Investigando as raízes do sofrimento ...

Segunda-feira, 04 de março de 2019

A Raiz do Sofrimento: uma investigação filosófica

Buda dizia que o desejo é a raiz do sofrimento. Esse postulado está absolutamente correto, mas qual é a raiz do desejo? Ele não pode ser a causa primária, já que também tem uma causa.

Para darmos início a essa investigação, precisamos entender por que temos desejos. E a resposta é simples: desejamos por não estarmos felizes com o que temos, com o que somos, com o que experimentamos. Ao nos sentirmos angustiados, é natural que criemos desejos e anseios.

O desejo é sempre uma compensação e, muitas vezes, é usado como um sedativo. O desconforto da alma pode ser neutralizado com o prazer, e como tudo que desejamos é ter uma vida prazerosa, o desejo se torna o pai de todos os nossos vícios. Muitas vezes, confundimos isso com a felicidade, sem perceber que, na verdade, estamos apenas em fuga, fugindo de um desconforto que, quase sempre, desconhecemos.

Nesse caso, a raiz do sofrimento não é mais o desejo, mas sim o desconforto, pois é ele que o cria.

Descemos mais um degrau, mas não é o suficiente. O desconforto também tem uma fonte, e para prosseguir nesta investigação, precisamos conhecê-la.

Todo desconforto humano é provocado pelo medo, um ser camaleônico capaz de se apresentar sob diversas formas. O medo pode aparecer sob o manto da timidez, da vaidade, do orgulho, da ambição, da ansiedade, da carência, e inúmeros outros vícios mentais. Ele é capaz de usar várias máscaras.

O medo é a causa de todo e qualquer desconforto humano. Mas, afinal, qual é a causa do medo? Já se perguntou por que esse gigante da alma é tão poderoso?

Ninguém teme aquilo que conhece; nós tememos apenas o que desconhecemos. Portanto, encontramos a causa do medo: a ignorância. Não é óbvio que, quando compreendemos algo, quando aprendemos como funciona a dinâmica de um fenômeno, o medo pura e simplesmente desaparece?

A raiz do sofrimento, a partir dessa investigação, descendo mais um degrau, portanto, não é mais o medo, mas sim a ignorância. Somos ignorantes de nossa verdadeira natureza, e é por isso que sofremos e vivemos uma vida de escravidão dos desejos.

O homem é conduzido para o abismo pelos próprios desejos, hipnotizado pelo prazer e preso nas sensações grosseiras da matéria. Esse é seu ponto fraco, e a partir dessa fragilidade ele se torna manipulável. Para atrair um animal para a armadilha, precisamos seduzi-lo com algo que ele goste. Simples assim.

Prazer e dor são faces da mesma moeda; tudo, na realidade, é dor. Até mesmo para sentir prazer, o indivíduo precisa ser envolvido por sensações que, muitas vezes, são provocadas por algum tipo de agressão. A bebida precisa arder, a fumaça do cigarro que entra a 80 ºC no pulmão precisa queimar para dar prazer, a fricção no ato sexual precisa acontecer. Prazer e dor, eis o binômio.

O que seria a vida sem o prazer? Seria uma vida de bem-estar. Beber te dá prazer; não beber te traz um bem-estar. Fumar te dá prazer; não fumar te traz um bem-estar, e assim por diante. O caminho da realização é sempre o caminho da renúncia. O grande problema da alma humana, portanto, é a ignorância. A ignorância é a ausência de luz, de conhecimento. Enquanto não desenvolvermos nossa consciência, seremos conduzidos por nossos desejos.

Entende agora por que foi dito: “Conhecerás a Verdade e ela vos libertará”?

 

"Se essa mensagem tocou você, compartilhe com quem pode estar precisando."

m. trozidio

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