O inexorável "eu": por que você sempre viaja com seu mais antigo companheiro ...

Quinta-feira, 31 de agosto de 2023

Acordar em Lisboa e adormecer na Irlanda é um convite à reflexão sobre a natureza do ser e o paradoxo da mudança. A mobilidade geográfica me permitiu comprovar a máxima que muitos filósofos defendem: não importa a latitude, o “eu” é o único passageiro inevitável. Eu sempre levo o meu "eu" comigo.

Contudo, seria ingênuo negligenciar a influência sutil dos diferentes lugares. O ambiente é um catalisador que ressoa com camadas profundas da nossa identidade. 

Aqui na Irlanda, mais precisamente em Castlebar, ao caminhar pela cidade, sinto uma ressonância melancólica — a lembrança de um passado que teoricamente não vivi, mas que, por intermédio desses sentimentos, me conecta às minhas origens longínquas.

Sei que essa percepção toca em questões altamente polêmicas, que tangenciam a memória ancestral ou, para alguns, a reencarnação. Mas a filosofia não pode negligenciar a verdade que emerge do coração. O que sentimos — essa intuição profunda de pertencimento ou memória — é um dado primário que merece ser explorado. O ser é constante; o lugar, contudo, tem o poder de despertar as memórias mais silenciosas da alma.

 

"Se essa mensagem tocou você, compartilhe com quem pode estar precisando."

m. trozidio

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