quinta-feira, 27 de dezembro de 2007

Estudando o Tao
Parte – XXXV
resumo final


O TAO-TE-CHING

O mais importante livro sobre o Tao, o Tao-Te-Ching, foi escrito por Lao-Tsé, controvertida figura de escritor e filósofo, cerca de 26OO anos atrás, na China.

O livro é constituído de 81 versos cujo obje­tivo é sensibilizar os Leitores para os méritos do Tao e, ao seguir este caminho, conseguir uma vida mais feliz e completa.

Apesar de ter sido escrito em uma só noite, o livro apresenta grande profundidade, o que nos le­va a supor que Lao-Tsé estivesse inspirado, ou mesmo iluminado quando o escreveu.


O TAO

Inicialmente, o Tao nos lembra Deus, e isto não é correto, já que o Deus ocidental é antropomórfico - voltado para o ser humano, enquanto o Tao é mais genérico.

O homem ocidental tem a mente marcada pela razão e pela lógica. Como os conceitos deste livro passam também pelo processo intuitivo, houve a ne­cessidade de se adaptar o texto à nossa forma de pensar.

No primeiro verso do Tao-Te-Ching, encontramos - "O que pode ser definido, não é o Tao".

Mes­mo assim, há necessidade de algum tipo de definição para que possamos dar prosseguimento ao nosso estudo.

Esta definição baseia-se nos efeitos do Tao - O Tao é uma Ordem universal, harmômica e harmonizante.

1- O Tao é uma Ordem, porque é uma Lei axiomática que não se cumpre ou se deixa de cumprir. Ela simplesmente atua sobre todas as pessoas e todas as coisas, independente da vontade de cada um.

2- O Tao é universal, porque tem a maior abrangência possível: a totalidade dos espaços, tempos, coisas e pessoas, sejam elas objetivas ou sutis, como o pensamento.

3- O Tao é cósmico ou organizado, porque ele cria ou recupera o equilíbrio e, não se podendo dar o que não se tem, o Tao é necessariamente or­ganizado.

4- O Tao é harmônico, porque, se não o fosse, não poderia harmonizar as partes que estejam em relação.

5- O Tao é harmonizante, porque possui a capacidade de prover solução para as situações em conflito.


O TAI-CHI

Um bom entendimento do Tao, passa necessariamente pela compreensão do Tai-Chi, símbolo que representa a unidade de uma situação e as duas partes que a compõe.

Para os estudiosos, toda situação apresenta dois elementos opostos ou complementares: saúde/­doença, claro/escuro, etc.

Alegam que só fica doente quem tem saúde, e só fica curado quem esteja doente.

Esta situação saúde/doença, é então colocada no Tai-Chi e exami­nada para se encontrar o caminho da cura.

Estar doente é ter um lado do Tai-Chi maior, ficando o conjunto em desequilíbrio.

As terapias dão as condições para a ação do Tao, que será a de restaurar a Harmonia, ou seja, a cura propriamente dita.

Colocar mente e corpo em wu-wei, isto é em nível de serenidade, permitirá que qualquer pessoa consiga curar seus pequenos males.

A prática é fundamental para o aperfeiçoamento desta arte. Problemas de qualquer natureza podem ser vi­sualizados no Tai-Chi.

Achar suas partes constituintes, e daí a melhor solução é, assim, uma questão de bom senso. Também aqui, o exercício da identificação das duas partes, é a chave do processo.


O WU-WEI

O wu-wei, mente-vazia ou não-fazer, é uma atitude importante para que o Tao atue no espaço aberto.

Isto é conseguido mediante um esvaziamento progressivo das preocupações e um relaxamento do corpo.

Se ao caminhar você sentir que está tenso, utilize o "gatilho da serenidade": torne seus passos lentos e compassados; deixe os braços pendentes; solte os músculos do rosto e barriga; semicerre os olhos visualizando um ponto no horizonte; esvazie a mente (wu-wei). Em um ou dois minutos, você sentirá a diferença.


A SERENIDADE

Por que a ênfase na serenidade?

Porque ela não apenas nos faz sentir bem, mas abre o espaço necessário para a ação do Tao. Além disso, desenvolve o processo de intuição.

Mais e mais pessoas no Ocidente, passaram a pautar suas vidas nos ensinamentos que vimos. Afinal, não havendo necessidade de se afastar da rotina diária, o que poderia ser melhor do que levar esta mesma vida com mais Harmonia, alegria e eficiência?


TEMAS PARA REFLEXÃO

A seguir, você encontrará algumas afirmações retiradas do Tao-Te-Ching. Após o tema proposto, há uma pequena frase que poderá ajudar no processo pessoal de reflexão.

Em exercícios desta natureza, não há respostas certas ou erradas. O mais importante, é você ser coerente consigo mesmo.


1-"A razão não nos leva ao Tao" (Pense em termos de razão e intuição)

2-"Crescer, é reduzir os nossos desejos" (Como os desejos podem nos frustrar?)

3-"Tao não é Deus" (Como é o Deus ocidental?)

4-"Não se deixe dominar pelas paixões" (Que diferencia o amor da paixão?)

5-"Livros trazem erudição, mas não sabedoria" (Imagine um sábio e um intelectual)

6-"Considere a experiência dos mais velhos" (A nossa opinião será sempre a melhor?)

7-"O sábio é firme na Justiça" (Qual a coisa mais importante para você?)

8-"Está errado ganhar dinheiro?" (Como se pode ganhar dinheiro?)

9-"O homem feliz é prestativo, sincero e suave" (Lembre de alguém realmente feliz)

1O-"As boas idéias não precisam ser impostas" (Alguma vez você já tentou impor?)

11-"Temos nossos próprios limites" (Muitas pessoas sabem suas fraquezas)

12-"Esperar reconhecimento é o caminho certo para as frustrações" (Que você acha de doar sem
esperar volta?)

13-"O sábio orienta" (É o seu caso?)

14-"Muitas pessoas agem na vida como se tudo fosse continuar no mesmo clima de festa" (Você tem facilidades financeiras?)

15-"O vaidoso não terá reconhecimento" (O que você entende por vaidade?)

16-"A ação do Tao é inexorável" (Lembre-se o que é uma Ordem)

17-"Ser feliz é estar satisfeito com o que se tem" (Você concorda? Por quê?)

quinta-feira, 20 de dezembro de 2007

Peço a todos um pouco de paciência quanto às respostas dos e-mails enviados. Todos estão sendo respondidos por ordem de chegada.


Estudando o Tao
Parte – XXXIV
continuando...

O Yin é associado ao negativo, feminino, lua, noite enquanto o Yang e está ligado aos opostos ou complementares harmônicos, positivo, masculino, sol, dia.

Dependendo do problema que estamos analisando, um ou outro lado, pode (e devem) receber nomes variados, desde que seja mantida a Harmonia do conjunto.

Muitas vezes, começa-se por nomear um dos elementos e a partir daí achar o seu oposto.

Vejamos um exemplo: se numa representação temos a razão, parece fazer sentido colocar do outro lado a não-razão ou, se preferirmos, a intuição.

A intuição por sua vez, parece ser muito mais passiva do que a razão - podemos então dizer que a razão é o lado Yang e a intuição o Yin.
Somente após a designação do Yin e Yang, estaremos em condições de ter uma visão geral da questão.

Algumas vezes, a seleção fica bem mais complicada, pois envolve elementos conceituais, como: se a "vida" é Yang, a "morte" será o Yin?

A morte é o oposto à vida?

