Pense um pouco em tudo isso ...

Sábado, 31 de outubro de 2008

A Ordem Universal

Era uma vez um homem que cultivava a modéstia. Não porque desconhecesse as coisas, mas, pelo contrário, porque sabia muito. Suas palavras simples e serenas expunham, com perfeição, as mazelas que afligiam o povo e a nação.

Se você acredita em Deus, então ele existe.

A palavra "Ordem" aqui tem um sentido de Lei. Não uma lei comum, mas uma Lei de cuja origem não se tem notícia, que funciona desde antes que o mundo fosse mundo, ou o Universo fosse Universo.

Uma lei feita pelo homem pode ser justa ou não, certa ou errada. Pode inclusive ser obedecida ou não. Uma lei natural, como a da gravidade, tem um alcance maior. Ela atua, ao que se saiba, em todo o Universo.

Mas, o que é gravidade? Gravidade é a Ordem que determina que tudo que for solto no ar caia na terra, ou seja, o corpo maior sempre atrairá um corpo menor. Nenhum planeta pode deixar de cumpri-la. Nenhuma galáxia deixará de sentir sua mão forte. No entanto, a gravidade não se aplica a certas coisas mais sutis, como o pensamento. Não temos conhecimento de uma balança que marque o peso de uma ideia.

Uma Ordem tem outra conotação: ela se aplica a tudo o que existe — gente, animais, pensamentos e estrelas. Ninguém pode desconhecê-la, porque ela está acima de qualquer coisa.

Ela não manda, nem os outros a obedecem. Uma Ordem não é uma Lei. De alguma forma foi estabelecido que assim fosse. Não importa quem estabeleceu; digamos, simplesmente, que uma Ordem é assim por definição. Nada escapa a essa Ordem. A Ordem estava presente antes do começo e estará depois do fim. A Ordem atua no passado, no presente e no futuro ao mesmo tempo.

Imagine o Universo e todos os seus fatos amarrados como uma imensa rede de pesca. Esta rede se estende em todas as direções, em todos os níveis e em todos os tempos. Como cada fato está em um nó, todos os pontos mantêm algum tipo de relação. É o Tao que mantém a unidade desta fantástica rede.

 

Cosmos vs. Caos

"Cosmos" é um Universo organizado, ao contrário do "Caos", que é um Universo desorganizado. Isso significa o seguinte: em um Universo cósmico, todos os planetas, cometas e estrelas estão dispostos segundo determinadas Leis naturais. Um não invade o espaço do outro, caso contrário, teríamos uma enorme catástrofe. Explosões, fogo, um verdadeiro inferno.

No Caos, reina a confusão. Ninguém obedece a nada. Cada um tem sua própria lei. Todos têm plena liberdade e fazem uso dela indiscriminadamente. Desta liberalidade, resulta uma enorme balbúrdia. Imagine uma sociedade onde cada um fizesse o que lhe viesse à cabeça, sem se importar com seu vizinho. Tudo viraria um Caos.

Na verdade, o Caos é apenas uma ideia, porque ele realmente não existe. Para existir, seria necessário que ele tivesse alguma lógica e, nesse caso, deixaria de ser Caos e seria um Cosmos.

Guarde bem isto: todas as coisas devem ter um mínimo de organização para poder existir, ou, inversamente, tudo o que existe é organizado. Nosso Universo é cósmico, simplesmente porque ele existe. E por mais confuso que você o possa julgar, ele continua sendo cósmico. Mesmo que a paz não reine absoluta em nossos mundos, ele está aí para quem quiser ver.

Nosso Universo tem lá seus "pecados", o que não o impede de continuar existindo há bilhões e bilhões de anos. Imagine um pacote de arroz comum. Os grãos apresentam-se mais ou menos enfileirados, como se obedecessem a uma sequência. Agora, corte o pacote e deixe o arroz fazer o que bem entender. O chão ficará cheio de grãos por todos os cantos: um verdadeiro Caos. Organizar este Caos vai dar um enorme trabalho. Se a quantidade for muita, digamos um celeiro, você gastaria a vida toda para repô-lo em seu lugar.

Organizar todo o Universo e mantê-lo funcionando harmoniosamente é tarefa do Tao. Cada vez que alguma coisa está fora do lugar, instantaneamente o Tao providencia algo para tomar o espaço que ficou vago. Às vezes pode demorar algum tempo para um gás preencher o vazio deixado por uma estrela que explodiu. A providência, no entanto, foi tomada no ato da explosão.

