segunda-feira, 28 de novembro de 2016

Mais um devaneio...

Amanheceu! 
O mar, como um enorme espelho cristalino, mostra-se calmo e tranquilo. O ar fresco da manhã, úmido, invade minhas narinas procurando libertar meus pensamentos agrilhoados ao tempo. Em resposta, adiante, algumas gaivotas, dançam mais livres do que nunca o seu voo mágico, encantador, na busca pela continuidade.
Respiro fundo, jogo a cabeça para trás, tencionando a nuca, procurando entender um pouco mais tudo isso. Percebo um certo esforço do Sol, em se mostrar à Terra, mas nuvens robustas, lhe negam passagem. O mar continua calmo. Parece que ele procura, de certa forma, envolver-me em seus movimentos contínuos e encantadores.
Conforme continuo caminhando, a areia massageando os meus pés, paralelamente os pensamentos persistem. Olho para trás, olho para frente, olho para os lados e não vejo ninguém. O vento tocando o meu rosto, os meus ouvidos, parece querer me dizer algo, alguma coisa que eu nunca entendi.
Uma onda um pouco mais forte chega aos meus pés. A sensação da água fria, tenta me acordar, me despertar de um sonho acordado de toda essa grande ilusão. Mas, com as raízes do passado, com os mórbidos conceitos sociais, não consigo libertar os meus pensamentos dessa força magnética que tenta, de todas as formas, me arrastar, me envolver e me digerir nessa corrente coletiva.
Percebo toda essa natureza, com todo seu sincronismo matemático, em perfeita harmonia, divergir de forma radical ao filme que se passa dentro de mim. Procuro ainda assim, mais uma vez arremeter meus pensamentos além das fronteiras arqueadas pelo meio; um lampejo, um flash, um suspiro de verdade surge lá no horizonte. Imediatamente a felicidade brota das entranhas da minha alma, como um veio de água fresca em pleno deserto, dispersando as nuvens de ébano, brilhando com o Sol da manhã e toda sua plenitude, deixando meu coração feliz.
Como por encanto acontece, por encanto termina. Quando lançado à consciência, quando vibrando com toda essa luz, essa plenitude, as raízes dos limites, a imposição do meio com seus milhões de braços e mãos, me puxam de volta, torturando-me pela ousadia implícita do pensar diferente, castigando-me com a solidão de ficar só em meio à multidão. Torno a calar meus pensamentos. Torno a mergulhar na tristeza e na amargura da ignorância.
Ainda assim, vejo de forma doce e suave, como esse dia cumpre todo seu ritual ao despertar, prosseguindo, como se tudo que o compreende estivesse em perfeita harmonia, transbordando felicidade.

Essa imagem, parece ficar gravada em minha mente. Sinto que jamais poderei apagar esse quadro, essa pintura da lembrança. E assim prossigo. Assim caminho. Assim penso. E assim, continuo escrevendo...