Ou o par será nascimento/morte, ou quem sabe vida/transição, já que muitos não sabem ou não querem estabelecer o que vem depois da vida?

A profunda reflexão, a utilização da lógica e/ou da intuição, pode e normalmente acham o par correto, que sempre será aquele que dá a mais perfeita solução ao problema.
Pode-se tentar um e outro nome, nesta ou naquela posição (Yin/Yang), pois não há nada definitivo, senão o encontro de um par que forme uma unidade harmônica.

Quando essa escolha se torna extremamente difícil, uma das armas mais poderosas postas a disposição do analista, é o I-Ching, antigo oráculo chinês, conhecido por milhões de pessoas.

Vale dizer aqui, no entanto, que o I-Ching, pode ser utilizado como oráculo sem dúvida, mas a sua constituição básica envolve Filosofia, Teologia, Ética e Política. Em resumo, o I-Ching é constituído de 64 capítulos, cada um dos quais, estuda um hexagrama, desenho composto de dois conjuntos de 3 linhas chamadas trigramas, que são postos em Ordem ascendente.

Estas 6 linhas serão ou do tipo Yin, representado por uma linha dividida em 2, ou do tipo Yang, sólida.

A cada um dos 64 hexagramas, seguem-se comentários relativos ao conjunto e à interpretação de cada uma das posições.

Na utilização popular e mais comum, a oracular, é suficiente o sorteio de moedas ou varetas e a Leitura do respectivo hexagrama e dos comentários que se seguem.

Estes costumam oferecer uma boa sugestão do que podemos fazer na situação para a qual o I-Ching foi cosultado.

Um uso mais nobre do I-Ching, a definição dos pares complementares e harmônicos do Tao-Chi, é uma tarefa nada fácil, mas surpreendentemente correta.

Dizem os sábios chineses, que a Unidade dá origem à dualidade Yin/Yang, que por uniões sucessivas, derivam nas "dez mil coisas", ou seja, em tudo que existe no Universo; é natural, portanto, que da análise dos dois trigramas considerados complementares harmônicos, consigam-se obter respostas para o par procurado.


O estudo do I-Ching, pode durar uma vida toda e às vezes não se consegue chegar onde se deseja.

A propósito, Confúcio, que era um sábio, afirmou que se tivesse outra vida, a dedicaria exclusivamente ao estudo do I-Ching.

Em nosso lado ocidental e em tempos mais recentes, o eminente psiquiatra suíço Carl Gustav Jung, grande humanista e profundo estudioso do livro, se posicionou inequivocamente favorável ao I-Ching, quando declarou: "para aqueles que buscam o autoconhecimento e a sabedoria, esta é a Leitura mais indicada."

O comentário que podemos fazer do I-Ching, não deve ultrapassar o que foi dito.
Um aprofundamento maior é questão de foro íntimo, que envolverá um profundo desejo aliado a uma enorme dedicação.

É quase certa a necessidade de um mestre orientador, quando o patamar que se deseja alcançar, esteja suficientemente acima de nossa capacidade.

O Tao nos alertou sobre os limites que cada um tem. São limites inferiores e superiores.

Algumas pessoas têm poder de abstração, outras de se expressar ou de entender o que foi expresso, e a maioria, fica numa espécie de limbo.

Tanto no estudo do I-Ching como do Tai-Chi e do Tao, é preciso que estes limites sejam conhecidos e respeitados, de forma a não nos causar frustrações, e afinal, acabarmos por nos impor uma lastimável desistência.

Sábios lamas tibetanos asseguram que quando você se sentir pouco à vontade para prosseguir estes estudos, valerá muito mais, que leve uma vida virtuosa, o que igualmente lhe dará as condições de ter uma vida igualmente harmoniosa, feliz e produtiva.

Afinal, virtude é Tao.

quarta-feira, 19 de dezembro de 2007

Antes de continuarmos com os estudos do Tao, eu quero agradecer os vários e-mails recebidos nesses últimos dias. Garanto a todos vocês que eles estão sendo respondidos, um-a-um.


Estudando o Tao
Parte – XXXIII
continuando...


Plantas e flores, árvores e pedras, habitavam este local, de onde partiam pássaros e vapores rumo ao alto.

Nada ali estava por acaso. A Unidade, o Tao, não seria alcançado pelo acaso, senão pelo desejo não expresso da própria união.

Além dos jardins e da pintura, encontramos ainda a influência do Tao na Música. Melodias geram sentimentos diferentes. Algumas nos despertam um forte sentido de alegria, outras de profunda tristeza.

Existem as que nos são indiferentes e outras ainda, que nos elevam ao divino. O motivo disto não fica muito claro, quando procuramos entender o fenômeno à luz da razão, onde a Física se junta à Matemática e à Biologia, para nos dar uma resposta.
Ao se ouvir uma canção composta por um seguidor do Tao, nota-se duas Harmonias: a primeira, que é aquela estudada nas Escolas de Música do mundo inteiro; a outra Harmonia, ilógica e irracional, derivada da intuição pura do compositor.

O que se vê nos jardins e pinturas, sente-se na melodia. Às notas tem serenidade e curvas que tangenciam seus opostos, num entrelaçado de suave tessitura.

Os acordes acompanham a melodia, transcendendo o objetivo incompleto de agradar somente o ouvido do espectador; é preciso mais - é preciso atingir sua alma.

Trata-se de uma técnica extremamente apurada, que deseja alcançar a Unidade.

O autor tem que ter em mente os seus sentimentos, por certo, e com a mesma preocupação voltada para a orquestra e audiência, naquilo que chamamos de empatia.

Todo o processo de criação deve estar impregnado de amor no sentido de união.
Existem excelentes livros que falam sobre este tema específico, que por sua vez é irremediavelmente ligado à dança.

A dança no Tao tem um histórico notável, que é citado no mais antigo livro da sabedoria chinesa - o I-Ching.

Aqui no ocidente, diversas academias, estão utilizando com enorme sucesso, a transcrição da pintura e da música, para a dança, que é a arte definitiva para muitos.

Àqueles que tiveram oportunidade de assistir a um desses espetáculos, se admira da mágica que é transmitida pelos suaves e graciosos movimentos, numa precisa unidade com a música, que como pano de fundo, decora magnificamente todo o espetáculo. Realmente vale a pena assistir uma dessas apresentações. Entre a dança, a ginástica e as artes marciais, existe a conhecida prática do Tai-Chi-Chuan, que como já dissemos, trata dos movimentos que visam restabelecer o equilíbrio físico e mental naqueles que o praticam.

Existem explicações completas, que falam de um fluxo de energia vital, Chi, e de certas vias que o corpo possui e que não são mostradas na anatomia tradicional.

Não se trata de nenhuma fantasia, pois existem provas suficientes do funcionamento preciso da acupuntura, quando feita por pessoas competentes.
A ação de cura se faz pelo excitar ou acalmar determinados pontos na pele, que são ligados entre si e aos órgãos do corpo, através de linhas imaginárias que são chamadas de meridianos.

Esses meridianos são bem mais reais que as linhas referenciais de Greenwich, do equador ou dos trópicos geográficos.

No caso dos meridianos da acupuntura e ciências correlatas, como massagens e Do-in, a sua existência é sem dúvida real, embora invisíveis.

De fato, os elementos sutis, podem prescindir de vias materiais limitadas. Ta-Chi-Chuan, massagens e Do-in, têm mostrado nos dois lados do mundo, tal eficácia, que é estranho que sua aplicação e aceitação não seja maior.