Esta é a razão pela qual todas as coisas estão sempre mudando. Se você fotografar o Universo, uma fração de segundo depois ele já não será mais o mesmo. Há sempre algo ocorrendo que provoca um desequilíbrio, seguido de uma ação do Tao que faz tudo voltar ao normal, por assim dizer. Até em nossas menores ações, existe o inevitável fato da quebra do equilíbrio existente e do consequente reequilíbrio, provido pelo Tao.

Imagine o Universo como se fosse feito de espuma de sabão. Nunca será o mesmo de agora, nem de ontem, nem amanhã. Em nosso texto, as palavras "cósmico" e "harmônico" andarão sempre juntas. Quando dizemos que o Tao é harmônico, estamos afirmando que ele é perfeito em si. Diz-se com frequência que ninguém pode dar o que não tem.

 

A Arte do Não-Fazer (Wu-Wei)

Os chineses diriam que há dez mil maneiras de se recorrer a esta mágica. Todas elas, no entanto, pedem um mínimo de serenidade daquele que pretende receber este benefício. O Tao necessita de um espaço vazio e tranquilo para prover sua atuação reequilibrante.

Esta serenidade física e mental pode ser alcançada mediante exercícios, posturas ou simplesmente pela disposição de espírito. É preciso, efetivamente, desejar a cura para ser curado. Entre essas disposições de espírito mais adequadas ao entendimento ocidental, existe uma chamada wu-wei ou não-fazer, que nada mais é do que deixar a mente momentaneamente vazia e livre das preocupações, e fisicamente não fazer absolutamente nada.

Este não-fazer não é uma atitude de alienação, é antes de tudo uma postura propositadamente receptiva. O fato de possuirmos inteligência e racionalidade, sem dúvida alguma, dificulta assumir esta disposição, o mesmo não ocorrendo com os animais, que mais facilmente atingem um estado de quietude. O verdadeiro caminho passa muito mais pela intuição do que pela razão.

Em um dos lados do Tai-Chi está o fazer e no outro, o não-fazer. Ao optar pelo não-fazer, o sábio, na verdade, não está se esquivando da realização. O não-fazer e a obtenção de resultados é uma das coisas mais incríveis do Tao.

Como isso é possível? Através de uma atitude mental denominada wu-wei ou mente vazia. O indivíduo não deixa de agir por preguiça ou alienação. Pelo contrário, ao esvaziar sua mente das preocupações com a questão, abre-se o espaço para que o Tao atue, conseguindo sempre o melhor resultado possível.

Anote, pois isso é muito importante! Às vezes, antes de um exame, resolvemos esquecer e relaxar, ou então esperamos que um sonho nos revele a solução de um problema. Isso é uma forma muito eficiente do wu-wei. Quanto mais você exercita a mente serena, mais questões podem ser resolvidas pela ação do Tao.

Ele só pede que sua mente esteja o mais tranquila possível. A ação do Tao, sendo reequilibrante, restabelece a harmonia entre os dois lados do Tai-Chi, ou seja, da questão em pauta. No caso do exame, ele dá o conhecimento que complementa o desconhecimento.

Um sábio seria, então, aquele que domina de tal forma essa arte que poucas vezes precisa interferir pessoalmente. A ação do Tao, esta Ordem universal e harmônica, se faz sentir por nossas atitudes e comportamento.

Há, portanto, um pré-requisito para que o Tao atue, resolva ou aponte a correta direção da questão: temos que manter um comportamento físico e mental o mais sereno e tranquilo que pudermos. Não é tão difícil e é agradável. Nos pequenos casos, uma simples relaxada é suficiente. Nos grandes, é preciso um maior afastamento mental da questão.

Isto só pode parecer incrível para quem ainda não viu a coisa funcionando. É preciso apenas que você relaxe um pouco os músculos e desligue por alguns segundos o interruptor da mente. Se você fizer isto, os primeiros resultados se farão sentir, acreditando ou não no Tao. Você não precisa abdicar de suas ideias filosóficas, políticas ou religiosas.

 

O Verdadeiro Conhecimento

O homem simples, como dispõe de pouquíssimas informações, utiliza em uma escala muito maior, e sem censura, as coisas que não se aprende na escola: bom senso, lógica inata, intuição, experiência de vida.

Se alguém tido como sábio demonstra orgulho e vaidade, então ele não passa de um ignorante. A cultura limita o homem, a sabedoria o expande.

É aí que a coisa deixa de funcionar direito. Os grandes problemas existenciais do ser humano, que pedem uma resposta urgente, estão muito mais ligados à sensibilidade e à intuição do que à cultura e à razão. Há um ditado popular que diz: "O coração tem razões que a própria razão desconhece."

 

"Se essa mensagem tocou você, compartilhe com quem pode estar precisando."

m. trozidio

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