A medida do contraste: o vazio da tristeza e a capacidade da alegria ...
Segunda-feira, 26 de agosto de 2024
Há paradoxos na experiência humana
que, de tão recorrentes, adquirem a força de verdades existenciais. Uma delas
reside na íntima e surpreendente relação entre a dor e o êxtase. É uma regra do
espírito: quanto maior for a profundidade da tristeza capaz de nos acometer e
nos esvaziar, maior será a capacidade de alegria que caberá em nossos corações.
Este não é um mero clichê otimista;
é a constatação da dialética da alma. O sofrimento intenso não apenas testa
nossos limites, mas também expande o nosso reservatório emocional. A dor
profunda escava um espaço interno, antes ocupado por trivialidades e certezas
superficiais, criando um vazio necessário.
Quando a alegria retorna — seja na
forma de um alívio sutil ou de uma celebração ruidosa —, ela encontra um
receptáculo ampliado. Aquele que nunca conheceu a escuridão não pode medir a
intensidade da luz. A resiliência forjada na tristeza aprimora a percepção;
passamos a valorizar o ordinário e o efêmero com uma gratidão que o indivíduo
intocado pela dor jamais conseguiria sentir.
A tristeza, assim, atua como uma medida
de contraste, qualificando a felicidade que virá. Ela não é o fim, mas a
preparação, a semente que, ao se desintegrar, promete a flor mais majestosa.
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