Tenho visto pessoas que conseguem em um ou dois minutos, com um leve massagear na cabeça e nuca entre seus polegares e palmas, livrar muitas pessoas de dores de cabeça, enjôos e enxaquecas, somatizados ou não, quando os remédios não estavam mais surtindo efeito.

Essas pessoas não eram profissionais, mas tinham em si, os elementos capazes de promover esta mágica: amor, interesse e empatia. Somando isto a uma técnica bastante modesta, foram abertas as portas para que o Tao, que responde pela cura propriamente dita, executasse sua ação.

A questão aqui, não envolve sequer acreditar ou não no Tao. Pode-se até não ter simpatia por ele. Isto não importa.

Foi dito, e não custa repetir, que o Tao tem suas próprias regras, que em nada dependem do que pensa ou deixa de pensar o ser humano.

No caso de nosso massagista, sua predisposição, foi a razão da cura e pouco ou nada dependeu do paciente, até mesmo porque ele não se achava em condições de auxiliar.
Quando falamos no Tao, necessariamente falamos no Tai-Chi e na possibilidade que ele nos oferece de exercitarmos o processo analítico -filosófico da questão.

terça-feira, 18 de dezembro de 2007

Estudando o Tao
Parte – XXXII
continuando...

Como é ela que se ocupa do movimento dos corpos, sejam eles grandes ou pequenos, as surpresas das descobertas mais recentes, são de certo, amortecidas por algum tipo de certeza de que estas não poderiam ser diferentes.

Stephen Hawking, eminente cientista britânico, citou o caso de determinadas partículas subatômicas, que quando observadas sob microscópios próprios, parecem sofrer a influência da vontade do observador.

O movimento de giro para a direita ou esquerda, aparentemente pode ser alterado de acordo com a vontade de quem o esteja analisando.
Por enquanto, os termos são "parecem" e "aparentemente", já que o método utilizado é o científico, exclusivamente lógico e racional.

Quando ficar estatisticamente evidenciado que existe uma relação causa-efeito entre o pensamento e aquele movimento, serão abertas portas que certamente levarão a uma nova Física e Química, e quem sabe, até a inatingível Matemática.

Tudo isto, pela descoberta desta ponte que ligaria a lógica racional ao irracional e intuitivo, o que vale dizer à evidência científica da unidade.

E quando falamos em unidade, vem-nos à mente o Tao, e muitos outros temas que até hoje, por desconhecimento de sua origem, são chamados de ilógicos, para-físicos ou transcendentes.

Esta revolução, que embora próxima, parece distante, somente abalaria a fé dos que não a possuem, pois, o que tem a ver movimentos de partículas ou energias sutis, com questões conceituais?

Deus continuará sendo Deus sempre, pois seria absurdo imaginar que Ele se subordina a descobertas da pesquisa científica. Pelo contrário, isso só confirma a grandeza de Sua criação, através de seu criado.
A influência do Tao, não se faz sentir somente nas ciências - as artes são contempladas de maneira notável.

Nos jardins e nas pinturas, no canto e na música, nas vestes, na arquitetura e decoração, a Harmonia e serenidade do Tao, se fazem matéria e espírito, ação e sentimento.

Os jardins chineses, grandes ou pequenos, obedecem uma regra básica: o que lá fosse colocado, deveria estar em Harmonia com seu oposto, constituindo o conjunto um todo equilibrado, como são equilibradas as forças universais.

As pessoas que lá viessem, fosse para passear ou para meditação, sentiam a Unidade, expressa pela continuidade do céu, sol e nuvens descendo e se unindo às montanhas, vales, rios e plantas, chegando, em sua indescritível beleza à própria pessoa, compondo um amplo e magnífico quadro do Todo.

No verão, o calor era amenizado às suas sombras extensas e refrescantes; no inverno, grutas e construções abrigavam passantes e homens piedosos, que lá vinham orar; no outono e na primavera, folhas e flores, forravam a paisagem de exemplos da magnificência da Harmonia.
Quando o espaço não permitia tão grandes construções, faziam-se jardins em pequenos terrenos públicos, em quintais e até mesmo existiam os jardins em miniatura para serem levados para dento de casa.

Ter em um canto da sala, um pequeno jardim harmônico, constituía uma constante chamada ao equilíbrio e serenidade. Não são coisas que a mente ocidental possa conscientemente perceber, ou melhor, viver.

O sentimento de integração que estes jardins inspiram, tornam-se maior, quanto mais desligados se estiver da razão e da lógica, deixando fluir livremente a intuição e os sentimentos reprimidos, quantas vezes, pela rudeza do dia-a-dia.

É fácil perceber, que os artistas que concebiam tais maravilhas, deviam estar mergulhados no intuitivo e indizível, ao planejar e executar estas obras.
Não poderiam ser homens comuns, pois se assim o fossem, o resultado seria um jardim como outro qualquer.

E os quadros, pintados segundo o sentido do Tao?

Nestes, não havia começo nem fim. Do topo, onde se achava o céu, uniam-se nuvens esmaecidas que ao descer se integravam às escarpadas montanhas ao fundo, formando longos e sinuosos vales em seu sopé, permitindo a ocorrência dos suaves regatos que deixavam suas águas num sereníssimo lago.

segunda-feira, 17 de dezembro de 2007

Estudando o Tao
Parte – XXXI
continuando...

Depois de estudarmos as 50 citações de Lao-Tsé, vamos continuar com a atuação do Tao...

ONDE ATUA O TAO

Temos tratado com maior insistência, na forma como o Tao pode ser útil no desenvolvimento pessoal.

Acreditamos que de todas as coisas que podemos tirar de bom dos ensinamentos que nos são transmitidos pelos atributos do Tao, o aperfeiçoamento do ser humano é a faceta mais nobre deste conceito vivo, chinês e universal.

Existem, no entanto, outras áreas importantes de interesse, e que têm sido objeto da atenção dos estudiosos do Tao, como as ciências e as artes, por exemplo.

Isto é conseguido mediante acurada análise e síntese do Tai-Chi; deste estudo nascem uma série de posturas mais consistentes e equilibradas dentro das áreas pesquisadas.
Estudos versando sobre o relacionamento humano, a pintura, a dança, a física e a medicina, apontam a eficácia do processo de identificação dos opostos harmônicos do Tai-Chi.

Os livros escritos sobre a matéria cobrem extensamente os experimentos e a prática desenvolvidos.

Obras como "O Tao da Física", "Tao e a Música" e "Tao e Medicina", merecem ser lidos por aqueles que desejam aperfeiçoar estas vertentes do pensamento humano.

Nada há de misterioso ou místico nos temas tratados. Pelo contrário. Há com estes estudos, uma desmistificação de conceitos tidos como absurdos ou como tabus. Fenômenos chamados de paranormais deixam de ter aquela aura mágica, para se render à mágica do Tao.
Não vai demorar muito, e teremos explicações comprovadas para as visões oculares ou fenômenos telepáticos, da mesma forma como se vem obtendo em todas as partes do mundo, resultados inacreditáveis de cura, com a aplicação de agulhas ou pressão dos dedos.

Como estas coisas fantásticas são conseguidas?

A técnica básica é estabelecer os pares opostos ou complementares de cada uma das situações estudadas. É claro que a identificação de um par, nem sempre é evidente.

Para os orientais em geral e os chineses em particular, a definição de um par, apresenta menos dificuldade, tendo em vista a sua maior convivência e aceitação do irracional, do ilógico, enfim do intuitivo.

