Conceptualismo – o segredo de Deus - XXII ...

Sexta-feira, 28 de setembro de 2007

Conceptualismo – o segredo de Deus XXII

Aqui, mais uma vez, Kant atribui essa noção à atividade construtivista da mente. Ele não busca nada no fenômeno sensível, nos sons ou no tato. Os objetos do entendimento não contêm nada, e as ideias da razão também não; agora, ele nem sequer concede valor às afirmações da faculdade do juízo.

A realidade, como uma afirmação pura, cai no vazio porque os arquétipos — em função dos quais um objeto se ajusta — são, na verdade, outras construções a priori. A faculdade do juízo lança sobre a variedade dos objetos as finalidades formais, como os gêneros e as espécies.

Ela organiza tudo de forma que tenhamos a impressão de que certas coisas existem, porque se ajustam a essas finalidades formais, mas elas não são assim na ordem efetiva. Isso ocorre porque os próprios arquétipos não se constituem em módulos de valor ontológico.

Em Platão, os modelos eram absolutos e até realidades em um mundo além. Aristóteles, de forma mais moderada, situou as essências na intimidade de cada coisa singular, atribuindo-lhes uma validade ontológica absoluta, igualmente válida para todos os indivíduos.

O neoplatônico Plotino, por sua vez, converteu as ideias de Platão em meras imagens, localizando-as na inteligência do Logos, que derivava do Uno.

Tomás de Aquino aprofundou a essência absoluta de Aristóteles, combinando-a com o exemplarismo de Platão e recolocando a eternidade das essências absolutas na natureza divina. A quebra do absoluto começou com o voluntarismo divino de Duns Scotus, que sujeitou a natureza das essências à vontade divina. Descartes retomou esse voluntarismo divino.

 

O Homem como "Medida de Todas as Coisas"

Embora Kant tenha preservado a conceituação clássica da metafísica no que diz respeito à essência, ele a contrariou integralmente no setor referente ao conteúdo da realidade. No seu racionalismo, o homem se tornou "a medida de todas as coisas" até mesmo no campo da metafísica.

Em detalhes, Kant continua a mostrar que o juízo, ao julgar os dados em função de um arquétipo geral, atua dando a si mesmo esta lei:

"O juízo reflexionante, que tem a tarefa de ascender do particular na natureza para o geral, necessita de um princípio que não pode tomar da experiência, porque esse princípio deve justamente fundamentar a unidade de todos os princípios, igualmente empíricos, porém mais altos, e, assim, a possibilidade da subordinação sistemática de uns aos outros."

"O juízo reflexionante pode, portanto, somente dar a si mesmo um princípio transcendental semelhante a uma lei, e não tomá-lo de outra parte (pois então seria um juízo determinante), nem prescrevê-lo à natureza, porque a reflexão sobre as leis da natureza se rege de acordo com a natureza, e esta não se rege de acordo com as condições pelas quais nós tentamos adquirir dela um conceito que, em relação a essas, é totalmente contingente."

 

"Se essa mensagem tocou você, compartilhe com quem pode estar precisando."

m. trozidio

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