A ilusão da vida curta: o problema não é o tempo, é a atenção ...

Domingo, 29 de setembro de 2024

Há um lamento universal sobre a brevidade da vida, como se o tempo nos fosse imposto em uma medida mesquinha. Mas, filosoficamente, questiono essa máxima. A vida não é curta; ela é, na verdade, uma dádiva de extensão perfeitamente suficiente para o florescimento pleno do ser.

O que nos leva a essa percepção de escassez é o flagrante desperdício. Não se trata do tempo cronológico que passa, mas do tempo existencial que negligenciamos.

Em vez de investir nossa energia naquilo que constrói significado, propósito e virtude — a verdadeira substância da existência —, nós a dissipamos em uma espiral de trivialidades, preocupações vazias e buscas incessantes por validação externa.

É o excesso de ocupações sem importância, a ansiedade pelo futuro e o apego ao passado que nos roubam o único tempo real que possuímos: o presente. Quando olhamos para trás e a vida parece ter escoado rapidamente, o que lamentamos não é a sua duração, mas a falta de intensidade e a ausência de presença nos momentos que se foram.

A vida é longa o bastante para quem sabe o que fazer com ela. A urgência, portanto, não está em prolongar os anos, mas em resgatar cada instante, dedicando-o ao que é essencial.

 

"Se essa mensagem tocou você, compartilhe com quem pode estar precisando."

m. trozidio

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