quarta-feira, 31 de outubro de 2007




Estudando o Tao
Parte - V


Ontem falamos sobre os atributos do Tao, e ficamos de analisá-los um a um.

O Tao é uma Ordem
O Tao é universal
O Tao é cósmico
O Tao é harmônico
O Tao é harmonizante

Analisando cada um desses atributos:


O TAO É UMA ORDEM

Ordem aqui tem um sentido de Lei. Só que não é uma Lei comum. É uma Lei de cuja origem não se tem notícia, mas que vem funcionando antes que o mundo fosse mundo, ou que o Universo fosse Universo.

Assim, para muitos poderá dar a impressão que o Tao é Deus, ou um atributo de Deus. Esta idéia não é correta por uma simples razão: em nossa maneira de pensar, Deus é antropomórfico, ou seja, tem suas preocupações centradas no Homem.

Esta é sua grande preocupação de acordo com o homem ocidental. Como o Tao não possui tal característica, não pode ser considerado Deus, pelo menos um Deus pessoal.

Quanto a ser um de Seus atributos, nada parece impedir que o imaginemos desta forma. Isto, aliás, não fará diferença nem para o Tao nem para Deus.

Uma Lei feita pelo homem, pode ser justa ou não, certa ou errada, boa ou má. Pode inclusive ser obedecida ou não. Uma Lei natural, como por exemplo, a Lei da Gravidade, tem mais extensão. Ela atua, ao que se saiba, em todo o Universo.

Nenhum planeta poderá deixar de cumpri-la. Nenhuma galáxia deixará de sentir sua mão forte. No entanto, a gravidade não se aplica a certas coisas mais sutis, como por exemplo, o pensamento. Não temos conhecimento de uma balança que marque o peso de uma idéia.

Uma Ordem tem outra conotação: ela se aplica a tudo o que existe, gente, animais, pensamentos e estrelas. Ninguém a pode desconhecer, porque ela está acima de qualquer coisa.

Ela não manda, nem os outros a obedecem. Uma Ordem não é uma Lei. De alguma forma foi estabelecido que assim seria. Não importa quem estabeleceu; digamos simplesmente, que uma Ordem é assim por definição.

A ação do Tao é completa, pois ela não é sentida apenas por esta ou aquela categoria de seres ou coisas. Sua atividade foi, é, e será percebida por tudo e por todos, nos tempos que já se foram, nos que são e naqueles que estão por vir. Isto é o que caracteriza uma Ordem universal. E o Tao é uma Ordem.


O TAO É UNIVERSAL

No dicionário encontramos: universal - relativo ao Universo. E Universo? Para não tornar as coisas muito complicadas, vamos dizer que nosso Universo, é o conjunto constituído pelos corpos celestes (planetas, cometas, estrelas...) e pelo espaço que eles ocupam.

Assim, o fato do Tao ser universal, significa que sua ação se dá em todo o Universo. De uma ponta à outra. Tudo e todos que estão neste Universo, ficam sujeitos à Ordem do Tao.

Este atributo se estende a outros eventuais Universos e dimensões. Nada lhe escapa. O Tao estava presente antes do começo, e estará depois do fim. O Tao atua no passado, no presente e no futuro, ao mesmo tempo.

Imagine o Universo e todos os seus fatos, amarrados como uma imensa rede de pesca. Esta rede se estende em todas as direções, em todos os níveis e em todos os tempos.

Como cada fato está em um nó todos os pontos mantém algum tipo de relação. É o Tao que mantém a Unidade desta fantástica rede. Ao mesmo tempo, o Tao é a própria rede. Por esta característica tão singular, entre outras coisas possíveis de serem feitas pelo Tao, está a solução de problemas e situações desarmônicas.

Ora, a melhor solução para uma determinada questão, pode estar localizada no passado, em algum fato que não foi devidamente registrado. Se não consta em livros ou outros documentos, jamais encontraremos a solução, a melhor solução.

Se for algo que não aconteceu no passado, pode exigir um tipo de manobra de torção no tempo e no espaço, que seria tirar a resposta do futuro, e aplicar no presente. Não sabemos como isto se faz, mas o Tao sabe.


Um exemplo disso é quando pensamos em alguém, e a pessoa logo nos telefona. Toda hora esta manobra acontece.

Um dos fatores claramente distinguíveis no Tao, em relação a qualquer outro conceito ou entidade, está na sua ação e se dá tanto sobre elementos materiais, como nos sutis.

Vale dizer: corpos que de alguma forma podem ser medidos e avaliados, e aqueles que transcendem as regras da Física, como os imponderáveis, incluindo aí os pensamentos.

Neste aspecto, o Tao é insuperável. Então eu pergunto: poderíamos chamar este atributo de onipotência? Sim, poderíamos. O uso dessa palavra, entretanto, não seria a melhor escolha.
Pode ser também, que nosso idioma não tenha uma palavra pronta para explicar corretamente as categorias abrangidas pelo Tao.

Aceitemos este termo, para não nos alongarmos desnecessariamente. O mais importante, é ter em mente esta qualidade do Tao. Em que tipo de situação, encontramos a atividade do Tao? Em todas, literalmente em todas.


TAI-CHI

O símbolo chamado Tai-Chi (círculo dividido em duas partes), mostra que toda situação é dual, isto é, constituída de duas partes opostas e complementares.

Numa guerra, encontramos a própria guerra, complementada pela paz. Num romance, o amor e o não-amor.

Em alguma idéia que estejamos desenvolvendo, vamos ter, quem sabe, a criatividade e a falta de imaginação. São pares opostos, mas que se complementam, para dar unidade e existência a tal situação.

Ora, vimos anteriormente que o Tao tem como campo de ação todos os espaços, categorias e situações. No Tai-Chi, podemos visualizar a ação corretiva do Tao.

Como qualquer problema pode ser expresso por um Tai-Chi, a análise correta de seus pares, nos indica o caminho a tomar, primeiro passo para a ação rearmonizadora do Tao.

De uma simples dor de cabeça a um lance de criação artística ou a compreensão do nascimento e morte de uma estrela. Até que ponto mínimo, ou profundidade máxima, vai à ação do Tao?

Naquilo que se refere à matéria, o nível inferior está abaixo do das partículas sub-atômicas. E o superior, além dos confins do Universo.

Um bom termo para designar esta dispersão do Tao, é - difuso. O Tao é difuso, ele se espalha de todas as regiões, para todos os locais, não importando seu tamanho.

Imagine esta característica, como se fosse uma substância muito volátil, como o éter, por exemplo, penetrando em todos os pequeninos espaços. Assim, o Tao alcança todos os menores elementos e, é claro, os maiores também.

Na verdade teria que ser assim mesmo, pois os grandes são feitos dos pequenos, e o menor, dos menores ainda. Quando a ciência acha uma nova partícula, o Tao já está lá.

Ele não se adiantou, porque sempre esteve ali. Os grandes problemas do Universo e de suas Leis são tão complexos, que sequer podemos imaginar sua natureza.

Sendo o Tao um solucionador de problemas, todas suas características e atributos, são inimagináveis. De fato, não há palavras para os descrever, e esta é a razão para estarmos dando voltas e mais voltas, para tentar explicar pela razão, fatos que seriam imediatamente compreendidos pela intuição.


O TAO É COSMICO

O termo cósmico está muito desgastado. Há uma tendência quase natural, de se considerar cósmico o mesmo que universal. De fato, até em bons dicionários encontramos tal definição, o que não quer dizer que eles sejam infalíveis. E não são.

Cosmos é um Universo organizado, ao contrário do Caos, que é um Universo desorganizado. Isto significa o seguinte: num Universo organizado, cósmico, todos os planetas, cometas, estrelas, estão dispostos segundo determinadas Leis naturais.

Um não invade o espaço do outro, caso contrário, teríamos uma enorme catástrofe. Explosões, fogo, um verdadeiro inferno...

No Caos, reina a confusão. Ninguém obedece a nada. Cada qual tem sua própria Lei. Todos têm plena liberdade, e fazem uso dela indiscriminadamente.

Desta liberalidade, resulta uma enorme balbúrdia. Imagine uma sociedade onde cada qual fizesse o que lhe viesse à cabeça, não importando seu vizinho. Tudo viraria um Caos.

Neste sentido, a palavra é muito bem empregada, como sinônimo de grande ou total confusão. Um Universo caótico é isto, mas em enormes proporções.

