O corpo pode se acostumar, e se acostuma. Mas a alma é terra que não aceita cercas.
LANÇAMENTO Prólogo “O corpo pode se acostumar, e se acostuma. Mas a alma é terra que não aceita cercas.” Tudo começou com essa frase, rabiscada no verso de um envelope que o tempo quase transformara em pó. O que deveria ser apenas uma reportagem investigativa sobre as marcas deixadas pela seca no Agreste pernambucano acabou se transformando, para a jornalista Maria Helena Monteiro de Barros, em uma viagem inesperada para dentro da própria história. Entre os escombros de uma vila que os mapas pareciam ter esquecido, Helena encontrou um baú. Não havia ouro dentro dele. Havia algo muito mais perigoso: a voz de uma mulher que o tempo não conseguiu calar. Maria das Dores. Nas cartas que jamais chegaram ao destino, ela escrevia sobre a terra que secava, os filhos que lutavam para sobreviver e a esperança cada vez mais difícil de sustentar. Escrevia também para o marido, Zeca, que havia partido para São Paulo em busca de trabalho e de um futuro que t...