Quando esta ferramenta é trabalhada em conjunto com a razão e a lógica formal, os resultados são muito mais perfeitos e coerentes.
Mesmo com esta experiência, assuntos como a saúde humana, que apresentam grande complexidade e responsabilidade, levaram milhares de anos de pacientes experimentações, observações e curas comprovadas, para que hoje pudéssemos dispor de um arsenal terapêutico, que abrange uma enorme gama de males, definitivamente curáveis.

Estas afirmações podem ser facilmente comprovadas nos hospitais e universidades da China. A acupuntura, terapia baseada na aplicação de agulhas na pele, tem mostrado sua eficiência em todas as partes do mundo onde ela tem sido utilizada.

Cada uma das centenas de partes sensíveis que temos espalhados pelo nosso corpo, são acalmadas ou excitadas conforme a doença e de acordo como o Tai-Chi se apresenta.

Um par constituído de dor/sedação pode ser manipulado nos pontos que já estão claramente identificados, permitindo fazer grandes operações sem necessidade de anestesia.
Muitos de nós já vimos isto em filmes pela televisão.

Por que então, o ocidente não utiliza todos os conhecimentos desta Medicina, de sorte a juntos, construir um edifício aperfeiçoado desta ciência fundamental?

Creio que aí entram interesses pessoais e corporativos, já que não há como negar a eficiência terapêutica da Medicina chinesa tradicional.

Um dos ramos da ciência que vem apontando a existência de uma espécie de ponte entre a mente e matéria, é a Física.

sexta-feira, 14 de dezembro de 2007

Estudando o Tao
Parte – XXX
continuando...

49- "Não subestimem o inimigo"

Ninguém de sã consciência, pode dizer que tem satisfação em ter inimigos. No entanto, no transcorrer de nossas vidas, no contato diário com as exigências da vida social, agradamos alguns e desagradamos a muitos.

Não importa o quão inocentes possam ser nossos atos, palavras ou intenções, elas sempre incomodarão alguém.

Há um dito popular que afirma: "não se pode agradar a gregos e troianos", portanto não estamos dizendo nenhuma novidade.

A observação é, como se vê, muito antiga. Num processo de aperfeiçoamento pessoal, ao mesmo tempo em que retificamos alguns padrões de comportamento e abandonamos outros, temos que estar atentos às realidades do cotidiano.

O crescimento seja a nível material, seja a nível espiritual, não inclui enterrar a cabeça na areia como avestruz, como se nada estivesse sucedendo à nossa volta.

O termo inimigo, tem uma conotação muito forte, violenta mesma, indo desde a idéia de alguém que não é amigo, passando por uma aberta hostilidade, até a existência de um ódio profundo.

No Tai-Chi, esta situação apresenta as metades distorcidas, onde o não-amor se mostra como um câncer que se alastra.

É uma situação desarmônica nada bonita. Com o intuito de amenizar sua própria doença, aquele que tem ódio, rancor e má-fé, acaba por se agredir mais, DEVORANDO-SE, ao mesmo tempo em que vai destilar mais ódio para seus inimigos.

O corpo está parado, mas a mente funciona com grande eficiência. A respeito disto foram sugeridas atitudes muito sensatas, como, por exemplo, AFASTAR-SE DAS ÁREAS DE ATRITO.

Quando se diz que o amor tudo vence, há um pouco de poesia e ingenuidade na afirmação.

A quem nos iremos queixar quando o inimigo, extremamente hábil, nos fizer um dano irreparável?

Nós estamos num processo de crescimento, e não há razão para que as energias PACIFICADAS de que precisamos, sejam desviadas para um assunto decididamente prejudicial.

Se de todo não for possível o afastamento total desta pessoa, procure manter-se tão tranqüilo quanto possível, pratique por alguns segundos o wu-wei (mente-vazia/não-fazer) e logo se sentirá melhor preparado para a encarar serenamente a situação.

No mais, a identificação dos inimigos, não-amigos ou pessoas sistematicamente hostilizantes, é tão importante para nossa evolução, como o levantamento de nossos próprios defeitos de caráter.


5O- "Vencer sem lutar"

Nos propusemos a trilhar um caminho que nos levasse a um aperfeiçoamento pessoal. A tarefa pode demorar pouco tempo ou muitos meses.

O processo é dinâmico e contínuo. Haverá sempre algum ponto que gostaríamos de melhorar. E isto vai acontecendo na medida em que a gente cresce mais um milímetro.

Os parâmetros passam a ser outros, mais exigentes, aprimorados e harmoniosos e, portanto menos desgastantes.

Temos uma boa noção de que vencer, está mais ligado ao alcançar do que ao obter.

De qualquer maneira, o vencer deve ser obtido sem luta, pois que assim, ao preservar nossa integridade na serenidade, na tranqüilidade e na Harmonia, também estaremos acumulando energia pacificada e as virtudes do Tao.

Passar num concurso sem se consumir, é vencer sem lutar. Melhorar no trabalho sem ter que bajular, é vencer sem lutar. Viver uma vida em paz, sem prejudicar ninguém, é vencer sem lutar.

É uma linda perspectiva também, gozarmos de saúde emocional, de desenvolvermos nossa criatividade, de podermos educar eficientemente nossos filhos.

Tudo isto também é viver sem lutar. Pois que lutar não significa brigar, pelo contrário, é a movimentação de nossas melhores qualidades e daquelas que formos ganhando no processo de crescimento.

quinta-feira, 13 de dezembro de 2007

Estudando o Tao
Parte – XXIX
continuando...


48- "Economize energias e estará com o Tao"

O termo energia tem sido tão usado e de forma tão indiscriminada, que passou a referir-se praticamente a tudo.

Energia de vida, energia para o trabalho, energia cósmica, energia espiritual materializada, dos cristais, das pirâmides, bioenergia, enfim quando alguém quer dar um aspecto mais "científico" ou "místico" ás suas palavras, encaixa na frase uma energia qualquer e a afirmação passa a ter um ar de certa sofisticação e até mesmo de retumbante verdade...

Na Física, energia é alguma coisa capaz de realizar um trabalho, onde trabalho significa movimento e distância.

Assim, se você pesa só um pouquinho e vai andar um quilômetro, precisará de certa quantidade de energia, retirada dos alimentos que come.

Se você é pesado, vai precisar de muito mais energia que o outro, daí ter necessidade de se alimentar mais.

Podemos então concluir, que uma pessoa que fique sentada o dia inteiro num banco do parque, vai gastar pouquíssima energia, apenas a suficiente para manter seu corpo funcionando.

Para muitas pessoas, ficar apreciando uma paisagem é um passatempo e tanto. Aí, sucede o inevitável: elas necessitam comer pouco como vimos, mas como não controlam a gula, comem desesperadamente.

O corpo não tendo onde aplicar toda essa energia, transforma-a em gordura, reservas naturais de energia, e a pessoa engorda.

Todo o nosso organismo, inclusive o aparelho mental, atinge a Harmonia quando as coisas são feitas com bom senso.

O Tao é a Ordem que traz o equilíbrio e a Harmonia. Disse­mos diversas vezes, que para resolver uma questão, devemos exercitar a MENTE VAZIA, despreocupada.

Quando, porém o problema é o corpo, o caminho mais indicado é a parcimônia no comer, evitar movimentos exagerados, músculos tensos, o trabalho em excesso, enfim, tudo o que nos solicita muita energia.

Há um limite ótimo de fluxo energético para cada pessoa, incluindo o que ela faz. O padrão pode ser aferido por uma sensação de plenitude, serenidade e equilíbrio.