Na verdade, o Caos é apenas uma idéia, porque realmente ele não existe. Para existir, seria necessário que ele tivesse alguma lógica, e nesse caso, deixaria de ser Caos e seria um Cosmos.
Guarde bem isto: todas as coisas devem ter um mínimo de organização para poder existir, ou inversamente, tudo o que existe, é organizado.

O nosso Universo é cósmico, simplesmente porque ele existe. E por mais confuso que você o possa julgar, ele continua sendo cósmico. Mesmo que a paz não reine absoluta em nossos mundos, ele está aí para quem quiser ver.

Nosso Universo tem lá seus pecados, o que não o impede de continuar existindo. E isto vem acontecendo há bilhões e bilhões de anos. Imagine um pacote comum de arroz. Os grãos apresentam-se mais ou menos enfileirados, como se obedecessem a uma seqüência.

Agora, corte o pacote e deixe o arroz fazer o que ele bem entenda. O chão ficará cheio de grãos por todos os cantos: um verdadeiro Caos. Organizar este Caos, vai dar um enorme trabalho.

Se a quantidade for muita, digamos um verdadeiro celeiro, você gastaria a vida toda para repô-lo em seu lugar. Se fosse mais ainda, uma quantidade tão grande como o Universo, ninguém iria conseguir dar conta da tarefa. Teria que ser algum tipo de super-homem ou deus.

Organizar todo o Universo e mantê-lo funcionando harmonicamente, é tarefa do Tao. Cada vez que alguma coisa sai fora do lugar, instantaneamente o Tao providencia algo para tomar o espaço que ficou vago.

Às vezes pode demorar algum tempo para um gás preencher o vazio deixado por uma estrela que explodiu. A providência, no entanto, foi tomada no ato da explosão.

Esta é a razão porque todas as coisas estão sempre mudando. Se você fotografar o Universo, uma fração de segundo depois ele já não será mais o mesmo.

Há sempre algo ocorrendo e que provoca um desequilíbrio, seguido de uma ação do Tao, que faz tudo voltar ao normal por assim dizer. Até em nossas menores ações, existe o inevitável fato da quebra do equilíbrio existente e do conseqüente reequilíbrio, provido pelo Tao.

Imagine o Universo como se fosse feito de espuma de sabão. Nunca será o mesmo de agora, nem de ontem, nem amanhã, nem nunca.


O TAO É HARMÔNICO

Harmonia é o mesmo que entrosamento das partes, sensação de bem estar. Lembra sempre coisas boas e agradáveis - sons harmônicos, viver em harmonia.

Há um falso parentesco entre cósmico e harmônico, já que tudo que é harmônico é cósmico, mas o contrário não é verdadeiro.

Por exemplo:
O Universo como um todo, é cósmico, isto é, organizado, mas não é necessariamente harmônico. Algumas partes são, outras não. Uma parte compensa o desequilíbrio da outra.

Para que fique mais claro o que queremos dizer, imagine uma platéia de teatro. Há uma Ordem cósmica imposta pela disposição das poltronas. Se, além disso, todos estivessem gostando da peça, coexistiriam o cósmico e o harmônico.

Em nosso texto, cósmico e harmônico andarão sempre juntos. Quando dizemos que o Tao é harmônico, estamos afirmando que ele é perfeito em si. Diz-se com freqüência, que ninguém pode dar o que não tem.

Como é possível dar amor aquele que não tem um mínimo de auto-estima? Pense bem como isto faz sentido.

Um simples comprimido para dor de cabeça, deverá ser intrinsecamente harmônico; deverá conter em si um tal equilíbrio, que possa ser transmitido ao paciente.

Muito embora esta reflexão tenha mais um caráter filosófico do que bioquímico, imagine como seria mais fácil compreender certos fenômenos se não estivéssemos tão amarrados à racionalidade.

À razão se contrapõe a intuição, como a equilibrar o conjunto do pensamento. Não é, portanto, despropositada a sugestão de que ao lógico, seja somada a expressão do intuitivo, quanto mais não seja, até por uma questão de buscar uma solução mais completa, mais harmônica.


O TAO É HARMONIZANTE

Um dos atributos mais notáveis do Tao, é sua ação reequilibradora ou harmonizante. Para melhor visualizar a ação do Tao e fortalecer seu permanente entendimento, o uso do Tai-Chi é insuperável.

Vejamos como o Tai-Chi é constituído:

Ele tem a forma de um círculo e é dividido em duas partes; uma parte branca, e uma preta. Este desenho, simboliza uma situação harmônica, onde o fato ali mostrado, está em perfeito equilíbrio.

Qualquer aumento, num dos lados, resultará em um estado desarmônico, problemático. Em compensação, nos apontará a solução, que estará sempre no outro lado.
Se você usa o Tai-Chi em forma de medalha pendurada no pescoço, sem saber muito bem o que significa, ficará muito mais feliz quando passar a entende-lo melhor e, quem sabe, guiar sua vida pelas idéias que ele simboliza.

A propósito, o Tai-Chi não é um amuleto, nem é mágico e nem deve ser usado como se o fosse. Ele é simplesmente um lembrete, tal como uma Cruz ou uma Estrela de Davi, que não devem ser confundidas como peças milagrosas.
Observemos com mais atenção ainda o Tai-Chi. Inicialmente o círculo externo. O círculo em diversas religiões ou correntes de pensamento, que significam a unidade.

De fato, o Tao tem completa independência, é totalmente auto-suficiente e auto-regulado. É, portanto a própria Unidade.

Em seguida nota-se que o círculo está dividido em duas partes iguais chamadas Yang e Yin, representando respectivamente o ativo e o receptivo, a dia e a noite, ou quaisquer outros opostos harmônicos ou complementares, dos quais se compõe uma determinada questão.

Cada uma destas partes possui um pequeno círculo da cor oposta. Na parte branca há um ponto preto e vice-versa. Estes pontos representam a semente de seu complemento.

Se no Tai-Chi, o branco está representando por exemplo, uma situação de paz, o preto estará significando a guerra. A semente da guerra está sempre plantada numa situação de paz, da mesma forma como uma situação de guerra apresenta sempre a possibilidade de paz - uma só pode acontecer quando existe a outra.

As duas partes juntas se unem formando a questão guerra /paz. De fato, quando pode ocorrer isto que chamamos de paz? Quando existe uma guerra. Por seu turno o que pode quebrar a paz? Uma guerra.

Amanhã continuaremos...

terça-feira, 30 de outubro de 2007

Estudando o Tao
Parte - IV


Continuando com os estudos do Tao-Te-Ching - encontramos em outra parte: “O Tao não tem extensão, no entanto está em todas as partes”.

Como compreender este paradoxo? Conterá alguma verdade esta estranha afirmação? Sim, contém. É tão verdade quanto um mais um é igual a dois. É verdade, porque esta é a verdade axiomática do Tao. Não há nada o que provar.

Isto me lembra as horas de sono perdidas por sonhadores de todo o mundo, em todos os tempos; aqueles que até hoje tentam provar racionalmente que Deus existe.

Creio que é mais fácil listar os atributos divinos ou a origem dos números primos, do que procurar a resposta a este tolo e ocioso problema. Se você acredita em Deus, então ele existe.

Uma simples gota d’água serve como prova. Se você não acredita, nem toda a fantástica energia irradiada no Universo conseguiria mudar sua opinião.

E o Tao? Se não pudermos defini-lo ou estabelecer seus atributos, o que podemos então fazer? O que podemos fazer, é exatamente definir e atribuir. Paradoxal outra vez? Nem tanto.

Para os ocidentais é fundamental. Tudo precisa ser devidamente definido e explicado. Esta é nossa mentalidade, nossa maneira de ver as coisas. Estamos acostumados a muitos séculos de pensamento racional e lógico. Assim, enquanto não definirmos o Tao, ele não existe.

É mais ou menos como o ornitorrinco, um pequeno animal australiano que tem bico de pato, põe ovos e é mamífero. Enquanto você não vê uma fotografia, não segura o bichinho, simplesmente ele não existe. A mente se recusa a acreditar em tal aberração. No entanto o animal está lá, à sua disposição. Enquanto não obtivermos uma prova cabal da existência do ornitorrinco, ele simplesmente não existe. Continuará sendo um mito.

“O Tao é uma Ordem universal e cósmica, harmônica e harmonizante”.
Comecemos por fazer uma análise desta definição, bem como das qualidades atribuídas ao Tao.

Preste atenção nas afirmações que se seguem:

“Se há alguém que deva ser curado, o Tao cura”.

O remédio atua, mas é o Tao que cura.

“Se há alguma coisa que deva ser ajustada, o Tao ajusta”.

As Leis da natureza atuam, mas é o Tao que ajusta.

