A ilusão do "tudo vai dar certo" ...
Sexta-feira, 25 de julho de 2025
Posso dizer que estou trilhando um
novo caminho, ou talvez revisitando um antigo, mas com um nível de
discernimento que antes me faltava. Refiro-me ao que conhecemos como
"pensamento positivo" ou "otimismo" — aquela crença arraigada
de que, no final, "tudo vai dar certo".
Hoje, percebo que a realidade não é
tão simples. Se essa mentalidade realmente funcionasse, um número ínfimo de
pessoas sofreria decepções, acidentes, catástrofes ou separações.
Afinal, ninguém sai de casa pela
manhã esperando um acidente, nem inicia um relacionamento lindo prevendo seu
doloroso fim. Pelo contrário, no início, juramos que ficaremos juntos para
sempre. Existe maior demonstração de otimismo do que essa?
No entanto, a maioria de nós
vivencia o oposto dessa positividade inicial. O que podemos, então, aprender
com isso?
Em primeiro lugar, fomos
terrivelmente programados para pensar e agir dessa forma. Em segundo lugar,
como demonstram diversos estudos, confiar cegamente que "tudo no final
dará certo" nos coloca, inconscientemente, em uma zona de conforto.
Isso nos impede de nos esforçarmos
verdadeiramente para nos preparar e nos desenvolver em busca de nossos
objetivos.
Um estudo com estudantes que fariam
o vestibular para universidades públicas é um exemplo claro: a esmagadora
maioria dos aprovados foi, surpreendentemente, composta por aqueles que menos
acreditavam que passariam, enquanto os mais confiantes, em grande parte,
falharam.
É fácil compreender esses resultados
quando deixamos de lado o pensamento inculcado por aqueles que nos ensinaram
essa positividade exagerada.
Aqueles que tinham dúvidas sobre a
aprovação, sem dúvida, dedicaram-se mais aos estudos do que os que se
consideravam já aprovados.
No esporte, vemos o mesmo padrão,
especialmente em modalidades coletivas. O time que entra em campo com alguma
vantagem, convencido de que "já ganhou", quase sempre acaba
perdendo.
Para onde foi, então, toda aquela
energia positiva e o otimismo inicial?
Fazendo uma retrospectiva da minha
própria vida, sempre fui fiel a essa crença, proferindo-a quando possível, até
mesmo com a pura intenção de aliviar a tensão de outras pessoas: "Não se
preocupe, no final tudo dá certo!".
Bonito, não? Um claro sinal de
otimismo, fé e esperança em um futuro melhor. Agora, no entanto, depois de
recapitular alguns dos meus maiores fracassos, preciso admitir que estava
errado.
Hoje, vejo claramente que devo sim
esperar pelo melhor, mas jamais ignorar a possibilidade de que algo (ou tudo)
possa dar errado.
A existência dessa condição de que
"algo pode dar errado" me prepara, de certa forma, para um
"plano B". Com aquela "fé cega" e absoluta, eu sequer
admitiria essa possibilidade, pois a certeza do sucesso me levaria a "baixar
a guarda" e não prestar atenção suficiente em meus passos. E é exatamente
aí que cometemos os erros e deslizes que colocam tudo a perder.
Pode não parecer, mas essa mudança
de perspectiva está transformando tudo em minha vida. Essa nova postura altera
muitos dos conceitos básicos que, até então, direcionavam meus passos, e onde
os resultados nem sempre eram satisfatórios.
"Se essa mensagem tocou você, compartilhe com quem
pode estar precisando."
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