Evidentemente, achar este ponto não é muito fácil e vai exigir algumas semanas de persistência. Qual o resultado?

Você acumulará progressivamente as virtudes do Tao. O que mais se pode desejar?

quarta-feira, 12 de dezembro de 2007

Estudando o Tao
Parte – XXVIII
continuando...


46- "O fraco está em cima, o forte em baixo"

Quem é fraco e quem é forte?

Mil razões e motivos podem ser invocados como resposta à questão.

Acompanhemos um exemplo, de modo a nos esclarecer melhor. Imaginemos um indivíduo fraco fisicamente.

Ele apresentará, sem dúvida alguma, algum problema de saúde ou de desenvolvimento. Em suma, ele tem sua constituição física desarmônica, não equilibrada.

É comum que estas pessoas, bem como aquelas que sofrem de algum defeito inato ou adquirido, compensem estas características por outras, normalmente de caráter mental.

Com isto, acabam por se tornar excelentes artistas, escritores, criadores, etc. Por esta via, tornam-se pessoas harmônicas, felizes e produtivas.

O indivíduo forte fisicamente, também tem sua constituição desequilibrada, quando seus padrões fogem dos normais.

Por outro lado, a compensação que neste caso deveria seguir um desenvolvimento espiritual, habitualmente é relegada a um segundo plano, quando não totalmente esquecida.

Assim, de uma forma bastante simples, fica claro como os indivíduos "fracos", acabam ficando por cima e os fortes por "baixo".

E isto só aconteceu, porque um se ocupou de sua complementaridade mental e o outro se ateve aos sentidos.

O exemplo, propositadamente simples, não se aplica a todos os fracos nem a todos os fortes. Ser fraco não é pré-requisito para se atingir a sabedoria, nem ser forte uma destinação invariável para a obtusidade.

Se assim fosse o indivíduo de constituição média, seria um sábio por natureza... Só que não é bem assim.

Ser fraco é o nome paradoxal que damos àqueles que SUPERAM SUAS FALTAS físicas, mentais ou intelectuais, e mediante um processo consciente de crescimento, atingem o seu Todo, a sua PLENITUDE.

Ser forte, por analogia, é exatamente o oposto. É aquele que, por excesso de confiança em suas qualidades físicas, negam todo e qualquer esforço no sentido de seu crescimento mental ou espiritual, permanecendo assim um ser incompleto. Pense nisto...


47- "Estranhas são as palavras do sábio"

Uma frase realmente encantadora. Estranhas são as palavras do sábio.

Não sei quantos, tiveram a satisfação de conversar com um sábio, ou pelo menos com uma dessas pessoas que dizemos ter três metros de altura desses que afirmamos: este é gente!

Uma coisa fica patente: a sabedoria não é privilégio de anciãos ou de eremitas, e se encontra em todos os ramos do conhecimento humano.

terça-feira, 11 de dezembro de 2007

Estudando o Tao
Parte – XXVII
continuando...

44- "Sem desejos o homem retornará à primitiva simplicidade"

Analisemos a citação de Lao-Tsé, nesta proposta eminentemente oriental.

Sugere que ao eliminar os desejos do homem, ele voltará à sua antiga simplicidade. O que dizer exatamente isso?

Quando você tem muitos desejos, é provável que não consiga realizar boa parte deles. Ou quem sabe o consiga, mas não na forma como imaginava.

A sistemática repetição destes fatos agride a mente e nossas emoções e poderemos ficar até, emocionalmente doentes - angustiados, tensos, deprimidos...

Se por outro lado, você limita desejos e ambições, com certeza terá menores chances de se frustrar e conseqüentemente de sofrer suas seqüelas.

Assim, um homem que tivesse pouco, mesmo podendo ter muito mais, nada teria a escolher e decidir (ver a questão da ambigüidade) e seria mais tranqüilo e feliz.

Isso é economia emocional, excelente processo harmonizante.

Vimos que a vida mundana, é mais voltada ao TER do que ao SER; que a régua que mede o homem, é a do status social e do poder econômico.

Veja como são bem vistos (?) os filantropos que ajudam na construção de museus, independente de seu efetivo valor como seres humanos!

A simplicidade a que se refere o autor do Tao-Te-Ching, são aqueles valores SEUS, que ninguém pode tirar.

Quem vai roubar o seu amor pelas artes, ou pelas outras criaturas, ou seu desejo por conhecimentos, sua criatividade, sua liderança...

É pela redução do apego excessivo aos bens materiais; é pela abolição consciente das ambições impossíveis e prejudiciais e é também pela valorização dos méritos individuais, que se pode vislumbrar uma fímbria de luz que marcará os tempos mais sadios.


45- "O Tao acumula em virtudes"

Vamos entender bem o que isto significa. A maioria das pessoas no ocidente, em momentos de dificuldade, costuma pedir ajuda a Deus por meio de orações ou súplicas.

Quando este pedido é atendido, há, naturalmente, motivo de grande júbilo.

Se por qualquer razão, a pessoa se vê envolvida em outro acontecimento infeliz, ela volta a suplicar ao Senhor.

"Estarei abusando de Deus?".

Este pensamento é absurdo, pois Deus não estabeleceria nenhuma espécie de limite.

Em segundo lugar, isto seria nivelar Deus ao homem. Deus é Deus, é Grande, é Justo e não mede as coisas com nossas medidas.

E o que acontece com o Tao?

Facilitemos o nosso raciocínio, imaginando que o Tao é um atributo, uma qualidade de Deus.

Isto então significa dizer que Deus promove a Harmonia, mediante este atributo que os orientais chamam de Tao.

Exemplifiquemos supondo uma pessoa avarenta, materialista e caladona.

Se esta pessoa resolve entrar no caminho da Harmonia, e efetivamente deseja aperfeiçoar seu caráter, uma das primeiras coisas que fará, será atacar o seu materialismo.

Não vai ser muito difícil acreditem, mudar sua idéia em relação a este assunto. Não que de um segundo para o outro aconteça uma mudança radical.

O Tao poderia até prover isto, mas habitualmente não é conveniente, pois a pessoa sempre terá compromissos em sua vida comum.

Ao acordar para a relatividade do materialismo, do imediatismo, o outro defeito de caráter, a ganância, deixará de existir, como um passo perfeitamente normal.

Desta forma estaremos acumulando virtudes. O fato de uma pessoa ser caladona, o que sugere desconfiança no próximo, terá um caminho próprio e inverso.

As outras pessoas ao notar a mudança, se aproximarão e em algum tempo o nosso personagem já estará balbuciando algumas palavras agradáveis...

Assim age o Tao. Cumulativamente. Atacar um ponto chave resulta num ajuste cumulativo total.

E como na prática se utiliza a ação do Tao?

a) Pense bem na questão
b) Não se ocupe das respostas, a tarefa não é mais sua.
c) Esvazie a mente, faça um "vácuo" onde atualmente existem as preocupações.
d) Não pense mais no assunto.

Mantenha esta atitude o tempo em que você se sentir confortável. O importante é fazer a coisa bem feita.

Pronto, é só isto! A solução virá no tempo mais adequado ao reequilíbrio da questão: alguns segundos ou alguns dias.

Aqui, repetimos, não é questão de fé. Não é também questão de oferecer votos ou oferendas - de nada adiantaria.

O Tao, mediante esta sua característica, fará com que a Harmonia passe a existir naquela situação até então desequilibrada, e isto significa que ele irá prover a solução perfeita para a questão.

Você acha que isto é mágica?

Pois eu não acho.