“Se há uma guerra que deva ser pacificada, o Tao pacifica”.

As intenções se mostram, mas é o Tao que pacifica.

Note o verbo - dever. Existem coisas e pessoas que devem ser curadas ou ajustadas, e existem as que - precisam. O ação do Tao, se faz sentir particularmente naqueles que devem ou querem, pois este é um pré-requisito básico para a que o Tao aja.
São atributos ou características do Tao:

O Tao é uma Ordem
O Tao é universal
O Tao é cósmico
O Tao é harmônico
O Tao é harmonizante

Amanhã, sem pressa e com cuidado, vamos ver cada uma destas qualidades. Ao fim, consolidamos tudo, e teremos uma idéia bastante boa do Tao. Será uma parte um pouco mais longa.

segunda-feira, 29 de outubro de 2007

Estudando o TAO
Parte – III

O Tao-Te-Ching foi traduzido para uma centena de idiomas e em muitos lugares é considerado sagrado. Lao-Tsé viveu há uns 26OO anos e segundo a tradição era o sábio entre os sábios e filósofo de todos, muitas vezes comparado ao próprio Confúcio.

Algumas pessoas, por outro lado, dizem que ele não existiu, que é uma figura mitológica. Mesmo que fosse verdade, e dizem o mesmo de Shakespeare, que importância isto teria?

O livro aí está, vivo e atual. Seus preceitos valem hoje, o mesmo que valiam na época em que foi escrito. Ninguém precisa reverenciar a figura deste pensador universal. E pelo que sabemos da Leitura do livro, ele detestaria isto. Era um homem que cultivava a modéstia, não por que desconhecesse as coisas, pelo contrário, porque sabia muito.

Nas diversas traduções, os versos são habitualmente seguidos por comentários do tradutor. O mesmo processo de notas esclarecedoras encontramos no I-Ching, outro livro muito antigo e famoso.

Estes comentários tornam-se particularmente valiosos, porque muitos ideogramas chineses se prestam a diversas interpretações. É natural, portanto, que o trabalho de Lao-Tsé tenha tantas traduções.

Mas afinal, o que pode conter um livro de cem páginas que promova tal revolução nos costumes e pensamentos?

Na verdade não seriam necessárias sequer as cem páginas, pois o que Lao-Tsé expunha logo nas primeiras palavras, ele mexia profundamente com conceitos milenarmente impostos ao povo chinês pelos poderosos, aos quais, de uma ou de outra forma, interessava que permanecessem intocados.

Esta tomada de posição era muito perigosa, apesar de Lao-Tsé ter tido uma vida bastante pacífica. Suas palavras simples e serenas expunham, à perfeição, as mazelas que pressionavam o povo e a nação.

Sua arma não era nem a religião, nem a política, mas a filosofia. O tema básico de seu discurso era o Tao, este mesmo Tao que deu origem ao Taoísmo. A propósito, este estudo aborda apenas os aspectos filosóficos do Tao, não os religiosos.

O Tao invocado por Lao-Tsé não se ligava a ritos ou hierarquias e seu papel era o de trazer a paz interior ao indivíduo e harmonia à nação.

Se você nunca ouviu falar no Tao, e está tomando conhecimento dele agora, é conveniente que não procure um dicionário mas pacientemente, siga a Leitura, pois, no momento adequado tudo ficará esclarecido, assim esperamos...

Temos que ser cautelosos, pois para nós ocidentais, há necessidade de uma abordagem muito peculiar, caso contrário, o entendimento acaba sofrendo deformações que prejudicarão a série de excelentes práticas que podemos fazer baseados no Tao.

O verso 1 do Tao-Te-Ching diz:
"Aquilo que pode ser definido, não é o Tao".
O que isto significa? Significa que o Tao, está acima e além da compreensão humana comum.

A linguagem não possui palavras nem símbolos que o definam. É mais ou menos como acontece com Deus. Podemos por acaso, responder a pergunta - O que é Deus?

- Não obstante, há muitas respostas que tentamos e que fazem sentido para nós. Isto não significa, entretanto, que a resposta esteja correta. Dizer que Deus é uma certa entidade que criou o Universo, é muito vago. O que é uma - certa entidade -, o que é - Universo ?

No Antigo Testamento, está escrito:
"Deus é Aquele que é".
É o que? Talvez, quem sabe, não seja para saber mesmo... As eternas especulações só têm uma certeza: que nos levarão ao infinito, ou seja, a lugar algum.

A mesma linha de pensamento se dá em relação ao micro e ao macro. Qual a menor partícula? Onde fica o fim do mundo?

Cada vez que se encontra a menor partícula que existe, logo adiante encontra-se outra menor ainda. O mesmo se dá no macro: uma galáxia, depois outra mais longínqua...E isto não terminou. E parece que nunca vai terminar.

Com o Tao ocorre o mesmo. Não há como definir, porque sua definição, por mais elaborada que seja, será sempre incompleta e em conseqüência incorreta. Será que o que deixou de ser definido, não é fundamental para sua compreensão? Provavelmente é.

sexta-feira, 26 de outubro de 2007

Estudando o TAO
Parte - II


Há milhares de anos, um sábio chinês escreveu um pequeno livro que resultou em mudanças no comportamento de milhões de pessoas, no desenvolvimento de importantes filosofias, na religião e até mesmo numa revisão conceitual do Universo.

E tudo isto começou quando ele, funcionário em uma corte depravada e corrupta, resolveu abandonar o país em busca de lugares mais serenos, onde pudesse repousar sua cabeça cansada. Este homem, de grande erudição e sabedoria, chamava-se Lao-Tsé.

A maneira como ele escreveu o livro, foi bem pouco usual. Consta que Lao-Tsé, ao deixar o país com as roupas do corpo e montado no lombo de um boi, dirigiu-se à fronteira.

Lá chegando, encontrou um guarda que o reconheceu e pediu que este lhe ensinasse tudo o que sabia. Lao-Tsé aceitou a tarefa e em uma só noite escreveu um pequeno livro constituído de 81 versos ou lições: era o Tao-Te-Ching, uma das obras mais importantes de todos os tempos.

A rapidez com que o livro foi escrito, não espelha a qualidade do texto. Lao-Tsé estava tomado por uma clara compreensão do assunto, compreensão esta tão profunda, tão consistente e tão viva, que se poderia dizer que ele estava mais do que inspirado, ele estava iluminado.

Definitivamente Lao-Tsé estava numa espécie de estado de graça ao escrever seu livro.
O Tao-Te-Ching, tem um aspecto bastante comum, e portanto não chama a atenção do provável Leitor. Mesmo quando folheado, nada indica a profundidade do seu conteúdo.

O nome de Lao-Tsé, de alguma forma nos traz a idéia que os ocidentais fazem desses filósofos chineses: indivíduos diferentes, cheios de misteriosa sabedoria, vivendo num mundo distante, longe dos homens comuns. Uma espécie mágica retratada nas figuras azuis das porcelanas e no multicolorido dos leques...

Esta imagem nada tem a ver com a realidade; e foi em cima de uma dura realidade, que o Tao-Te-Ching ou "O Livro do Caminho Perfeito" foi concebido e escrito.

Hoje estou certo que aqueles chineses não eram nem magos nem viviam num mundo etéreo, e que, o que as artes retratam, são figurações de um ideal que quase sempre expressa a harmonia provida pelo Tao.

quinta-feira, 25 de outubro de 2007

Quinta-feira, 25 de Outubro de 2007 – às 06hs44min de mais uma manhã de céu encoberto e a fina garoa cobrindo majestosamente a cidade de São Paulo. Ontem, talvez por razões do tempo, acredito ter experimentado o maior congestionamento desse ano. Paciência é o preço que pagamos por viver em uma das maiores cidades do planeta. Como eu me referi à paciência, lembrei-me do “TAO” uma filosofia muito difundida no Oriente e que acredito ser importante em nossa caminhada.

Estudando o TAO
Parte
- I


O objetivo destes estudos é buscar esclarecer de forma simples, um conceito muito difundido no oriente, o Tao. Para os ocidentais a tarefa exige certo cuidado, pois nossa mente racional remeteria o tema a campos muito específicos como a Religião, a Filosofia e até mesmo a Física, onde o Tao não seria percebido por inteiro já que sua área de atuação é bem mais extensa.

A Lei Universal da Gravidade faz com que todas as coisas se atraiam entre si. Aceitemos, por enquanto, que o Tao é uma Lei Absoluta que faz com todas as coisas sejam elas materiais ou não, funcionem bem e harmoniosamente.

