Eu te compreendo ...
Sexta-feira, 27 de novembro de 2008
Eu Te Compreendo
Eu sei das suas tensões, dos seus vazios e da sua inquietude.
Eu sei da luta que você tem travado em busca de Paz e também das suas
dificuldades para alcançá-la.
Sei das suas quedas, dos seus propósitos não cumpridos, das
suas vacilações e dos seus desânimos. Eu te compreendo.
Imagino o quanto você tem tentado para resolver suas
preocupações profissionais, familiares, afetivas, financeiras e sociais.
Imagino que o mundo, de vez em quando, parece um grande peso que você se sente
obrigado a carregar, muitas vezes sem medir esforços.
Eu conheço as suas dúvidas, as dúvidas da natureza humana.
Percebo como você se sente pequeno quando seus sonhos acalentados desmoronam,
quando suas expectativas não são correspondidas.
E essas inseguranças com o amanhã? E aquela inquietação atroz
em não saber se as pessoas que hoje te cercam ainda estarão com você? De não
saber se reconhecerão seu trabalho, se reconhecerão seu esforço. E, por tudo
isso, você sofre e se sente como um barco sozinho em um mar imenso e agitado.
E eu não ignoro que, muitas vezes, você sente uma profunda
carência de amor. Quantas vezes você pensou em resolver definitivamente seus
conflitos no trabalho ou em casa, mas nem sempre encontrou a receptividade
esperada ou não teve força para apresentar sua proposta.
Eu sei o quanto te doem seus limites humanos e o quanto, às
vezes, parece difícil ter uma harmonia íntima. E não poucas vezes, a descrença
toma conta do seu coração. Eu te compreendo.
Compreendo até suas mágoas, a tristeza pelo que te fizeram,
pela incompreensão, pelas ingratidões, pelas ofensas, pelas palavras rudes que
você recebeu. Compreendo até suas saudades e lembranças. Saudade daqueles que
se afastaram, saudade dos seus tempos felizes, saudade daquilo que não volta
nunca mais.
E os seus medos? Medo de perder o que possui, medo de não ser
bom para aqueles que te cercam, medo de não agradar, medo de que descubram seu
íntimo, suas verdades e suas mentiras, medo de não conseguir realizar o que
planejou, medo de expressar seus sentimentos, medo de que te interpretem mal.
Eu compreendo esses e todos os outros medos que você tem
dentro de si. Sou capaz de entender também seus remorsos, as faltas que
cometeu, o sentimento de culpa pelos erros que praticou na vida. E sei que, por
causa de tudo isso, às vezes você se encontra em um profundo sentimento de
solidão.
É quando as coisas perdem a cor, perdem o gosto, e você se vê
envolto em uma fina camada de indiferença pela vida. Refiro-me àquela sua
sensação de isolamento, como se o mundo inteiro fosse indiferente às suas
necessidades e ao seu cansaço. E, nesse estado, você é envolvido pelo tédio e
cada ação ou obrigação exige um grande esforço.
Eu sei até das suas sensações de estar acorrentado, preso às
normas, aos padrões estabelecidos, às rotineiras obrigações: "Eu gostaria
de... mas eu tenho que trabalhar, tenho que ajudar, tenho que cuidar de, tenho
que resolver, tenho que!".
Eu te compreendo. Compreendo seus sacrifícios. E a quantas
coisas você tem renunciado, de quantos anseios tem aberto mão! E sempre acham
que é pouco... Você tem feito pouca coisa por si mesmo, e sua vida, quase toda
ela, tem sido dedicada a satisfazer outras pessoas.
Sei do seu esforço em ajudar e sei que isso é a semente de
suas decepções. Sei que, nas suas horas mais amargas, até a revolta aflora em
seu coração: revolta com a injustiça, com a falsidade, com a repressão social e
com a desonestidade.
Por tudo isso, você carrega um excesso de tensões, angústia e
ansiedade. Sonha com uma vida melhor, mais calma, mais significativa, e tem
belos planos para o amanhã. Quer apenas um pouco de segurança, seja financeira
ou emocional, e luta por ela. Mas, mesmo assim, suas tensões continuam
presentes.
