A sabedoria de caminhar com o inesperado ...
Sábado, 27 de dezembro de 2025
Se existe
algo que ainda consegue abalar a minha paz, é o inesperado. Com o tempo, fui
entendendo o motivo. Como quase todo ser humano, tenho uma tendência natural a
buscar o previsível, aquilo que já conheço, os caminhos que não exigem muito
esforço e que me mantêm dentro de uma falsa sensação de segurança.
Busco o
conforto da rotina, da repetição, daquilo que parece controlável. Mas a vida
não funciona assim. A própria natureza nos mostra, o tempo todo, que tudo está
em movimento. Nada permanece igual por muito tempo. A estagnação não é um
estado natural da existência.
Assim como o
sangue perde sua função quando para de circular, a vida também perde o sentido
quando tentamos congelá-la. Percebi, então, o quanto minha espiritualidade
ainda era ingênua. Até nas minhas orações, eu pedia caminhos tranquilos, sem
obstáculos, como se isso fosse compatível com a dinâmica da vida.
A vida não
segue em linha reta. Ela avança em curvas, desvios e surpresas. E foi doloroso
perceber que, quanto mais eu resistia às mudanças, mais sofrimento eu criava
para mim mesmo. Resistir não me protegia; apenas me aprisionava.
A partir
dessa compreensão, algo mudou. Passei a enxergar como essencial aprender a
acolher o inesperado — e, quem sabe, até apreciá-lo. Hoje, tenho apenas uma
certeza: tudo muda, o tempo todo, e isso é parte da sabedoria da vida.
O rio não
deixa de correr. Cabe a mim decidir se vou lutar contra a corrente ou aprender
a seguir com ela. A verdadeira paz não está na ausência de mudanças, de problemas, mas na
capacidade de caminhar em harmonia com tudo isso.
"Se
essa mensagem tocou você, compartilhe com quem pode estar precisando."
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