A maioria dos textos que versam sobre o Tao, trata da interpretação das citações encontradas no Tao-Te-Ching, o mais importante livro sobre o assunto. Em outras obras encontramos sua ligação com certos ramos da atividade humana, como a Comunicação e a Música. Afora estes, é reduzido o número de trabalhos que tenham como objetivo principal a divulgação do Tao como conceito.

Entendemos que um tema tão vasto e instigante, deveria ter sensibilizado um número maior de escritores, o que lamentavelmente não vem ocorrendo.

O povo chinês possui um inconsciente coletivo onde o Tao está presente há muito, muito tempo. Não é necessário que os chineses sejam iniciados em seu significado. Diferentemente deles, nós precisamos.

Convivendo, como convivemos, há séculos com a cultura ocidental não precisamos, por nosso lado, que nos expliquem a idéia de Deus, pois esta é tão natural para nós como o Tao é para eles.

A propósito destes estudos, nossa idéia inicial era escrever um texto sobre o Tao, pura e simplesmente. Logo percebemos que seria necessário algo mais do que esta abordagem solitária, pois que a natureza, os atributos e a ação do Tao, poderiam ficar nebulosos apesar de todo o cuidado com o conteúdo e organização do trabalho.

Passamos então a cogitar sobre algum tipo de exercício prático que seria acrescentado, de sorte a fixar os conceitos teóricos. Teria que ser algo de interesse geral e, de preferência, ligado em linha direta à atividade do Tao.

Decidimos pela prática do desenvolvimento pessoal; com isto atingiríamos nosso objetivo primário, e ainda poderíamos dar aos estudiosos um complemento útil e agradável. A teoria, por sua vez, não deveria exigir do estudioso qualquer pré-requisito para poder ser entendida.

O aperfeiçoamento ou desenvolvimento pessoal, envolve a modificação de valores negativos de comportamento ou a aquisição de valores positivos de caráter e comportamento.

O resultado é uma postura mais serena, tranqüila e feliz. Este objetivo parece irrealizável para muitas pessoas; no entanto é possível através do Tao, conseguir um apreciável desenvolvimento num espaço de tempo relativamente curto.

Uma das partes deste trabalho trata justamente de um exemplo do dia-a-dia num processo individual de crescimento. Vamos ver que não é fundamental a presença de orientadores ou gurus, nem haverá interferência na religiosidade do estudante, tenha ele uma crença ou não.

Afinal quem pode ter Lao-Tsé, autor do Tao-Te-Ching, como orientador, está em muito boas mãos. Com um pouco de aplicação, persistência e vontade no coração, o estudante poderá desenvolver as virtudes tão sonhadas.

Durante os próximos dias estaremos viajando um pouco em companhia de Lao-Tsé, Mestre por excelência e um homem de uma visão incrível...

quarta-feira, 24 de outubro de 2007

Quarta-feira, 24 de Outubro de 2007 – às 06hs48min de um dia nublado com uma fina garoa cobrindo a cidade de São Paulo. Mais um dia reflexivo, mais um dia onde esperamos aprender e crescer mais um pouco.

Às vezes trata-se de sonhos...
Às vezes devaneios...
Às vezes é a realidade...
Eu já não sei, não estou bem, sou capaz de confundir tudo...

...Uma densa névoa dificultava a visão. Na verdade, eu não sabia se estava anoitecendo ou se o dia se preparava para nascer. Eu só sei que diminuía a velocidade dos passos, tentando entender melhor...

...Os sons, por sua vez, ecoavam como num vazio absurdo. Vozes da natureza, audazes e melancólicas. O medo se fazia presente. A vida, vez por outra, era retratada através de lembranças obscuras, imperiosas ao meu domínio. Um mundo diferente se apresentava à minha concepção. Um mundo novo, um universo a ser recriado batendo à porta insistente...

...Agora o som inconfundível do mar se fazia presente. Tentando aguçar os ouvidos, eu procurava caminhar em sua direção. Mas aquela densa névoa, continuava insistente e nada, absolutamente nada me era permitido ver...

...Percebo uma luz acima dessa enorme nuvem que resolvera descer a terra. Eu não podia olhar para cima. Demasiadamente forte essa claridade não me permitia sequer, ficar com os olhos abertos. Levo as duas mãos à cabeça, afagando meus próprios cabelos. Tentativas inúteis de compreensão...

...O mar por sua vez, tentava me guiar, mostrando-me o seu rumo. Cuidadosamente, amedrontado eu continuava seguindo em sua direção...

...Eu era um menino, ou pelo menos eu me sentia um menino. A pureza dessa condição, embora ainda não compreendida, mostrava-me sinais de que a vida e toda sua complexidade poderiam ser desvendadas caso essa condição pudesse ser mantida...

...Mesmo com toda complexidade do momento, eu sabia; as crianças possuem todas as respostas...

terça-feira, 23 de outubro de 2007

Terça-feira, 23 de Outubro de 2007 – às 06hs59min de mais um dia nublado e triste. Continuando com a minha eterna procura de um entendimento da vida, deparei-me ontem com a morte. Estados opostos e que caminham lado a lado como se um tentasse afastar o outro sem sucesso.

Quando paramos para pensar, percebemos que alguma coisa só pode existir pela presença viva do seu oposto. Para sabermos o que é bom, temos que ter conhecimento, uma referência do que é ruim.

Só percebo que está claro, porque conheço a escuridão. Sinto o sabor doce em minha boca, por que sei como é o sabor amargo e assim sucessivamente...

Onde eu quero chegar com tudo isso?

É simples! É impossível viver, conhecer somente um lado, o lado bom, a felicidade, o prazer, a alegria...

Qualquer experiência necessita de uma bipolaridade, ou seja, os dois lados de uma mesma moeda. Assim, se ilude quem deseja evitar a dor e só viver a felicidade. A dor, a tristeza, o amargo – como o que sinto hoje em meu coração – não podem ser ignorados, muito menos evitados.

Eles fazem parte do outro lado dessa grande moeda que chamamos de vida. Temos, porém, que ter essa consciência e estarmos preparados para essa dualidade da vida. A grande diferença consiste exatamente no gral de importância e "aceitação" que damos para cada um desses lados.

Existem pessoas que preferem viver o lado triste, o lado amargo, e como vítimas culpar o mundo inteiro por sua desgraça. Outras, no entanto, preferem se levantar e fazer acontecer a sua felicidade, em vez de esperar que alguém faça por elas.

A escolha também é sua...

Qual é o lado da moeda que você quer viver?

Assim como você tem o poder e o direito de escolher, você também é obrigado a viver a sua escolha, por isso, não culpe ninguém depois.

Mas, aí, então você vai dizer:

- Eu não esoclhi nada disso para a minha vida.

E eu vou responder:

- Infelizmente, existem escolhas conscientes e na grande maioria as inconscientes.

Deus, em sua infinita justiçca, jamais permitiria alguém viver "injustamente" o que não escolheu para sí mesmo.

Acho melhor respensarmos em tudo isso, antes de continuarmos culpando tudo e a todos.

segunda-feira, 22 de outubro de 2007

Segunda-feira, 22 de Outubro de 2007 – às 06hs53min de mais uma semana que se inicia, nublada, suplicando por uma chuva que se recusa cair do céu. Enquanto isso, nós continuamos...

A Instabilidade da Mente.

Como alguma coisa pode permanecer estável em uma mente, quando ela mesma não é estável?
Como posso tornar minha mente estável?

Como pode uma mente instável tornar-se a si mesma estável? É claro que não pode. É natureza da mente ficar vagando. Tudo que se pode fazer é deslocar o foco da consciência para além da mente.

Recuse todos os pensamentos, exceto um: o pensamento "Eu Sou". A mente se rebelará no início, mas com paciência e perseverança, ela irá render-se e ficar quieta. Uma vez quieta, as coisas começarão a acontecer espontânea e naturalmente, sem nenhuma interferência da sua parte.

Como podemos evitar esta batalha com a nossa mente?

Apenas viva sua vida da maneira como ela se apresenta, mas fique alerta, vigilante, permitindo que cada coisa aconteça da maneira que acontecer, fazendo as coisas naturais de um jeito natural, sofrendo, regozijando-se, da forma como as coisas vierem. Esta também é uma maneira.

Você pode ser feliz ou não, a escolha é sua.

A verdadeira felicidade não pode ser encontrada em coisas que mudam e se vão. Prazer e dor se alternam inexoravelmente. A felicidade vem da sua verdadeira natureza e pode ser encontrada somente nela. Encontre a sua verdadeira natureza e tudo mais virá com ela.

