O bosque visto apenas como lenha: a cegueira do utilitarismo ...
Sábado, 04 de novembro de 2023
Leon Tolstói sintetizou, com
genialidade, a tragédia da insensibilidade moderna: “Há quem passe por um
bosque e só veja lenha para fogueira.”
Esta frase transcende a crítica à
falta de apreço pela natureza; ela é um diagnóstico da nossa cegueira
utilitária. Para muitos, o mundo se reduz a uma coleção de recursos a serem
explorados ou de objetos a serem consumidos. O olhar pragmático, embora
funcional, rouba a profundidade e a magia da existência.
A insensibilidade que Tolstói aponta
é a incapacidade de ver a totalidade. O bosque, em sua essência, é um
ecossistema complexo, um santuário de vida, um convite à contemplação e um
símbolo de eternidade. No entanto, o indivíduo utilitarista, movido pela
necessidade imediata ou pelo lucro, o achata em sua função mais crua: a de mero
combustível.
O verdadeiro drama, portanto, é a pobreza
da alma. Reduzir o mundo à lenha é sinal de uma mente que perdeu a capacidade
de maravilhar-se e de reconhecer o valor intrínseco das coisas, que é
independente de sua utilidade. A tarefa do filósofo, hoje, é reaprender a ver o
bosque, desapegado da pressa de acender a fogueira.
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pode estar precisando."
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