Você percebe estas tensões em suas insônias ou no sono
excessivo, na falta de fome ou na fome excessiva, na falta de desejo ou no
desejo sexual excessivo. O fato é que você carrega e acumula tensões sobre
tensões: no trabalho, nas exigências, no salário inadequado, na falta de
motivação, nos ambientes tóxicos, na inveja dos colegas. Tensões na família,
nas dependências devoradoras, nas brigas constantes, no desrespeito à sua
individualidade, no controle e na cobrança.
Eu te compreendo, e te compreendo mesmo. E apesar de te
compreender totalmente, quero te dizer algo muito importante.
Mas Não Te Apoio
Escute agora com o coração o que vou te dizer: eu te
compreendo, mas não te apoio. Você é o único responsável por todos estes
sentimentos.
A vida te foi dada de graça e existem em você remédios para
todos os seus males. Se, no entanto, você prefere a autocomiseração em vez de
mobilizar suas energias interiores, então nada posso te oferecer.
Se prefere sonhar com um mundo perfeito em vez de se defrontar
com os limites de um mundo falho e humano, nada posso te oferecer. Se prefere
lamentar o seu passado para encontrar nele desculpas para a sua falta de
vontade de crescer; se optou por tentar controlar o futuro, o que jamais
controlará com todas as suas incertezas; se resolveu responsabilizar as pessoas
que te cercam pela sua incompetência em lidar com os aspectos negativos delas,
em nada posso te ajudar.
Se você trocou o autoapoio pelo apoio e reconhecimento do seu
ambiente, nada posso te oferecer. Se quer ter razão em tudo; se quer obter
piedade pelo que sente; se quer a aprovação integral em tudo que faz; se
escolheu abrir mão de sua própria vida em nome do falso amor, para comprar o
reconhecimento dos outros através de renúncias e sacrifícios, nada posso te
oferecer.
Se você entendeu mal a regra máxima "Amar ao próximo como
a ti mesmo", esquecendo de amar a si mesmo, em nada posso te ajudar.
Se não tem um mínimo de coragem para estar com seus próprios
sentimentos, sejam eles agradáveis ou dolorosos; se não tem um mínimo de
humildade para se perdoar por suas imperfeições; se deseja impressionar os
outros e angariar a simpatia para seus sofrimentos; se não sabe pedir ajuda e
aprender com os que sabem mais do que você; se prefere sonhar em vez de viver,
ignorando que a vida é feita de altos e baixos, nada posso te oferecer.
Se acha que o desespero fará as coisas acontecerem
magicamente; se usa a imperfeição do mundo para justificar as suas; se quer ser
onipotente quando, de fato, é simplesmente humano; se prefere proteção à sua
própria liberdade; se interiorizou desejos torturadores; se deixou que ordens
venenosas como "Apresse-se!", "Não erre nunca!",
"Agrade sempre!" se imprimissem em sua mente; se escolheu atender às
expectativas de todas as pessoas; se é incapaz de dar um não quando necessário,
em nada posso te ajudar.
Se pensa que é possível controlar o que os outros pensam ou
sentem a seu respeito; se quer acreditar que existe segurança fora de você,
repito: Eu te compreendo, mas, em nome do verdadeiro Amor, jamais poderia
apoiar-te!
Se recusa buscar no âmago do seu ser respostas para os seus
descaminhos; se dá pouca importância aos seus sussurros interiores; se esqueceu
a unidade intrínseca dos opostos em nossa vida terrena; se prefere o fácil e
abandonou a paciência para o Caminho; se fechou seus ouvidos ao chamado do
retorno; se perdeu a confiança a ponto de não poder entregar sua vida à vontade
onipotente de Deus; se não quis ver a Luz que vem do Leste; se não consegue
encontrar no íntimo das coisas aquele ponto seguro de equilíbrio no meio de
todas as tormentas e vicissitudes; se não aceita sua vocação de Viajante com
todos os imprevistos e acidentes da Jornada; se não quer usar o tempo, o erro,
a queda e a morte como seus aliados de crescimento, realmente nada posso fazer
por você.