Por vezes sinto que a minha verdadeira natureza é paz e amor, por que ela me parece tão inquieta, tão agitada?

Não é seu ser real que é agitado, mas seu reflexo na mente é que parece agitado, pois a mente é agitada. É como o reflexo da lua na água movimentada pelo vento. O vento do desejo agita a mente e o "eu", que nada mais é do que o reflexo da verdadeira natureza na mente, parece mutável. Mas essas idéias de movimento, inquietação, prazer e dor estão todas na mente. A verdadeira natureza está além da mente, consciente, mas sem envolvimento.

Você é a sua verdadeira natureza, aqui e agora. Deixe a mente em paz, fique consciente, não se envolva e você irá perceber que permanecer alerta, mas desprendido, assistindo os acontecimentos indo e vindo, é um aspecto da sua natureza real.

sexta-feira, 19 de outubro de 2007

Sexta-feira, 19 de Outubro de 2007 – às 06hs48min de uma manhã fria, cansada assim como eu, mas vamos continuar com a sabedoria dos mestres indianos...

Um discípulo falando...

Um dia aconteceu que eu acreditei no meu Guru. Ele me disse que eu não sou nada além de mim mesmo, e eu acreditei nele. Acreditando nele, eu passei a me comportar de acordo e parei de me preocupar com tudo o que não era eu ou que não era do meu ser.

Minha mente parece estar sempre quieta e feliz e aqueles (ditos) milagres acontecem a minha volta. Eu não sei nada sobre milagres. E fico pensando se a natureza admite exceções às suas leis, a menos que concordemos que tudo seja um milagre. Para mim, isso não existe.

Há uma consciência onde tudo acontece. Esses milagres são bastante óbvios e fazem parte da experiência de todos. Você apenas não olha com o cuidado suficiente. Olhe atentamente e veja o que eu vejo.

Quando você não pode ver, talvez o foco esteja errado da sua atenção. Você não dá atenção a si próprio. Sua mente está cheia de coisas, pessoas e idéias, nunca com você mesmo.

Coloque a si mesmo dentro do foco. Torne-se consciente da sua própria existência. Veja como você funciona, verifique os motivos e os resultados das suas ações.

Estude a prisão que você, inadvertidamente, construiu a sua volta. Descobrindo o que você não é você acabará se conhecendo. O caminho de volta a si mesmo vai através da recusa e da rejeição.
Uma coisa é certa: o real não é imaginário, não é produto da mente. Até mesmo o sentido de "eu sou" não é continuo, apesar de ser um sinalizador útil; ele mostra onde procurar mas não o que procurar.

Apenas dê uma boa olhada nisso. Uma vez que você estiver convencido de que você não pode dizer verdadeiramente nada sobre si próprio, exceto "eu sou", e de que nada para o que você possa apontar pode ser você mesmo, a necessidade do "eu sou" termina.

Você não mais tentará verbalizar o que você é. Tudo o que você precisa é livrar-se da tendência de definir a si mesmo. Todas as definições aplicam-se somente ao seu corpo e às suas expressões.

Uma vez que esta obsessão com o corpo termine, você reverterá ao seu estado natural, espontaneamente e sem esforço. A única diferença entre nós é que eu estou consciente do meu estado natural, enquanto você está a devanear.

Assim como o ouro usado numa jóia não leva nenhuma vantagem em relação ao ouro em pó, exceto quando a mente as cria, assim também somos uno em essência - diferimos apenas na aparência.

Descobrimos isto sendo sinceros, procurando, inquirindo, questionando diariamente, a toda hora, dedicando uma vida a essa descoberta.

quinta-feira, 18 de outubro de 2007

Quinta-feira, 18 de Outubro de 2007 – às 06hs43min de um dia nublado, com o céu cinza cobrindo toda a capital. Hoje eu não estou bem. Depois de uma noite mal dormida sinto, mais do que nunca a necessidade de acalmar os meus pensamentos. Assim, lembrei-me imediatamente de alguns Mestres de sabedoria inquestionável. Apenas o fato de lembrar, ler as suas palavras já traz, por si só um pouco de paz.

Esses ensinamentos são universais e nos ajudam a distinguir entre a realidade e as imagens distorcidas que nossa mente cria. Esses textos nos oferecem insights profundos e ajudam a aprofundar nossa prática de meditação e com isso, vermos realmente o que estamos passando.

Qual é o objetivo da meditação?

- Nós conhecemos o mundo exterior de sensações e ações, mas do nosso mundo interior de pensamentos e sentimentos nós conhecemos muito pouco. O objetivo inicial da meditação é tornar-se consciente e familiarizar-se com a vida interior. O objetivo final é alcançar a fonte de vida e consciência.

- Incidentemente, a prática da meditação afeta profundamente nosso caráter. Nós somos escravos do que não conhecemos. Daquilo que conhecemos, somos mestres.

- Qualquer que seja o vício ou a fraqueza, se os descobrimos dentro de nós e entendemos as suas causas e como funcionam, nos tornamos capazes de superá-los por conhecê-los bem.

- O inconsciente se dissolve quando trazido à consciência. A dissolução do inconsciente libera energia: a mente se sente adequada e se torna quieta, silenciosa.

Para que serve uma mente quieta?

- Quando a mente está quieta nós podemos nos perceber como puros observadores. Nós nos afastamos da experiência e do experimentador e nos mantemos a parte, no estado de pura consciência, a qual está entre e além dos dois.

- A personalidade, baseada na identificação com o ego e em imaginar que somos alguma coisa: "Eu sou isto, eu sou aquilo", continua, mas somente como parte do mundo objetivo. A sua identificação com a testemunha se quebra.

- A meditação é uma atividade silenciosa e que se volta para a completa eliminação de ruídos (pensamentos), a mobilidade ou atividade. O silêncio puro (harmonia) é a perfeita libertação da indolência e da agitação.

Como fortalecer e aumentar o silêncio?

- O Silêncio puro é forte sempre. É como o sol que pode parecer obscurecido pelas nuvens ou pelo pó, mas somente do ponto de vista do observador. Trabalhe com as causas do obscurecimento, não com o sol.

Para que serve o Silêncio?

- Para que serve a verdade, a bondade, a harmonia, a beleza? Essas qualidades são metas em si mesmo. Elas se manifestam espontaneamente, sem nenhum esforço quando deixamos as coisas seguirem seu curso, quando não interferimos, quando não evitamos, ou desejamos ou conceituamos, mas simplesmente as experimentamos em total consciência.

- Essa consciência, por si só é Silêncio. O Silêncio não utiliza coisas e nem é usada pelas pessoas, ela as preenche.

Como eu não posso aumentar o silêncio dentro de mim?

- Observando suas influências em você e sobre você. Esteja consciente delas em operação. Observe-as se expressando em seus pensamentos, palavras e atos.

- Gradualmente a força delas sobre você diminuirá e a clara luz do Silêncio começará a emergir. Isso não é nem difícil e nem um longo processo. A seriedade e sinceridade são as únicas condições para o sucesso.

quarta-feira, 17 de outubro de 2007

Quarta-feira, 17 de Outubro de 2007 – às 06hs45min de um dia lindo onde o sol promete iluminar tudo abaixo de si. Mais um dia para nos desenvolver e crescermos em todos os sentidos. E, por falar em crescimento, podemos continuar analisando a responsabilidade de cada um na sua própria vida, que ainda considero “o ponto de partida”...

Todos nós somos diretamente responsáveis por tudo, exatamente tudo que acontece em nossas vidas. Se hoje eu vivo bem, com saúde e posso dizer que sou feliz, esse momento nada mais é senão, o resultado de tudo semeado no passado, de todas as boas ações que fiz e dos bons pensamentos alimentados em meu coração, como o de amor e carinho a tudo e a todos que me cerca.

De certa forma é simples, muito simples: eu planto feijão, eu colho feijão; eu planto milho, eu colho milho; eu planto amor, eu colho amor. Em resumo tudo que você plantar em seu coração você colhe num futuro próximo. É tão simples, mas tão simples e poucas pessoas entendem de verdade isso.

Ou às vezes entendem, mas se recusam a mudar as suas atitudes, e preferem continuar plantando o ódio, a inveja, o desejo de vingança e muitos outros sentimentos que certamente trarão muita dor e sofrimento.

Agora, se hoje, você ainda culpa alguém pelo teu sofrimento, lamento muito te dizer isso, mas você ainda terá que sofrer mais um pouco. Você ainda não entendeu que o único culpado, o único responsável pela sua vida, pelos resultados que você vive agora, é você mesmo.

