Ouvir primeiro, contradizer depois: a falência do diálogo ...
Quinta-feira, 19 de setembro de 2024
Infelizmente, a dinâmica da escuta
no diálogo contemporâneo parece estar profundamente comprometida. A grande
maioria de nós, ao invés de buscar a verdade ou o entendimento mútuo, engaja-se
no ato de ouvir já com a antítese pronta, preparando a réplica que visa a
contrariar, a refutar, e não a acolher ou a aprofundar a ideia do outro.
Essa postura revela uma falha
estrutural na nossa capacidade de comunicação. O diálogo se transforma num
embate de monólogos, onde cada um espera apenas a pausa do interlocutor para
projetar a própria voz. Não se trata de uma simples pressa, mas de uma recusa
em suspender o juízo, um medo de que a compreensão genuína possa desestabilizar
a nossa própria certeza.
Se praticássemos a escuta com a
genuína intenção de compreender primeiro — de penetrar na lógica e no universo
conceitual do outro, seguindo o princípio hermenêutico da benevolência —, a
complexidade dos nossos problemas diminuiria drasticamente. A compreensão
antecede o dissenso.
Somente ao entender verdadeiramente,
podemos concordar com fundamento ou discordar com precisão, elevando o debate
para além da mera disputa e restaurando o sentido filosófico e civilizatório da
palavra.
"Se essa mensagem tocou você, compartilhe com quem
pode estar precisando."
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