Do lamento à celebração: a evolução da oração ...

Domingo, 25 de agosto de 2024

Confesso que a minha relação inicial com a transcendência era marcada pela utilidade, e não pela devoção pura. Minha memória da oração era estritamente reativa: eu só me lembrava de buscar o divino nos momentos de crise aguda, quando a fragilidade humana se chocava com a gravidade de um problema. A prece era, sobretudo, um grito de socorro, uma negociação desesperada no limiar do sofrimento.

Hoje, após um aprendizado mais profundo sobre o ritmo e a generosidade intrínseca da existência, percebi a insuficiência dessa abordagem. A vida me ensinou que a verdadeira espiritualidade não reside na súplica emergencial, mas no reconhecimento constante.

O ciclo se inverteu: agora, a oração primordial é a da gratidão. Rezo não apenas pedindo pela ausência da dor, mas agradecendo pela plenitude silenciosa que frequentemente ignoramos. Agradeço pela alegria que reside no cotidiano e pela abundância que se manifesta, não apenas em bens materiais, mas na dádiva ininterrupta da respiração, da razão e da beleza do ser.

Esta nova forma de comunhão é uma afirmação da presença divina no aqui e agora. É a aceitação de que a graça não é um evento raro, mas o pano de fundo constante de toda a realidade. A oração da gratidão transforma a existência de um campo de batalha em um vasto e contínuo altar.

 

"Se essa mensagem tocou você, compartilhe com quem pode estar precisando."

m. trozidio

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