Então, você terá que sofrer até aprender essa lição. Quando compreendemos que nós somos os responsáveis por tudo que estamos passando, quando admitimos que erramos só diante dessa condição, somente entendendo essa lição, podemos nos redimir, e assim, começar a construir um amanhã melhor, sem sofrimento, com mais amor e carinho no coração a todas a pessoas que nos cercam.

Eu sei que é difícil!
Mais fácil, sem dúvida é sempre jogar a culpa em alguém, em alguma situação. Mas isso não vai resolver nunca a verdadeira origem da dor e do sofrimento.

Hoje, vamos dar um passo a mais, vamos começar a admitir a verdadeira responsabilidade sobre a nossa vida. Tudo que eu sou, tudo que tenho, tudo que vivo, é somente o resultado do meu comportamento, das minhas ações, e dos meus pensamentos.

Pense um pouco nisso...

terça-feira, 16 de outubro de 2007

Terça-feira, 16 de Outubro de 2007 – às 06hs54min de mais uma manhã nublada e reflexiva. E por falar em reflexão, ficamos com uma das últimas frases expostas ontem:

“Agradeça tudo que está em sua vida nesse momento, inclusive a dor. Nossa compreensão do universo ainda é muito pequena para julgar o que quer que seja em nossa vida”.

Essa frase encerra em si, uma concepção profunda e altamente consciente das limitações do ser humano. Sinceramente, eu acredito que o mais sábio dos sábios, entre nós, ainda está muito, muito a quem de conhecer se quer a sua própria existência.

Lamentar-se, queixar-se, julgar e sentenciar alguém ou algum fato, está tão errado quanto admitir que realmente sabemos algo do que está acontecendo. Sim meus amigos, a bandeira maior de um filósofo, o seu ponto de partida, sem dúvida consiste na sua consciência de que ele muito pouco sabe sobre o saber.

Só vestido com essa roupagem, só despido do orgulho intelectual, podemos evitar uma série enorme de constrangimento e seu consecutivo sofrimento. O simples fato de não aceitarmos um fato, de não o entender, provoca-nos imediata revolta e descontentamento.

Como nos achamos sempre perfeitos, saímos então a caça dos culpados por tudo que está acontecendo em não conformidade com os nossos planos. E, como tem que existir sempre um culpado, acabamos elegendo um. Quando não o localizamos aqui na terra, chegamos até mesmo a culpar o nosso Criador, pelo inescrupuloso destino que nos foi dado.

Agora, o fato de aceitarmos que não entendemos nada, que não conhecemos nada sobre tudo, não nos permite sairmos julgando, pelo menos precipitadamente qualquer fato ou pessoa.

Essa atitude, sem dúvida, evita uma série de situações e sentimentos negativos que só tendem a nos prejudicar.

Assim, pense bem antes de julgar qualquer coisa, qualquer pessoa, qualquer situação. É melhor, sem dúvida, aceitar tudo que a natureza nos impõe, pois ela, só ela sabe perfeitamente o que precisamos vivenciar no dia de hoje.

segunda-feira, 15 de outubro de 2007

Segunda-feira, 15 de Outubro de 2007 – às 07hs10min de um dia nublado, com uma forte garoa caindo sobre a cidade. Sinto que esse dia se torna mais e mais reflexivo, nos convidando para mais um passeio e porque não nas palavras do grande Aristóteles...

"Não se deixe afetar por sentimentos e emoções momentâneas. Sempre há um espaço entre estímulo e resposta. Procure, nesse espaço, responder criativamente e construtivamente. Não permita que suas ações voltem como um bumerangue na forma de desapontamento. Os princípios básicos da vida são eternos, nunca mudam".

"Por trás de princípios como gentileza, respeito, honestidade, integridade, empatia, compaixão, está o mestre: A consciência, pois ela é a calma, pequena e pacífica voz interior, que nos ensina que o fim e os meios são inseparáveis".

Revolução da Alma Aristóteles

Aristóteles, filósofo grego, escreveu este texto " Revolução da Alma"no ano 360 A.C. mais ou menos, e é eterno.

"Ninguém é dono da sua felicidade, por isso não entregue sua alegria, sua paz sua vida nas mãos de ninguém, absolutamente ninguém. Somos livres, não pertencemos a ninguém e não podemos querer ser donos dos desejos, da vontade ou dos sonhos de quem quer que seja".

"A razão da sua vida é você mesmo. A tua paz interior é a tua meta de vida, quando sentires um vazio na alma, quando acreditares que ainda está faltando algo, mesmo tendo tudo, remete teu pensamento para os teus desejos mais íntimos e busque a divindade que existe em você. Pare de colocar sua felicidade cada dia mais distante de você".

"Não coloque objetivo longe demais de suas mãos, abrace os que estão ao seu alcance hoje. Se andas desesperado por problemas financeiros, amorosos, ou de relacionamentos familiares, busca em teu interior a resposta para acalmar-te, você é reflexo do que pensas diariamente. Pare de pensar mal de você mesmo, e seja seu melhor amigo sempre".

"Sorrir significa aprovar, aceitar, felicitar. Então abra um sorriso para aprovar o mundo que te quer oferecer o melhor".

"Com um sorriso no rosto as pessoas terão as melhores impressões de você, e você estará afirmando para você mesmo, que está 'pronto' para ser feliz".

"Trabalhe, trabalhe muito a seu favor.
Pare de esperar a felicidade sem esforços.
Pare de exigir das pessoas aquilo que nem você conquistou ainda".

"Critique menos, trabalhe mais.
E, não se esqueça nunca de agradecer".

"Agradeça tudo que está em sua vida nesse momento, inclusive a dor.
Nossa compreensão do universo, ainda é muito pequena para julgar o que quer que seja na nossa vida".

"A grandeza não consiste em receber honras, mas em merecê-las."

"O mundo é como um espelho que devolve a cada pessoa o reflexo de seus próprios pensamentos. A maneira como você encara a vida é que faz toda diferença.
A vida muda, quando você muda".

quinta-feira, 11 de outubro de 2007

Quinta-feira, 11 de Outubro de 2007 – às 06hs43min de um dia que nasceu lindo, como que comemorando o feriado que temos pela frente. Julgar que o dia está lindo, maravilhoso, depende e muito do nosso estado de espírito. Eu, particularmente nesta manhã não estou bem. Não consegui dormir esta noite, mas mesmo assim, eu vou tentar, e vou tentar...

Por falar em julgamentos, lembrei-me de algumas palavras que circulam pela internet, cuja autoria é desconhecida, mas acredito que vale observar como nós, seres humanos normalmente nos antecipamos quando julgamos algo, alguma situação ou até mesmo as pessoas. Então aí vai...


JULGAMENTOS !!

Havia numa aldeia um velho muito pobre que possuía
um lindo cavalo branco.

Numa manhã ele descobriu que o cavalo não
estava na cocheira.

Os amigos disseram ao velho:
Mas que desgraça, seu cavalo foi roubado

E o velho respondeu

- Calma, não cheguem a tanto. Simplesmente digam que o cavalo não está mais na cocheira. O resto é julgamento de vocês.

As pessoas riram do velho.

Quinze dias depois, de repente, o cavalo voltou.

Ele havia fugido para a floresta. E não apenas isso; ele trouxera uma dúzia de cavalos selvagens consigo. Novamente as pessoas se reuniram e disseram:

- Velho, você tinha razão. Não era mesmo uma desgraça, e sim uma benção. E o velho disse:

- Vocês estão se precipitando de novo. Quem pode dizer se é uma benção ou não? Apenas digam que o cavalo está de volta...

O velho tinha um único filho que começou a treinar os cavalos selvagens.
Apenas uma semana mais tarde, ele caiu de um dos cavalos e fraturou as pernas. As pessoas se reuniram e, mais uma vez, se puseram a julgar:

- E não é que você tinha razão, velho? Foi uma desgraça seu único filho perder o uso das duas pernas.

E o velho disse:

- Mas vocês estão obcecados por julgamentos, hein? Não se adiantem tanto. Digam apenas que meu filho fraturou as pernas. Ninguém sabe ainda se isso é uma desgraça ou uma bênção...

Aconteceu que, depois de algumas semanas, o país entrou em guerra e todos os jovens da aldeia foram obrigados a se alistar, menos o filho do velho.
E os que foram pra guerra, morreram .

Quem é obcecado por julgar, cai sempre na armadilha de basear seu julgamento em pequenos fragmentos de informação, o que o levará a conclusões precipitadas.