Já vi coisas notáveis acontecerem exatamente desta maneira...

segunda-feira, 10 de dezembro de 2007

Estudando o Tao
Parte – XXVI
continuando...


42- "O sábio se alegra com a alegria dos outros"

Por alguma razão, existe a idéia que os sábios, os monges e mesmo os homens cultos, são pessoas sem senso de humor.

Em alguns tópicos atrás foi dito que um sábio arrogante não passa de um ignorante. Sabe por quê? Porque a sabedoria é filha dileta da intuição, que mora no hemisfério esquerdo de nosso cérebro.

Neste mesmo lado, também se situam as emoções, os grandes prazeres, a estética, o humor, a alegria... Há assim, tal como no Tai-Chi, duas partes opostas, mas complementares.

A razão, a lógica, o bom-senso, a responsabilidade, a técnica, residem no lado direito da rua mental.

No outro lado, seus vizinhos são mais alegres, um pouco irresponsáveis, emotivos, amorosos, desinteressados, um tanto anarquistas, gente que vive mais descontraída.

Para os aqueles que gostam da Astrologia, o hemisfério direito, seria regido por Saturno, com toda sua carga de responsabilidade, severidade e ortodoxia.

O hemisfério esquerdo teria como regente um Júpiter criativo, alegre e original. O sábio é um homem despojado, sem inveja, atencioso e prestativo.

Esta é a razão dele se alegrar com o riso dos outros e não sentir nenhum constrangimento em rir junto, se alegrar com quem está feliz. Ele fica satisfeito com a vitória dos outros, o que é raro num ser humano.

É uma grande satisfação que ele tem, pois sabe que a pessoa sorridente, está passando por um momento de grande Harmonia.


43- "Qual o sentido da vida?"

O sentido da vida é uma expressão que geralmente evoca a idéia que se faz sobre o destino do Homem - de onde viemos, para onde vamos e principalmente o que estamos fazendo aqui.

Este assunto fascinante transcende em muito o escopo destes estudos. O que iremos falar é sobre a direção que estamos dando à nossa vida, à nossa filosofia de viver.

Nós somos racionais ou emotivos?

Faz sentido a maneira como estamos conduzindo as coisas?

As pessoas exibem todo momento o seu sentido de vida; basta observar atentamente, o que está por trás de cada um de seus gestos. Imagine agora, todo mundo agindo de acordo com a sua vontade pessoal.

A organização social não duraria um dia, tal a confusão gerada. Para isto existem as Leis que são determinadas e modificadas de tempos em tempos.

Seu objetivo é que as pessoas pensem e ajam de forma mais ou menos igual. A liberdade individual é, portanto, cerceada e vigiada de tal sorte que um não incomode o outro.

Pelo menos essa é a teoria. Quem quiser viver no mundo desta sociedade, deve se sujeitar às Leis deste clube.

Se, no entanto, você acha a sua liberdade é mais preciosa do que as convenções estabelecidas, o melhor que tem a fazer é afastar-se desta sociedade que o está incomodando, e encontrar outra, em outro local.

Quem sabe uma comunidade, um "ashram" talvez, onde seus componentes pensem e ajam mais ou menos ao seu modo.

De uma forma ou de outra, uma coisa é certa: pode-se encontrar uma comunidade que acolha algumas de nossas idéias sobre o sentido que damos à vida, mas não todas.

Viver em uma grande cidade exige enorme grau de adaptação. Quando dá certo, tudo corre bem; quando não dá, surgem os problemas emocionais. Nas cidades pequenas, a paz é maior, mas as frustrações também existem.

Forja-se desta maneira, a maneira que cada um imprime à sua existência. Parece plausível assim, que meu sentido de vida, não tenha muito a ver com o seu, e o seu com o dos outros.

Em resumo: não há uma verdade neste assunto. Uma vida harmoniosa e tranqüila é conseguida por meio de pensamentos e ações serenas e equilibradas, onde a intuição e a razão se equivalem; onde o bom-senso do Tao harmonizante predomine, sem rigidez, nem fanatismo.

sexta-feira, 7 de dezembro de 2007

Estudando o Tao
Parte – XXV
continuando...

4O- "Grande calamidade é a corrida pelo sucesso"


Era uma vez um jovem que trabalhava no mercado da cidade. Ele usava de qualquer estratagema para vender suas mercadorias aos fregueses incautos.

Como havia muito mais incautos do que outra coisa, ele foi ganhando dinheiro, e em pouco tempo, antes de completar 17 anos, já possuía sua própria casa.

Percebendo que aquelas ruas eram inadequadas aos seus vôos mais altos, afastou-se dali e partiu para uma zona rica freqüentada por turistas e estrangeiros.

Sua vida pessoal e profissional foi sempre construída sobre intrigas e mentiras.

Seu amigo de infância, o alertava para que fosse mais prudente, pois um dia algum freguês enganado poderia fazer qualquer para se vingar.

Ele ria muito, porque se julgava o sujeito mais esperto do mundo. Continuou ganhando muito dinheiro e casou aos 25. Estava com filhos pequenos, quando declarou ao amigo:

"Estou certo que vou ficar muito rico antes de chegar aos 3O anos". O companheiro deu um sorriso complacente e lhe abraçou afetuosamente. O tempo passou.

O rapaz chegou aos 27, 28, 29, e os negócios começaram a cair. Apareceram concorrentes, que vendiam produtos melhores e mais em conta. De nada valiam seus protestos cada vez que encontrava um antigo cliente.

Ele foi ficando triste, acabrunhado mesmo, e entrou num estado de lamentável depressão. Construíra para o futuro e esperava que suas habilidades fossem recompensadas.

O tempo foi passando, e até sua velhice teve sempre grandes dificuldades em manter uma vida mais ou menos decente. E apesar disto tudo, ele jamais reviu sua posição ou se arrependeu do que fez.

O Tao não faz a justiça pelos códigos, mas pela Lei da Harmonia. O rapaz pagou sua conduta desonesta e insensata, pelos efeitos complementares - o enganar pelo ser enganado, e o sonho fútil pela dura realidade.


41- "O não-fazer contrói tanto quanto o fazer destrói"


Lembremos que o não-fazer, é um estado de receptividade mental e física - mas não de paralisia - onde o espaço que esvaziamos de nossas preocupações, é preenchido pelo Tao em sua função regeneradora.

É exatamente assim que ele trabalha por você.

No início de nossa experiência com o Tao, é natural que estejamos ainda tão cheios de dúvidas e descrenças, que possivelmente o primeiro exercício que fizermos, mesmo que seja o de aliviar uma simples dor de cabeça, se constitua num desastre, ou no máximo um sucesso muito relativo.

Para a maioria das pessoas, será um retumbante fracasso e nunca mais vão querer saber deste Tao.

Ora, a ação do Tao, exige como pré-requisito, um espaço calmo e harmônico para que ele possa agir - duas coisas não podem ocupar o mesmo lugar, diz a Física.

As nossas preocupações nesse estágio estão mais voltadas para o resultado e para o processo. Assim, não se consegue formar aquele vazio FUNDAMENTAL para se receber o reequilíbrio do Tao.

E não o fazendo, não obteremos resultados. Se durante o exercício você passar a orar, suplicar, etc., isso só terá algum resultado, se você afastar a mente do problema.

A prece é o wu-wei ocidental. Em relação ao "fazer", a explicação é muito mais simples.

As soluções que encontramos para os problemas de nosso dia-a-dia, são baseadas em proposições racionais. O hemisfério direito do cérebro, diz respeito à lógica e à razão. O hemisfério esquerdo, às emoções e à intuição.

