então ele é um sábio.

Se alguém tido como sábio mostra orgulho e vaidade, então ele não passa de um ignorante. A cultura limita o homem, a sabedoria expande.

quarta-feira, 7 de novembro de 2007

Estudando o Tao
Parte – IX
continuando...


3 -"O sábio faz sem fazer e ensina sem falar!"

Que afirmação espantosa! O sábio faz sem fazer e ensina sem falar. Que significam essas estranhas palavras?

Num dos lados do Tai-Chi está o fazer e no outro, o não fazer. Ao optar pelo não fazer, o sábio na verdade, não está se escusando da realização. Não fazer e obter resultados, é uma das coisas mais incríveis do Tao.

Como isso é possivel? Através de uma atitude mental denominada wu-wei ou mente vazia. O indivíduo não deixa de agir por preguiça ou alienação, pelo contrário, ao esvaziar sua mente das preocupações com a questão, fica aberto o espaço para que o Tao atue, conseguindo o melhor resultado possível.

Anote, pois, isso é muito importante! Às vezes antes de uma exame, resolvemos esquecer e relaxar, ou então esperar que um sonho nos revele a solução de um problema.

Isto é uma forma muito eficiente do wu-wei. Quanto mais você exercita a mente serena, mais questões podem ser resolvidas pela ação do Tao.

Ele só pede que sua mente esteja o mais tranquila que for possível. A ação do Tao sendo reequilibrante, restabelece a harmonia entre os dois lados do Tai-Chi, vale dizer, da questão em pauta.

No caso do exame, dá o conhecimento que complementa o desconhecimento. Um sábio seria então, aquele que domina de tal forma essa arte, que poucas vezes precisa interferir pessoalmente.

De maneira idêntica, diz o verso que ele ensina sem falar. Aqui, a expressão diz respeito ao ensinar pelo exemplo. É, portanto, fundamental que os homens na posição de mando tenham um comportamento exemplar.

A ação do Tao, esta Ordem universal e harmônica, se faz sentir por nossas atitudes e comportamento. Há, portanto um pré-requisito para que o Tao atue e resolva ou aponte a correta direção da questão:

Temos que manter um comportamento físico e mental o mais sereno e tranqüilo que pudermos. Não é tão difícil assim e é agradável.

Nos pequenos casos, uma simples relaxada é suficiente. Nos grandes casos, é preciso um maior afastamento mental da questão. Isto só pode parecer incrível para quem ainda não viu a coisa funcionando.

Para os ocidentais, parece estranho que o Tao não espere que você o bajule com orações, ofertas ou coisas do gênero. Não há necessidade de intermináveis sessões de relaxamento nem de extravagantes posturas físicas e mentais.

Só é preciso que você relaxe um pouco os músculos, andando ou parado, e desligue por alguns segundos o interruptor da mente.

Se você fizer isto os primeiros resultados se farão sentir - acreditando ou não no Tao. Você não precisa abdicar de suas idéias filosóficas, políticas ou religiosas.

Tao não é Deus nem é uma religião. Tao é uma Lei universal, que não depende de nenhuma espécie de adoração ou fanatismo.

Pelo contrário, a ação do Tao se faz sentir com mais rapidez naquelas pessoas inflexíveis que resolvem a ele recorrer, o que evidentemente não é coisa muito comum.

É como uma febre de 4O graus que baixa com mais facilidade que uma de 37. Para o Tao, gente é gente sempre, não havendo bons nem maus, porque este julgamento é determinado pelas Leis do homem.

O papel do Tao é reequilibrar todas as coisas, não é sua tarefa premiar ou castigar. O Tao também cura doenças? Perguntaram-me um dia. Sim, é evidente, pois uma doença é um sintoma de desarmonia. Como ele faz? Ele não faz, simplesmente acontece.

terça-feira, 6 de novembro de 2007

Estudando o Tao
Parte – VIII
continuando...