Nunca encerre uma questão de forma definitiva, pois quando um caminho termina, outro começa, quando uma porta se fecha outra se abre...

quarta-feira, 10 de outubro de 2007

Quarta-feira, 10 de Outubro de 2007 – às 06hs56min de mais um dia com muito sol, prometendo elevar e muito a temperatura. Particularmente acredito ser de extrema importância aprimorarmos a nossa consciência nesse sentido. Estamos falando, desde ontem, sobre o verdadeiro poder. Então, vamos continuar...

Em vez de se deixar intimidar ou influenciar pelas crenças de outras pessoas, aprende-se a confiar na própria experiência, checando as informações que lhe chegam sem preconceitos, mas sem idealização, expectativa ou ilusões.

Assim, ao perceber o que funciona na sua vida, a expectativa das outras pessoas em relação a você deixa de ter importância. Mais do que preocuparem-se com o que os outros pensam ou falam, sua atenção se volta para a sua verdade interior e para os desejos do seu coração.

Manter a coerência interna e a fidelidade aos próprios ideais é uma forma de alimentar o poder pessoal. Significa ter a capacidade de separar o que é seu do que é do outro. De manter a clareza sobre seus valores e agir alinhado com eles.

E ao deixar de procurar no mundo externo o que se encontra dentro de si mesmo, você adquire a capacidade de transformação que não está funcionando na sua vida. Passa a atrair, naturalmente, a admiração, o respeito e a confiança dos que estão à sua volta.

terça-feira, 9 de outubro de 2007

Terça-feira, 09 de Outubro de 2007 às 06hs53min de uma manhã que nasceu com um tímido sol, mas prometendo impor-se ao longo do dia. Depois de observar algumas situações ontem, decidi escrever um pouco sobre o poder pessoal. Infelizmente muitas pessoas ainda não entenderam o que é o poder. Assim, atribuindo erroneamente esse foco, continuam sofrendo...

“Desejo, sinceramente, que o seu Ser Íntimo, mais cedo ou mais tarde, seja seu próprio guia. Essa é a essência do que chamo Psicologia”.

Quando você deixa de atribuir a algo ou alguém a responsabilidade pelo modo como se sente, está tomando posse do seu poder pessoal.

De modo geral, associa-se a idéia de poder à habilidade que alguém tem de influir sobre as ações de outras pessoas. Ou ainda, à capacidade de determinar a forma como algo deve ser ou acontecer.

O poder que é exercido externamente, seja levando exércitos para a guerra, seja manipulando o ou a parceira no relacionamento amoroso, é frágil e revela a vulnerabilidade de seu titular. Está sujeito às circunstâncias externas e pode ser perdido a qualquer momento.

O poder pessoal, entretanto, supera obstáculos e não conhece limites, pois se fundamenta no potencial ilimitado que existe dentro de cada um de nós. É o único que não se pode perder e é adquirido através do esforço próprio e é vivenciado internamente.

Enquanto o poder que atua sobre os outros tem medo de ser destituído, o poder pessoal cresce na proporção direta do desenvolvimento do nível de consciência individual.

O que determina se uma pessoa tem ou não poder pessoal não é algo que lhe é conferido por alguém ou alguma situação externa. A chave deste poder sobre si mesmo, infinitamente maior do que a ilusão de qualquer outro, está no autoconhecimento.

É o resultado de um processo de reconhecimento de que se é responsável pelas próprias escolhas.O poder pessoal permite o acesso aos recursos internos e às ferramentas necessárias para superar dificuldades.

Ele implica no alinhamento de valores e crenças, na capacidade de formular objetivos definidos e de seguir um plano de ação, passo a passo, na direção de sua realização.

Alguém com poder pessoal não espera que outra pessoa corresponda às suas expectativas, nem coloca a responsabilidade sobre seu bem estar nas mãos de quem quer que seja. É capaz de exercer a sua capacidade de escolha diante dos acontecimentos e decide que atitude tomar diante de cada circunstância.

Ter poder pessoal significa não entregar a ninguém mais, ou a nenhum acontecimento a capacidade de influenciar seu comportamento.Quando você deixa de atribuir a algo ou alguém a responsabilidade pelo modo como se sente, está tomando posse do seu poder pessoal.

Reconhece o fato de que não é possível controlar nada fora de você, mas que ao escolher a sua atitude diante do que lhe acontece, exerce controle sobre seu estado físico, mental, emocional e espiritual.Se alguém o trata mal, faz algo indevido ou decide romper um relacionamento com você, o poder pessoal não permitirá que isso arruíne o seu bem estar ou torne a sua vida uma calamidade.

Ter poder pessoal é viver a vida sem buscar a aceitação ou aprovação das outras pessoas. É escolher a verdade, o equilíbrio e a coerência como uma expressão natural do ser.

segunda-feira, 8 de outubro de 2007

Segunda-feira, 08 de Outubro de 2006 – às 06hs46min de um dia que amanheceu quente e nublado. Depois de um final de semana onde normalmente relaxamos um pouco, temos que enfrentar o impacto de reiniciar as nossas atividades.

Um novo dia, uma nova semana, uma nova perspectiva. Por mais que possamos estar descontentes com alguma coisa, sempre existe uma nova perspectiva para aqueles que ainda estão vivos e acreditam em alguma coisa.

E, é dentro dessa esperança que conduzimos o nosso novo dia, a nossa nova semana. Vamos tentar crescer mais um pouco, nos alinhando com a nossa verdadeira essência. Vamos assumir cada vez mais que realmente somos, “Entidades Divinas” e procurar viver essa verdade.
Se pudéssemos não mais esquecer isso, se o meio não nos obrigasse a esquecer quem realmente somo, seria bem mais fácil.

sexta-feira, 5 de outubro de 2007

Conceptualismo – O Segredo de Deus – XXVII continuação...

Se o seu desejo é mudar a sua vida, mudar o caminho que você está seguindo, você tem que mudar primeiro a sua linha de pensamentos. Fatos reais ou ilusórios, são eles quem criam tudo. Você pensa, sustenta esse pensamento, experimenta alguns sentimentos ligados a ele e, ele simplesmente acontece.

Porque é assim eu não sei. Como que isso acontece, também não sei. Só sei que é assim.

Eu também vivo tentando criar uma nova vida, com novos aprendizados e experiências. Também tenho obstáculos a serem transpostos para que eu possa continuar, e assim eu continua a minha caminhada...

quinta-feira, 4 de outubro de 2007

Conceptualismo – O Segredo de Deus – XXVI continuação...

Como pudemos observar, há muitos anos o homem já percebera que a sua vida, o seu destino era controlado por uma linha de pensamentos que se destacavam em sua mente. Por que digo se destacavam? É simples.

Nós temos uma gama de pensamentos variados, que chegam e saem de nossa mente a uma velocidade incrível. O número desses pensamentos que ocorrem é literalmente absurdo. Eu diria que pela cabeça de um ser humano adulto, por dia, devam passar mais de dois mil tipos de pensamentos diferentes.

Porém, como já ficou claro, somente aqueles que predominam, que permanecem, que nos despertam sentimos, são os responsáveis diretos pela formação dos nossos próximos dias.

Tudo isso, vem sendo explorado há muitos séculos. Essa é a razão que faz com que esses estudiosos, defensores da teoria da “Lei da Atração” acreditem que realmente podemos construir o nosso destino. E, eles estão certos, ou melhor, meio certos.

Tudo depende do que entendemos como vida. Dentro do conceptualismo, a vida existe, mas de um parâmetro diferente daquele que aprendemos desde criança. A vida existe através de uma experiência mental, onde cada um de nós, projeta a sua maneira de viver e experimente todas essas emoções como se tudo estivesse acontecendo em um mundo real.

Nós, em estudos anteriores, já vimos e provamos que, para se viver as emoções, não é necessário viver o fato realmente. Vimos que a nossa mente é plenamente capaz de nos arremeter a qualquer estado emocional com o simples ato do pensamento.

E é exatamente assim que passamos por esse meio. Entidades Divinas que somos, fragmentos de um Ser Superior, dotados de uma capacidade ilimitada e prontos para “vivenciarmos” aquilo que desejamos.

quarta-feira, 3 de outubro de 2007

Conceptualismo – O Segredo de Deus – XXV continuação...


O filme “O Segredo” tem como temática principal, afirmar que você pode ter tudo o que deseja, você pode ser o que quer e assim sucessivamente... Eles se utilizam de antigos estudos que mostram que realmente, a mente humana é capaz, através de ondas de pensamentos, criar uma nova realidade quando deseja.

