O vazio necessário: o segredo socrático para o conhecimento ...
Sexta-feira, 16 de agosto de 2024
O passo inaugural no caminho da
filosofia não é a aquisição de novos saberes, mas a rejeição radical da
presunção do que julgamos já conhecer. Para ingressar verdadeiramente no
pensamento filosófico, tive de enfrentar e desmantelar o edifício das minhas
certezas pré-concebidas.
É uma barreira intransponível: é
logicamente impossível iniciar o aprendizado de algo cuja completude já se crê
dominar. A arrogância do "saber" opera como um véu, fechando-nos para
a vasta e inexplorada paisagem do desconhecido. O pensamento, nessas condições,
torna-se estéril, repetindo velhas fórmulas em vez de gerar novas questões.
Esta atitude de profunda humildade
intelectual é o cerne do legado de Sócrates. Sua célebre máxima, "Só sei
que nada sei", não é uma declaração de ignorância, mas um método. É o
reconhecimento sofisticado de que o verdadeiro conhecimento começa apenas onde
termina a ilusão da posse.
Ao esvaziar a mente de velhas
convicções, criamos o "vazio necessário" — o espaço fértil para a
admiração, a dúvida metódica e a busca incessante pela verdade. Despir-se do
saber é, paradoxalmente, a única forma de começar a filosofar.
"Se essa mensagem tocou você, compartilhe com quem
pode estar precisando."
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