Como calar a mente na hora de dormir ...
Amigos, bom dia,
Dando continuidade com textos
mais longos, conforme solicitado, segue mais dos grandes problemas que algumas
pessoas experimentam.
A dificuldade em silenciar a mente,
especialmente na hora de dormir, está relaciona com o conceito junguiano da
"tirania do ego consciente".
Segundo Jung, essa parte racional da
mente se recusa a descansar por acreditar que, se parar de vigiar, o mundo
desabará. Quanto mais se tenta controlar a mente, mais ela se rebela, e a paz
não é encontrada lutando contra os pensamentos, mas aprendendo a "dançar
com eles".
Jung descobriu que o sono profundo é
um retorno ao "self", o verdadeiro eu, um lugar sem pressa,
julgamento ou medo, que existe antes dos problemas e preocupações. A insônia,
muitas vezes, não é sobre o sono em si, mas sobre o que se encontra ao parar de
fugir de si mesmo.
A mente consciente atua como um
"porteiro rigoroso", filtrando o que entra e o que fica de fora, mas
à noite, quando esse porteiro descansa, lembranças, sentimentos e sonhos do
inconsciente tentam se comunicar, gerando uma batalha interna.
A percepção revolucionária de Jung
foi que, em vez de lutar, deve-se aprender a escutar o inconsciente,
convidando-o para conversar. Ele chamava isso de "encontro com a própria
sombra", que não é algo ruim, mas a parte da personalidade esquecida ou
reprimida que busca ser vista.
A mente cria distrações e
preocupações para evitar olhar para dentro, um processo que Jung denominou
"fuga da individuação" – o caminho para se tornar quem realmente se
é. O sono, nessa visão, é um portal para a transformação, onde a consciência e
o inconsciente podem se encontrar.
Para transformar a hora de dormir em
um "encontro sagrado", Jung desenvolveu a técnica da
imaginação ativa. Não se trata de visualização ou meditação tradicional,
mas de permitir que imagens, sensações e símbolos surjam ao fechar os olhos, e
então dialogar com eles. A mente não consegue descansar porque tenta resolver
problemas sem solução racional; o inconsciente, por outro lado, pensa em
imagens e possui uma sabedoria própria que guia para a cura e o sono profundo
quando é escutado.
A aplicação prática dessa técnica
envolve um ritual noturno:
1 - Criar o ambiente certo: Sinalizar
para a psique que é um momento especial de conexão, acendendo uma vela,
escrevendo algumas palavras sobre o dia ou respirando profundamente.
2 - Deitar-se e fechar os
olhos sem forçar o sono: Em vez de tentar dormir, convidar a mente a
mostrar o que precisa ser visto, perguntando: "O que está aqui comigo
agora? O que precisa ser visto?".
3 - Conversar com o que
aparece: Dialogar com preocupações, imagens, sensações ou lembranças,
perguntando o que elas querem dizer ou do que precisam. Essa "voz ao
inconsciente" faz a mente parar de lutar, pois se sente ouvida.
Jung concluiu que a psique nunca
trabalha contra a pessoa, mas sempre para a cura, mesmo quando parece sabotar o
descanso. As inquietações noturnas são mensagens da alma, mostrando valores
profundos, necessidades de cuidado ou a importância da vida.
Ao tratar a mente com compaixão, ela
se acalma, confia e o sono reparador vem naturalmente, levando a um despertar
mais íntegro e conectado com o verdadeiro eu.
"Se essa mensagem tocou você, compartilhe com quem
pode estar precisando."

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