O rosto revelado: conheço uma pessoa quando não atendo seu desejo ...
Sábado, 28 de setembro de 2024
Com o tempo, a jornada do
autoconhecimento revelou um paradoxo fundamental na arte de conhecer o outro: a
verdadeira descoberta só se inicia quando desisto da função de agente de
satisfação.
Enquanto eu atendia aos interesses e
expectativas alheias, eu não via a pessoa; via apenas a minha projeção
idealizada dela ou, pior, o seu reflexo moldado pelo meu esforço em agradar. A
relação era uma troca de máscaras, onde o outro se sentia confortável em
permanecer em sua persona social, nunca expondo seu autêntico "eu".
A grande epifania reside em
estabelecer o limite. Ao me retirar da posição de servo e recusar-me a
preencher o vazio das expectativas, forcei, eticamente, a manifestação da alteridade.
É nesse momento de fricção — quando a satisfação não é mais garantida e o querer
do outro é frustrado — que a sua essência se desvela.
O verdadeiro caráter, a
vulnerabilidade e a autenticidade de alguém não se revelam na complacência.
Eles emergem na reação à recusa. Parar de agradar é, portanto, um ato corajoso
de liberdade relacional, um convite irrecusável para que o outro, finalmente,
se apresente sem o filtro dos meus serviços. Só então posso dizer que comecei,
de fato, a conhecê-lo.
"Se essa mensagem tocou você, compartilhe com quem
pode estar precisando."
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