O Tao não tem uma estrutura, nem atributos que possam ser medidos por nenhum instrumento conhecido. No entanto, seus efeitos são sentidos todos os dias, a cada momento, em milhares de pessoas pelo mundo afora.

Fatos comuns como encontrar a melhor solução para uma questão financeira, é obtida através de certas características do Tao. Curar uma simples dor de cabeça é conseguida com grande facilidade por qualquer pessoa que conheça um mínimo da ação do Tao.

Quando um chinês pratica conscientemente seu Tai-Chi-Chuan diário, ele sabe que vai se aperfeiçoar em seu todo. Os médicos acupunturistas, estão utilizando a todo instante as virtudes do Tao. Os adivinhos que desenvolvem seu trabalho nas ruas chinesas, fazem suas previsões baseadas no I-Ching, que é puro Tao.

Na verdade, o Universo todo está tomado pelo Tao; de um buraco negro a uma imensa galáxia, do vírus a um animal, de um animal ao homem. O assunto é por, demais sério para ser julgado seja pelas regras dos cientistas, seja por vagos critérios metafísicos ou parapsicológicos.

Muita gente prefere em assuntos como este do Tao, ficar com suas próprias idéias. Não é fundamental que as pessoas aceitem ou não sua exposição. O mais importante, é que ao expô-la, sempre haverá alguém que se beneficiará com ela. Neste momento, por coerência, estaremos considerando o assunto Tao, como pertencente à classe da ciência paralógica.


PALAVRAS DE SABEDORIA

Chegamos às citações contidas no Tao-Te-Ching, e estaremos comentando cada uma delas. As palavras de Lao-Tsé, se referem a diversos assuntos de nossa vida diária, tais como valores éticos, trabalho, relacionamento interpessoal, assim como esclarecimentos fundamentais sobre o Tao, seus atributos e a maneira como devemos agir de forma a obter seus benefícios.

Seja qual for seu objetivo ao estudar o Tao, será uma aventura fascinante penetrar no pensamento oriental, e ver o que eles pensam e sentem, além de nos preparar a trilha, se assim o desejarmos, que certamente nos levará a uma vida mais rica e harmoniosa. Então vamos a elas...

1 - "O caminho que se pode seguir, não leva ao Tao"

Normalmente as pessoas que buscam o aperfeiçoamento pessoal, se utilizam de livros e orientadores que estão de tal forma ligados às coisas do mundo, que esquecem que para viver no Tao, isto é inútil, pois o verdadeiro caminho passa muito mais pela intuição do que pela razão.


2 - "Para estarmos no Tao, devemos suprimir os nossos desejos"

Esta é uma clássica afirmação oriental. E faz muito sentido. Passamos a vida desejando coisas e almejando o beneplácito dos outros em relação a nós. Desejamos objetos e bens materiais. Enfim, somos um poço de desejos.

Como existem milhões de pessoas, é perfeitamente natural que muitas desejem a mesma coisa. A possibilidade que venhamos a conseguir exatamente o que queremos é, portanto, bastante remota.

Quando finalmente conseguimos o que queríamos, ficamos frustrados, porque o nosso desejo - não era bem esse. E aí nascem três coisas: uma frustração, um novo desejo, e um sentimento negativo em relação a alguma pessoa.

Todas essas coisas, ensina a psicologia, à medida que se acumulam, acabam gerando tensão e angústia. Da mesma forma, desejos mal satisfeitos, podem nos deixar nas mãos uma porção de coisas que depois de algum tempo não fazem mais sentido.

E aí, você se vê na contingência de optar por delas. Sua vida passa a ser gerida pelas coisas e não mais por você. Parece então prudente, que nos reeducássemos de tal forma, que nossos desejos fossem voltados à efetiva necessidade. Menos desejos, menor possibilidade de sofrimento.

Amanhã continuaremos, afinal, são 50 às citações e teremos um longo caminho pela frente.

segunda-feira, 5 de novembro de 2007

Estudando o Tao
Parte - VII


O homem ocidental, mais do que o oriental, raciocina com lógica e somente com ela, deixando praticamente de lado a intuição.

