O paradoxo do desejo: entre o esforço e a confiança ...

Sábado, 13 de julho de 2024

Na experiência humana, o desejo ardente frequentemente se revela um paradoxo. Quanto maior a aspiração por algo, mais a energia dessa vontade se manifesta em nós como tensão e desespero. 

Não é a meta em si que gera o sofrimento, mas a nossa insistência em controlarmos a totalidade do processo e do timing de sua manifestação. Nessa fixação egoica, a busca vira uma carga, e a expectativa, uma fonte invariável de angústia.

Com o tempo e a reflexão, a sabedoria surge na arte da entrega. Não se trata de uma passividade ingênua, mas de um reconhecimento da nossa limitação de controle. Aprendi que é fundamental dividir o fardo do desejo com o que chamo de Universo — o fluxo, o Tao, a Providência ou o princípio organizador da vida.

Essa divisão não exige que o Cosmos realize o trabalho por nós. Pelo contrário, exige nossa ação dedicada. Contudo, ela nos liberta do despotismo da vontade. Ao nos desvencilharmos da obsessão pelo resultado, abrimos espaço para que a sincronicidade e as oportunidades se manifestem.

O Universo não faz tudo; ele nos proporciona a sustentação e o ritmo. É nesse ponto de equilíbrio, entre o esforço humano e a confiança cósmica, que encontramos a serenidade necessária para que nossos objetivos floresçam sem nos destruir pela impaciência.

 

"Se essa mensagem tocou você, compartilhe com quem pode estar precisando."

m. trozidio

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