Vamos analisar algumas das muitas afirmações que citadas tanto no livro quanto no filme:

“Todos os seus pensamentos geram ondas magnéticas e isso pode ser comprovado em exames de tomografias magnéticas, eletro-encefalograma e muitos outros modernos métodos de diagnósticos da nossa medicina. Mas são nas pesquisas de Física Quântica que essas ondas magnéticas ficam mais evidentes e podem ser medidas e classificadas em uma tabela de forma, que coincidentemente chamamos de ‘emoções’”.

“O modo mais simples, de se entender o efeito do segredo é imaginar que somos um ímã que atrai objetos, pessoas, ou mesmo acontecimentos. A energia magnética trabalha o tempo todo, 24 horas por dia sempre atraindo o que pensamos, mesmo que nós acreditamos nela ou não”.

“E é aqui que temos que dedicar o máximo de nossa atenção e consciência, pois a atração ocorre quer a gente queira ou não queira, a gente saiba ou não, quer seja algo ruim ou bom. E isso ocorre mesmo que nós estejamos pensando em algo do passado, presente ou futuro, o que pensarmos acontecerá no tempo verbal do pensamento”.

“A lei da atração trabalha em todos os tempos, o passado, o presente ou futuro, sendo assim se você pensar ou lembrar de algo do passado estará emitindo ondas magnéticas que irão procurar um acontecimento igual ao que você teve no passado”.

“A lei da atração não distingue o que é bom ou ruim, negativo ou positivo para ela o fato de você pensar significa que você quer. Então, não pense no que você não quer”.

“A lei da atração é universal, sendo assim funciona sempre e para qualquer pessoa”.

Os pensamentos estão enviando sinais magnéticos que atraem sinais semelhantes de volta para você.

“Se você prestar atenção vai perceber que o poder de nossa intenção afeta nosso dia a dia... Então, abra os olhos e veja”.

“Algumas pessoas olham para sua vida e dizem ‘Isto é o que eu sou’ mas isso agora é o que você era! Olhe para sua vida nesse momento, por exemplo, mesmo que você não tenha dinheiro no banco ou os seus relacionamentos não dão certo; esses momentos não são o que você é, e sim os resultados de seus pensamentos e sentimentos do passado”.

“Você deve se colocar num sentimento de realmente estar naquele carro que quer comprar, de realmente ter aquele relacionamento, de realmente ser próspero e ter dinheiro e não de desejar essas coisas ou achar que algum dia as terá, pois esses sentimentos são do futuro e o futuro nunca chega, o passado nunca volta, só existe o presente; então, pense no presente e sempre afirmando o que quer”.

“Se seu desejo é grande ou pequeno, não importa, o universo que se vire! Mas preste atenção a uma provável inspiração, pois às vezes ele não te da a coisa, ele te da condições de ter a coisa e ai você tem que fazer a sua parte neste jogo. Quando você tiver a inspiração, você deve confiar nela e agir de acordo com ela”.

“Esqueça definitivamente as histórias que ‘É meu destino’ que ‘Você não tem controle’ que ‘É carma’ pois isso foi espalhado pelos líderes do passado que conheciam o segredo e não queriam compartilhá-lo”.

“Pode ser que as coisas não estejam indo bem e aí você pensa ‘eu poderia fazer desse jeito, mas eu odeio isso’, se você não se sente bem com as ações, não faça; pois estará no caminho errado. As emoções são nosso guia de viagem”.

“Os pensamentos podem ser conscientes, que, são aqueles pensamentos que você imagina, ou inconscientes, que são aqueles que aparecem na sua mente”.

“A vida pode ser absolutamente fenomenal, pode e deve ser, aliás é, assim que você passar a usar o segredo”.

“O mais importante a se aceitar é que tudo ao seu redor nesse momento da sua vida, incluindo as coisas das quais você reclama, foi você, unicamente você, que atraiu”.

Amanhã vamos analisar essas afirmações, e traçar um paralelo com a nossa filosofia conceptual...

terça-feira, 2 de outubro de 2007

Conceptualismo – O Segredo de Deus – XXIV continuação...


Se você se permitir a essa linha de raciocínio, mesmo que seja por alguns minutos, vai concordar que realmente trata-se de uma grande comédia. Talvez seja exatamente isso que Dante Alighieri tentou nos dizer há mais de 500 anos atrás, quando compôs a Divina Comédia Humana, cuja principal temática reside na forma irônica como o autor descreve o mundo criado por nós.

Quando nos permitimos a essa linha de raciocínio, percebemos de maneira nítida, aquilo que realmente somos: ENTIDADES DIVINAS, que possuem em sua essência todo o conhecimento que vivemos buscando. ENTIDADES que são por natureza iluminadas e altamente capazes de tudo, até mesmo de criar o mundo, a realidade que vivemos.

Tenho um outro exemplo que pode ser útil nessa compreensão. Preste a atenção quando você está aprendendo algo, quando alguém, um professor ou mesmo qualquer um está passando um conhecimento para você. Se você perceber bem, notará que, por uma fração de segundo, você tem a sensação de que já sabia tudo isso, a impressão que temos é de que aquela pessoa está na verdade nos ajudando a lembrar do que já sabíamos.

Porém, esse conhecimento a que me refiro, não está em nosso bando de dados “memória” mas sim, esse conhecimento está e sempre esteve em sua essência maior. Esse talvez seja o maior de todos os conflitos que o homem carrega nisso que ele aprendeu a conceituar de vida. Nós até que tentamos aceitar o conceptualismo, mas quando tentamos buscar o nosso verdadeiro conhecimento, o fazemos com base na memória física que possuímos.

E, feliz ou infelizmente, eu ainda não sei, nessa memória, está apenas tudo que nos foi colocado desde que nascemos. É evidente que nela, nessa memória, o nosso conhecimento é extremamente limitado de acordo com os conceitos do meio em que vivemos.

segunda-feira, 1 de outubro de 2007

Conceptualismo – O Segredo de Deus – XXIII continuação...


Depois de passearmos um ouço com alguns pensadores da nossa história, voltamos as nossas reflexões, onde com base em evidências vamos tentar elucidar mais um pouco essa fantástica teoria.

Todos esses estudiosos, tem em comum, dentre tantos pontos de vista, um em especial que se refere a falta de provas conclusivas sobre a nossa existência real, assim como não temos essas mesmas provas de que o conceptualismo é verdadeiro, não temos também as evidências necessárias para provarmos que existimos na vida real.

Como ficou claro, analisando alguns pensadores, tudo que entendemos como real, só é assim, devido aos conceitos que fazemos em relação a tudo. Porém, também ficou evidente, que esses conceitos são falhos e dependem, todos eles, de uma gama variável de estados que fogem explicitamente do nosso entendimento.

Que algo é bonito ou feio, depende de um conceito, de um estado de espírito, de um momento em particular. Do mesmo jeito que não podemos definir com exatidão o que é o belo ou não, não podemos dizer, afirmativamente se sequer existe de verdade.

Então você deve estar se questionando:

- Mas, eu existo! Eu sinto o meu corpo, eu sinto dor, prazer, alegria e tristeza!

- Como algo que possa ser irreal é capaz de despertar esses sentimentos?

Se você estiver sentado ou andando e soltar um pouco a sua imaginação, seja pelo caminho que você escolher, você pode experimentar qualquer uma dessas sensações sem o menor esforço. A mente humana é plenamente capaz de fazer você vivenciar qualquer tipo de sentimento, sem que os fatos em si tenham que acontecer.

Um exemplo típico é a famosa palavra que todos estamos cansados de conhecer, a famosa PREOCUPAÇÃO. Analisando a própria palavra, PRÉ-OCUPAÇÃO vemos que na verdade, nos antecipamos a um fato que ainda não ocorreu, porém, estamos com isso sofrendo antecipadamente, gerando sentimentos de ansiedade, tristeza, alegria, ou outro qualquer condizente com a nossa preocupação.

Quero mostrar com isso, que o fato real em si, não precisa acontecer para que os sentimentos despertem e se mostrem a nós. De que, não é necessário viver esse ou aquele acontecimento para percebermos a existência das sensações, inclusive a sensação de que existimos no mundo real.

Como já foi dito anteriormente, toda essa linha de raciocínio mostra-se demasiadamente radical para todos nós que crescemos impregnados de conceitos contrários a tudo isso. Sinceramente, para os grandes sábios da nossa história, deve ser divertido ver o ser humano vivendo uma experiência ilusória aqui nesse meio e sofrendo, se preocupando com tudo isso como se fosse realmente verdadeiro.