O pensamento científico cartesiano, fez com que o processo intuitivo, fosse esquecido, menosprezado e ridicularizado. A razão disto, é que o método científico se baseia em certas Leis rígidas e axiomáticas, ou seja, você pode discutir o assunto, mas para que sua conclusão seja considerada científica, o resultado deve passar pelo crivo da ciência.

Se passar, você tem em mãos uma verdade científica, se não passar... Este crivo ou critério obriga, por exemplo, que o resultado a que você chegou em certa questão, possa ser repetido por qualquer pessoa, utilizando os mesmos meios que você empregou.

Isto é chamado repetibilidade, e para nós do ocidente, faz muito sentido, tem lógica. Se José misturou A com B, obtendo C, então João ao misturar, nas mesmas condições, A com B, obrigatoriamente terá que obter C.

Não se deve desmerecer o método científico, por ele ser rígido e exigente, ditatorial mesmo. Ele é assim, porque foi determinado pelos cientistas lógicos que assim seria.

Se o tempo mostrar sua falência, ele deixará de existir, mas enquanto ele funciona, continuará a ser aplicado. Ou você aceita ou não. Se aceitar, tem que se submeter aos seus critérios, se não aceitar, faça o que bem entender, só que não haverá aprovação de seus pensamentos ou experimentos na comunidade científica.

É um clube fechado com suas próprias regras. Ninguém o obriga a ser sócio. É uma tolice dos defensores dos chamados métodos alternativos, ao advogar suas causas, atacar os cientistas, chamando-os de perversos, insensíveis, inflexíveis. O trabalho em outras frentes exige outras réguas de medição. Um esquadro e um compasso, podem ser instrumentos perfeitamente adequados ao método científico.

No entanto, um fenômeno como a telecinese ou a própria ação do Tao, terá que apresentar seu próprio método de avaliação.

Não creio que a estatística, processo dos mais empregados nos métodos alternativos, seja a melhor forma de validar os fenômenos paralógicos, até porque, embora a estatística não seja uma ciência exata, está incluída respeitosamente entre as ciências experimentais .

A posição será muito mais consistente, ao se mostrar, por exemplo, que os maiores avanços do Homem como Ser, foram conseguidos partindo de especulações filosóficas nascidas da intuição.

Não sei se o exemplo é o mais feliz, mas julgo que seja adequado à exposição que estamos fazendo. Recentes estudos da Física Quântica sugerem haver uma relação de causa-efeito entre a vontade e o movimento de certas partículas sub-atômicas.

É assim, trabalhando com seriedade e lisura, que as coisas poderão mudar. Não é porque alguém disse que viajou em um disco voador que devemos acreditar. Fisicamente, eu vou pedir provas sensíveis. Metafisicamente eu vou, quem sabe, parabenizar o felizardo.

O pressuposto de que todos só dizem a verdade, é muito, muito discutível... Chamemos a ciência que conhecemos de ciência lógica e todas as que não se submetem ao seu crivo, de ciência paralógica.

Isto não se pode impedir; é um nome como outro qualquer. A aceitação deste tipo de ciência obrigará a criação de critérios próprios, evitando a proliferação de espertalhões; já nos bastam aqueles que os furos da ciência tradicional proporcionam.

quinta-feira, 1 de novembro de 2007



Estudando o Tao
Parte - VI


Continuando...

Um problema do tipo saúde/doença se apresenta de maneira semelhante. Com efeito, a doença parte de uma situação de saúde. Ninguém fica doente estando doente, e sim quando se está sadio.

A cura para qualquer doença está igualmente inserida na própria doença - quem se cura de algo que não possui? É preciso primeiro, que se esteja doente para ser curado.

Existe uma infinidade de situações que o Tai-Chi pode espelhar: claro/escuro, bondade/maldade, serenidade/agitação, integridade/destruição. Numa situação conflitante, há predominância de um lado sobre o outro.