Ao resolvermos uma questão, teríamos que utilizar as duas partes do cérebro, como se fossem as duas metades do Tai-Chi.

Só que nós, raramente damos algum valor à intuição. A razão é a ferramenta da inteligência e a intuição, da sabedoria.
Estudando o Tao
Parte – XXV
continuando...

4O- "Grande calamidade é a corrida pelo sucesso"

Era uma vez um jovem que trabalhava no mercado da cidade. Ele usava de qualquer estratagema para vender suas mercadorias aos fregueses incautos.

Como havia muito mais incautos do que outra coisa, ele foi ganhando dinheiro, e em pouco tempo, antes de completar 17 anos, já possuía sua própria casa.

Percebendo que aquelas ruas eram inadequadas aos seus vôos mais altos, afastou-se dali e partiu para uma zona rica freqüentada por turistas e estrangeiros.

Sua vida pessoal e profissional foi sempre construída sobre intrigas e mentiras.

Seu amigo de infância, o alertava para que fosse mais prudente, pois um dia algum freguês enganado poderia fazer qualquer para se vingar.

Ele ria muito, porque se julgava o sujeito mais esperto do mundo. Continuou ganhando muito dinheiro e casou aos 25. Estava com filhos pequenos, quando declarou ao amigo:

"Estou certo que vou ficar muito rico antes de chegar aos 3O anos". O companheiro deu um sorriso complacente e lhe abraçou afetuosamente. O tempo passou.

O rapaz chegou aos 27, 28, 29, e os negócios começaram a cair. Apareceram concorrentes, que vendiam produtos melhores e mais em conta. De nada valiam seus protestos cada vez que encontrava um antigo cliente.

Ele foi ficando triste, acabrunhado mesmo, e entrou num estado de lamentável depressão. Construíra para o futuro e esperava que suas habilidades fossem recompensadas.

O tempo foi passando, e até sua velhice teve sempre grandes dificuldades em manter uma vida mais ou menos decente. E apesar disto tudo, ele jamais reviu sua posição ou se arrependeu do que fez.

O Tao não faz a justiça pelos códigos, mas pela Lei da Harmonia. O rapaz pagou sua conduta desonesta e insensata, pelos efeitos complementares - o enganar pelo ser enganado, e o sonho fútil pela dura realidade.


41- "O não-fazer contrói tanto quanto o fazer destrói"

Lembremos que o não-fazer, é um estado de receptividade mental e física - mas não de paralisia - onde o espaço que esvaziamos de nossas preocupações, é preenchido pelo Tao em sua função regeneradora.

É exatamente assim que ele trabalha por você.

No início de nossa experiência com o Tao, é natural que estejamos ainda tão cheios de dúvidas e descrenças, que possivelmente o primeiro exercício que fizermos, mesmo que seja o de aliviar uma simples dor de cabeça, se constitua num desastre, ou no máximo um sucesso muito relativo.

Para a maioria das pessoas, será um retumbante fracasso e nunca mais vão querer saber deste Tao.

Ora, a ação do Tao, exige como pré-requisito, um espaço calmo e harmônico para que ele possa agir - duas coisas não podem ocupar o mesmo lugar, diz a Física.

As nossas preocupações nesse estágio estão mais voltadas para o resultado e para o processo. Assim, não se consegue formar aquele vazio FUNDAMENTAL para se receber o reequilíbrio do Tao.

E não o fazendo, não obteremos resultados. Se durante o exercício você passar a orar, suplicar, etc., isso só terá algum resultado, se você afastar a mente do problema.

A prece é o wu-wei ocidental. Em relação ao "fazer", a explicação é muito mais simples.

As soluções que encontramos para os problemas de nosso dia-a-dia, são baseadas em proposições racionais. O hemisfério direito do cérebro, diz respeito à lógica e à razão. O hemisfério esquerdo, às emoções e à intuição.

Ao resolvermos uma questão, teríamos que utilizar as duas partes do cérebro, como se fossem as duas metades do Tai-Chi.

Só que nós, raramente damos algum valor à intuição. A razão é a ferramenta da inteligência e a intuição, da sabedoria.

quarta-feira, 5 de dezembro de 2007

Estudando o Tao
Parte – XXIV
continuando...


38- "Aos tolos, parece retroceder quem está avançando"

De fato assim é. Se durante o nosso dia-a-dia, adotamos os métodos normais de aperfeiçoamento profissional, ou de crescimento funcional dentro da empresa, seremos vistos como um indivíduo perfeitamente inserido no contexto.

Embora usar as costas dos colegas como trampolim de ascensão seja comentado pelos cantos como uma atitude repulsiva, no fundo essa mesma e exata atitude, é aceita como consciência informal.

Tal hipocrisia, é a marca registrada da maioria dos fenômenos sociais que assistimos a cada instante.

Fala-se manso, enquanto a língua ferina é afiada em cantos obscuros; idéias produtivas são permanentemente roubadas; injustiças são feitas rotineiramente...

E quem quiser fazer parte do sistema, tem que saber quais são e como funcionam as regras do jogo. Elas contrariam a moral vigente?

Pois, que se adaptem ou mudem-se os preceitos morais. Eles são feitos de barro exatamente para isto! Os tolos são aquelas pessoas que estão nadando e se afogando na lógica social.

São aqueles que, consciente ou inconscientemente, batem palmas para os descasos e as mazelas corporativas.

Nunca essas pessoas terão um pensamento criativo ou humanitário. E se, por alguma razão, elas os tiverem, estes serão rechaçados e substituídos.

Entre as pessoas que questionam a validade destes valores desumanos, algumas resolvem buscar esclarecimento: o que é verdade, o que vale, e o que não vale?

Está certo agir assim ou não? Estes novos caminhantes, sentirão as dificuldades iniciais criadas pelos seus próprios hábitos, e serão constantemente espicaçados pelo sistema, que no fundo eles passaram a ameaçar.

Os que param, estes são os tolos, os loucos que continuarão a alimentar a máquina que os vai utilizando como lenha na fogueira social. E são exatamente esses tolos que julgam os que se puseram na trilha...


39 - "Quem vive só para a matéria, está a um passo de perdê-la"

Viver para a matéria, é estar de tal modo absorvido com as coisas dos negócios, d o trabalho, dos sentidos, dos produtos, que não há tempo nem interesse em se tornar uma pessoa mais sensível às coisas do espírito: filosofia, música, poesia, cinema, teatro...

Conheci uma pessoa realmente incrível. Um dia ele resolveu que não iria mais trabalhar. Era ainda jovem, porém a decisão foi irredutível. Ele sentiu um chamado interno muito forte - havia muito que pensar e dizer.

Em tempos antigos e menos complicados, essa atitude poderia ser considerada aceitável, afinal não existia a tecnologia. Hoje ele seria tomado como louco e irresponsável. E ele dizia:

“Em nenhum lugar eu vi escrito que meus padrões teriam que ser esses ou aqueles. De qualquer maneira, acho que posso contribuir ao meu modo. Eu acho que as coisas estão muito erradas."

Pois bem, assim ele faz até hoje, e vai vivendo de convites. Cabe a pergunta: esse indivíduo é pobre?

Bem, ele pode não ter dinheiro, mas efetivamente não é pobre. Pelos seus méritos pessoais, é uma das pessoas mais ricas que conheço.

O Tao-Te-Ching, ao afirmar que quem vive SÓ para a matéria, está a ponto de perdê-la, alerta em poucas palavras que a matéria é fugidia e perecível.

