Pare: você precisa viver um pouco ...
Quinta-feira,
16 de outubro de 2025
Se a vida
fosse uma maratona, estaríamos todos exaustos, com o olhar fixo na linha de
chegada que raramente chega. Corremos, sim, e corremos muito.
Corremos
atrás da promoção, do carro novo, da viagem dos sonhos, da casa perfeita, do status
ideal. Transformamos a existência em um eterno "em busca de...", numa
frenética caçada ao que nos falta (mas, será que falta mesmo?).
E no meio
desse furacão de ambições e metas, o que acontece com o aqui e o agora? Onde
fica o oxigênio da vida que já está acontecendo?
O paradoxo é
cruel: dedicamos a vida a acumular recursos para um futuro que, quando chegar,
nos encontrará esgotados e incapazes de desfrutá-lo. Tropeçamos no óbvio,
ignorando a vastidão da grama que já está sob nossos pés.
Muitos de nós
vivem uma "vida por procura", delegando a felicidade ao futuro ou a
conquistas externas.
... "Serei
feliz quando..." (eu me aposentar, eu mudar de emprego, meus filhos
crescerem, eu pagar todas as contas).
... "Vou
descansar depois que..." (terminar o projeto, bater a meta, o ano acabar).
Essa
procrastinação da felicidade é a negação do sentido da vida. É como comprar um
bilhete para a mais bela das viagens e passar todo o tempo olhando para o mapa,
planejando a próxima parada, sem sequer erguer os olhos para a paisagem que se
desenrola na janela.
O que já
possuímos não é só material, mas a riqueza intangível do presente:
— A Saúde: A
capacidade de respirar, de caminhar, de sentir, que tratamos como commodity
até que falte.
— Os Afetos:
O riso de um filho, o abraço de um amigo, a paciência de um parceiro. Os laços
que nos sustentam e nos dão razão para continuar, e não apenas para chegar.
— A
Simplicidade: O sabor de uma xícara de café, o calor do sol na pele, a
tranquilidade de uma leitura. Pequenos atos de ser que são eclipsados pelo
estrondo dos grandes objetivos.
A vida não é
uma poupança que só pode ser usada na velhice; é uma conta corrente que precisa
de saques diários. Viver é prestar atenção. É deixar de lado o piloto
automático que nos faz correr e assumir o comando manual do momento.
Filosofar é,
em essência, aprender a viver bem. Não se trata de abandonar os objetivos —
eles dão direção —, mas sim de integrar a jornada. A linha de chegada só tem
valor se você notar as flores e os espinhos do caminho.
Se você está
lendo isso agora, pare. Dê um zoom in no momento. Sinta o peso do corpo
na cadeira, o cheiro no ar, o som ambiente. Esse é o seu tesouro inegociável.
Esse é o instante que, em sua plenitude, anula toda a pressa e todo o vazio.
O sentido da
vida não é um ponto distante a ser alcançado; é a linha contínua que
traçamos a cada segundo que escolhemos, de fato, estar vivos.
Qual pequena
parte da sua vida, que você já possui, você vai escolher vivenciar hoje?
"Se
essa mensagem tocou você, compartilhe com quem pode estar precisando."
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