Se aspira obter proteção quando o que precisa é de Liberdade;
se não descobriu que a verdadeira Liberdade e a autêntica Segurança são
interiores; se não sabe transformar a frase "Eu tenho que..." na
frase "Eu quero!", eu não posso te ajudar.
Se quer deixar que o fantasma do passado continue a fechar
seus olhos para a infinitude do seu aqui e agora; se quer que o fantasma do
futuro te coloque em posição de luta com o que ainda não aconteceu; se optou
por tratar a si mesmo como a um inimigo, eu não posso te ajudar em nada.
Se te falta capacidade para ver a si mesmo como alguém que
merece, da sua própria parte, os maiores cuidados e a maior ternura; se não se
trata como sendo a semente do próprio Deus, eu nada posso fazer.
Se deseja usar seus belos planos de mudar, de crescer, de
realizar, como instrumentos de autotortura; se acha que é amor o apego que você
cultiva por seus parentes e amigos; se quer ignorar, em nome da seriedade e da
responsabilidade, a criança brincalhona que habita em você, lamento, eu nada
posso fazer.
Se você alimenta a vergonha de se enternecer diante de uma
flor ou de um pôr do sol; se, através da lamentação, recusa a vida como dádiva
e como graça, não posso te apoiar.
Mas, se apesar de todo o sono, você quer despertar; se apesar
de todo o cansaço, quer caminhar; se apesar de todo o medo, quer tentar, se
apesar de toda a acomodação e descrença, quer mudar, aceite então esta proposta
para a sua Felicidade:
A raiz de todas as suas dificuldades são seus pensamentos
negativos. São eles que te levam para as dores das lembranças do passado e para
a inquietação do futuro. São esses pensamentos que te afastam da experiência de
contato com seu próprio corpo, com o seu presente, com o seu aqui e agora e,
portanto, te distanciam de seu próprio coração.
Você tem presente agora as suas emoções? Você tem presente
agora o fluxo da sua respiração? Você tem presente agora a batida do seu
coração? Você tem agora a consciência do seu próprio corpo?
Este é o passo primordial. Seu corpo é concreto, real,
presente, e é nele que o sofrimento deságua e é a partir dele que se inicia a
caminhada para a Alegria. Somente através dele se encaminha o retorno à Paz.
Jamais você resolverá seus problemas somente pensando neles.
Comece do mais próximo, comece pelo corpo. Através dele, chegará ao seu centro,
ao seu vazio, àquele lugar onde a semente germina.
Através da consciência corporal, você galgará caminhos jamais
vistos, entrará em contato com seus sentimentos, perceberá o mundo tal como é e
agirá de acordo com a naturalidade da vida.
Assuma seu corpo e seus sentimentos, por mais dolorosos que
sejam; assuma e observe-os, simplesmente observe-os. Não tente mudar nada, seja
apenas a sua dor. Preste atenção, não negue a sua dor. Para que fingir estar
alegre se está triste? Para que fingir coragem se está com medo? Para que
fingir amor se está com ódio? Para que fingir paz se está angustiado?
Não lute contra seus sentimentos, fique do seu próprio lado,
deixe a dor acontecer, como deixa acontecer os bons momentos. Pare, deixe que
as coisas sejam exatamente como são. Entre em seus sentimentos sem julgá-los,
não fuja deles, não os evite, não queira resolvê-los escapando deles – depois
você terá de se encontrar com eles novamente, é apenas um adiamento, uma
prorrogação.
Torne-se presente, por mais que doa. E, se assim fizer, algo
de muito belo acontecerá! Assim como a noite veio, ela também se irá e então
você testemunhará o nascer do dia.
Se assim fizer, poderei te dizer que então: Eu te compreendo e
que, assim, você tem todo o meu apoio! E verá, com muita alegria, que
justamente agora já não precisa mais do meu apoio, pois o foi buscar dentro de
si e o encontrou dentro da sua própria dor! A causa é interior.
O homem traz a semente de sua vida dentro de si mesmo. O que
quer que lhe aconteça, acontece por sua própria causa. As causas externas são
secundárias; as causas internas são as principais.
"Se
essa mensagem tocou você, compartilhe com quem pode estar precisando."
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