A ação corretiva do Tao devolve a proporcionalidade às partes expressas no Tai-Chi. Onde e quando o Tao vai buscar a melhor solução, permanecerá sempre um grande mistério.

A resposta a uma pendência pode estar num medicamento, numa pessoa, em alguma forma de energia, que por sua vez pode estar localizada no passado, no presente ou no futuro. Esta é a magia do Tao.

Diriam os chineses, que há dez mil maneiras de se recorrer a esta mágica; todas elas, no entanto, pedem um mínimo de serenidade daquele que pretende receber este benefício.

O Tao necessita de um espaço vazio e tranqüilo para prover sua atuação reequilibrante. Esta serenidade física e mental pode ser alcançada mediante exercícios, posturas ou simplesmente pela disposição de espírito.

É preciso, efetivamente, desejar a cura para ser curado. Entre essas disposições de espírito mais adequadas ao entendimento ocidental, existe uma chamada wu-wei ou não-fazer, que nada mais é do que deixar a mente momentaneamente vazia e livre das preocupações, e fisicamente não fazer nada, absolutamente nada.

Este não-fazer, não é uma atitude de alienação, é antes de tudo uma postura propositadamente receptiva. O fato de possuirmos inteligência e racionalidade, sem dúvida alguma dificulta assumir esta disposição, o mesmo não ocorrendo com os animais, que mais facilmente atingem um estado de quietude.

Alguns de nós, já participou ou assistiu uns exercícios, às vezes chamados de anti-ginástica, e que leva o nome de Tai-Chi-Chuan. Na verdade não se trata propriamente de exercício e muito menos de qualquer tipo de ginástica como a entendemos.

O Tai-Chi-Chuan é constituído de movimentos normalmente muito suaves, elegantes e moderados que têm como objetivo, harmonizar as funções do corpo e da mente, isto é, fazer com que possamos atingir um consciente estado de serena tranqüilidade.

Até hoje, milhões e milhões de chineses, reunem-se todas as manhãs nas praças públicas, para a prática diária do Tai-Chi-Chuan. Isto lhes assegura uma predisposição adequada para um dia de trabalho produtivo e tranqüilo.

Moços e velhos em conjunto, realizam movimentos graciosos, que o pragmatismo do ocidente jamais entenderia, mesmo que disso resultasse em maior produção.

O que está por trás do Tai-Chi-Chuan é o Tao; nada mais existe nesta prática do que a ação do Tao. Como eu disse, para o povo chinês, o conceito do Tao é inato.

Você que nasceu e mora em um país ocidental entenderia um Deus sem sentimentos, que não premiasse os bons nem castigasse os maus? Que se ocupasse de muito mais coisas do que o Homem? É difícil não é?

E sabe por quê? Porque simplesmente durante gerações e gerações, temos sido educados a ver um Deus antropomórfico, isto é na forma humana e orientado para as necessidades do homem.

Alguém disse uma vez, que se as formigas tivessem um Deus, este seria uma enorme formiga de barbas brancas. Parece ser natural criar um Ser Superior, à nossa imagem e semelhança...

Deus do homem guarda como não podia deixar de ser, algumas das características dos deuses pagãos egípcios ou gregos, exatamente porque também estes povos, os visualizavam como meros atendentes de suas necessidades pessoais.

Pessoalmente, acho que Deus deve andar mais ocupado com questões relevantes como a Justiça Universal, do que com o direito dos homens. Deve estar muito mais interessado numa Grande Ética, do que nos mesquinhos códigos morais vigentes neste planeta.

Não consigo imaginar Deus favorecendo o time A ou B, ou atendendo preces voltadas a ganhar na loteria ou conseguir um namorado. Isto, um feiticeiro competente consegue com muito mais facilidade, e a um preço bastante módico...

Fico imaginando como é possível que milhões e milhões de pessoas, continuem a tratar Deus como se fosse seu serviçal: me dá isso, me faz aquilo... onde as lágrimas e a forte emoção costumam esconder, nem sempre é claro, interesses que em nada dignificam o Deus a que estão orando ou suplicando.