E o mais que já sabemos: você só pode apreciar uma pintura ou um objeto de arte, quando o espírito funciona, quando a mente não deriva para outros aspectos, como o uso ou valor da peça.

Ver por ver, ter por ter, é o caminho certo de se perder uma jóia que temos nas mãos.

terça-feira, 4 de dezembro de 2007

Estudando o Tao
Parte – XXIII
continuando...


36 - "Não atue nas coisas que por si se consertam"

Numa reunião de altos executivos, um dos temas debatidos era determinar até que ponto, o desconhecimento de um problema na empresa, prejudicava o objetivo final.

A preocupação era válida, pois em firmas de grande porte, é praticamente impossível que todas as pendências sejam conhecidas ou mesmo resolvidas.

A síntese do trabalho revelou números surpreendentes - as melhores soluções foram aquelas que sucederam aos problemas dos quais sequer se tomou conhecimento na ocasião; se resolveram sozinhas.

Em seguida vieram as questões para as quais os técnicos tiveram realmente que fazer uma análise do problema e tomar uma decisão.

O mais notável nisto tudo é que a maior parte dos problemas da vida, irão apresentar resultados semelhantes. Na área da saúde abundam casos de cura que o tempo se encarregou de resolver.

É preciso, no entanto, muita cautela quando lidamos com a saúde. Deixar deliberadamente que o tempo aja, sem tomar nenhuma outra providência, é no mínimo um ato de irresponsabilidade.

Ao longo deste estudo, temos falado no Tai-Chi, e sua capacidade de mostrar os dois lados de uma questão. Isto inclui obviamente questões de saúde.

Teoricamente após estudos adequados, estaríamos em condições de curar e nos curar. Uma boa sessão de wu-wei, certamente acabará com uma dor de cabeça comum.

No entanto, é conveniente lembrar que os médicos chineses, diplomados ou não, investiram anos e anos em estudos específicos, além de terem recebido uma herança riquíssima de seus antepassados.

Se um desses profissionais disser: deixe o tempo passar que a cura virá, é bem possível que isto irá acontecer.

A nós, que mal roçamos o conceito do Tao, será permitido quando muito, tentar analisar e solucionar pequenos problemas sem maior importância, mas nunca, nada que diga respeito à saúde.


37- "O Tao atua no Grande Universo"

Mais uma vez, Lao-Tsé alerta para este princípio fundamental. É possível que você resista à idéia da universalidade do Tao e o alcance desta universalidade.

De fato é muito difícil um ocidental imaginar alguma coisa de tal forma grandiosa, que não tenha características divinas.

É mais fácil dizer que o Tao é um elemento explicado pela Física. Pois o Tao não é nem matéria, nem Deus.

Não é Deus porque na idéia de Deus, existe uma forte característica antropomórfica, isto é, na forma do homem ser e pensar.

O Tao não é desenhado em nenhum momento como tendo barba ou o corpo de homem, mesmo que esquematicamente.

Também é difícil para nós imaginar um Deus que não premia nem castiga. Ou então que não nos espera após a morte, um paraíso onde nossas boas ações serão finalmente por ele reconhecidas.

Estas imagens foram criadas pelo Homem, por diversas circunstâncias, mas principalmente como uma espécie de bengala metafísica, uma motivação para a vida neste planeta, com todo seu envolvimento material, ritualístico, moral...

O Tao não tem figura, nem tem forma, nem promete paraíso ou inferno. O Tao não premia nem castiga, mas faz a Justiça inexorável.

E tudo isto porque o Tao não se rege por nenhum código moral humano: ele é a própria Lei, é a Lei da Harmonia, do equilíbrio, do reequilíbrio.

A Justiça é feita para TUDO que existe, incluindo o Homem. Para o Tao, sempre valeram as virtudes absolutas.

Ele não seria o Tao, Ordem cósmica e universal, Justiça pela Justiça, se utilizasse em suas medidas, a régua do Homem.

A área de atuação do Tao, é o Universo, o Grande Universo e, portanto sua ação se faz sobre todas as coisas e seres que nele existem. Seria absurda a existência de tratamento diferenciado.

segunda-feira, 3 de dezembro de 2007

Estudando o Tao
Parte – XXII
continuando...

34- "Ser feliz é estar satisfeito com o que tem"

Uma pessoa muito rica pode TER o que quiser; pelo menos em bens materiais. Viver em função do TER, apresenta seus problemas também.

Embora a alegria do possuir, do gastar, seja intrinsecamente humana, ela carrega em si o drama da ambigüidade e da indecisão.

O processo de escolher entre várias opções é frustrante na maioria das vezes. Não há nada de errado em TER. O errado é viver para TER. Como nem sempre, por mais riqueza que tenhamos, podemos ter tudo o que queremos, e este tudo inclui coisas imateriais como amor, segurança, auto-confiança, etc... É preciso dar uma especial atenção ao ser - SER alguém.

Há um EU INTERIOR riquíssimo, que raramente é utilizado e conhecido. E este SER, complementa de forma magnífica aqueles bens que acumulamos.

Ninguém está sugerindo que se devam jogar coisas pela janela ou se tornar um solitário eremita em alguma gruta misteriosa.

A felicidade está acima e além do estar alegre. Entretanto, só é possível sentir a verdadeira felicidade, naquele instante em que paramos de adquirir, em que pacificamente deixamos de reclamar das mazelas do mundo e da vida.

Neste instante, nestes poucos segundos, conscientemente afastados das coisas materiais, sentiremos, talvez pela primeira vez, a digna potência do SER, do nosso SER.


35- "O Tao não tem sabor para os que vivem para os sentidos"

Ter consciência do Tao é mais do que uma questão de crença ou fé. Exige uma postura de vida e de comportamento. É estar convicto, fortemente convencido, visceralmente convencido de suas virtudes.

A idéia do Tao, não é tão simples assim de captar de início. Ele é uma Lei, uma espécie de Lei da Física, porém com uma ação tão desconcertante, que você seria capaz de jurar que é mais do que uma Lei.

O Tao é uma MAGICA, a Lei que rege os fenômenos mágicos. É evidente que uma idéia destas, soa muito estranha a nossos dirigidos ouvidos ocidentais.

Por outro lado, quando fatos corriqueiros como o “dejà-vu” (sensação de que já vivemos aquela situação, ou que vimos àquela pessoa...), ou ainda quando pensamos em receber um telefonema e isso acaba acontecendo, nos leva a supor que pode estar havendo uma simples coincidência ou uma grande coincidência.

O psicólogo Carl G. Jung, chamava estas últimas de - coincidências significativas. Ele foi um homem que se sensibilizou com estes fatos. Ele estava efetivamente consciente destes fatos.

Quando você se conscientiza que o Tao é uma coisa perfeitamente natural (e não importa aqui se você considera o Tao uma entidade isolada, um atributo divino ou o próprio Deus), você se colocou tantos passos à frente da maioria das pessoas, que certamente coisas muito boas, passarão a povoar sua vida.

Isto é certo. Certíssimo. E, não precisa de oração, súplicas, jejuns, ritos, gurus, mantras, embora estas atitudes piedosas possam ajudar algumas pessoas.

Há também os que consideram o Tao uma grande bobagem, uma tolice sem sentido. Neste caso, o que vai suceder?

Não vai acontecer absolutamente nada. Nada vai mudar em sua vida. Quando se está bem e se acredita que sempre se estará, quem precisa do Tao, ou de Deus, ou de terapeutas, ou de conselhos?...