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Por que quem controla suas emoções controla a sua vida ...

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Sexta-feira, 06 de fevereiro de 2026 Se você se ofende com facilidade, existe uma grande chance de estar sendo facilmente manipulado . Dói ler isso. Eu sei. Porque essa ideia nos obriga a olhar para um ponto frágil que preferimos evitar. Quando qualquer palavra te desestabiliza, quando toda opinião contrária te atinge como um ataque pessoal, algo importante acontece: você entrega o controle das suas emoções para fora. E quem controla suas emoções, passa a controlar também suas reações, suas decisões e, pouco a pouco, a sua vida. A ofensa nasce quando tudo gira em torno do “eu”. Quando cada fala alheia parece um julgamento direto sobre quem você é. Mas a verdade é mais simples — e libertadora: na maioria das vezes, o que o outro diz revela muito mais sobre o mundo interno dele do que sobre você mesmo. Reagir no impulso é abrir mão da escolha. É permitir que o outro dite o ritmo, o tom e o rumo da sua experiência.  Já a maturidade emocional não é frieza, não é indiferenç...

Aceitar Não É Desistir: É Parar de Sofrer à Toa ...

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Quinta-feira, 05 de fevereiro de 2026 Com o tempo, a vida vai deixando de ser apenas algo que acontece conosco e passa a ser uma grande mestra. E, curiosamente, suas lições mais profundas quase nunca vêm daquilo que escolhemos, mas daquilo que nos acontece apesar da nossa vontade. Aprendi, pela própria experiência, que existem situações que simplesmente não cedem . Não importa o quanto eu lute, reclame, insista ou tente controlar: elas permanecem ali. E quanto mais eu resisto, mais força parecem ganhar. É como se a resistência alimentasse o problema. Durante muito tempo, acreditei que persistir era sempre sinal de força. Mas descobri, às custas do cansaço, que há batalhas que só nos ferem. Somente quando a exaustão chegava — quando eu já estava cansado, machucado e sem energia para lutar — é que algo começava a mudar. Ao me render por completo, não por fraqueza, mas por lucidez, a transformação surgia. A aceitação não muda os fatos, mas muda a forma como nos relacionamos com e...

O Mito da Caverna e as prisões invisíveis do dia a dia ...

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Quarta-feira, 04 de fevereiro de 2026 Platão nos deixou uma das metáforas mais conhecidas da filosofia: o Mito da Caverna. Em poucas palavras, ele fala de pessoas que vivem presas dentro de uma caverna desde o nascimento. Elas estão olhando apenas para a parede à frente, onde veem sombras projetadas por um fogo que queima atrás delas. Para essas pessoas, as sombras são a única realidade que conhecem. Um dia, uma delas se liberta e sai da caverna. No início, a luz do sol dói nos olhos. Tudo parece confuso. Mas, aos poucos, ela percebe que o mundo é muito maior, mais vivo e mais verdadeiro do que as sombras que via antes. Quando volta para contar aos outros, é rejeitada. Afinal, quem nunca viu a luz acredita que as sombras são tudo o que existe. Na vida prática, a caverna representa nossas crenças limitantes, medos, hábitos automáticos e ideias que nunca questionamos. As sombras são opiniões prontas, padrões sociais, rótulos e verdades herdadas. Sair da caverna é desconfortável, po...

O Corpo Também se Vicia em Sofrimento ...

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Terça-feira, 03 de fevereiro de 2026 Pouca gente percebe, mas o sofrimento também produz química em nosso corpo. Quando sentimos medo, raiva, ansiedade ou angústia, o corpo entra em estado de alerta e libera substâncias como cortisol , adrenalina e noradrenalina . Elas têm uma função clara: nos proteger diante de uma ameaça. O problema começa quando esse estado deixa de ser exceção e vira rotina. Com o tempo, o organismo se acostuma a essa descarga química. E mais do que isso: passa a precisar dela. Assim como qualquer outro vício , o corpo aprende que aquela combinação de substâncias traz uma sensação familiar — ainda que desconfortável. O conhecido, mesmo doloroso, parece mais seguro do que o desconhecido. É aí que algo curioso acontece: sem perceber, começamos a buscar situações, pensamentos e memórias que ativem esses mesmos estados emocionais . Reclamamos mais, antecipamos tragédias, revivemos mágoas antigas. Não porque gostamos de sofrer, mas porque o corpo quer se “...

Agir ou Confiar? O Erro de Escolher Apenas Um Caminho ...

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Segunda-feira, 02 de fevereiro de 2026 Uma das grandes questões que atravessam a filosofia , a espiritualidade e até a vida cotidiana é esta: devemos agir com firmeza ou simplesmente seguir o fluxo da vida ? Entre filósofos, gurus e líderes religiosos, essa discussão nunca se encerra. E, no Ocidente, a resposta costuma ser quase automática: agir mais. Planejar melhor. Trabalhar duro. Pensar positivo. Controlar as variáveis . Confiar na vida, na natureza ou em algo maior costuma soar como passividade, ingenuidade ou até irresponsabilidade — algo visto como excessivamente “oriental”. Mas, com o tempo, fui percebendo que qualquer postura extrema nessa direção nos afasta da sabedoria. Nem o controle absoluto, nem a entrega total parecem dar conta da realidade como ela é. O caminho do meio, tão valorizado pelas tradições orientais , talvez seja o mais lúcido. Agir é necessário. Planejar, se comprometer e fazer a própria parte também. Sem isso, nada se constrói. Mas há algo além ...

O perigo da autoestima e a escolha de fazer o melhor ...

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Domingo, 01 de fevereiro de 2026 Durante muito tempo fomos ensinados a acreditar que a autoestima é algo sempre positivo. Desde cedo ouvimos que precisamos “ter autoestima elevada ”, “acreditar em nós mesmos” e “nos valorizar”. Isso se tornou quase um mandamento moderno. Mas será que essa ideia é tão saudável quanto parece? Alguns psicólogos e pensadores já alertam há décadas que o conceito de autoestima pode ser problemático. Isso porque ele se apoia na noção de um “eu” fixo, único e facilmente definível. Um “eu” que pode ser avaliado, medido e classificado como bom ou ruim, forte ou fraco, melhor ou pior. O problema começa quando damos a esse “eu” uma nota alta. Ao dizer “eu sou uma pessoa inteligente”, “eu sou forte”, “eu sou melhor que os outros”, acabamos criando uma visão geral e rígida sobre nós mesmos. Essa generalização ignora algo essencial: somos feitos de contradições. Temos momentos de lucidez e de ignorância, de coragem e de medo, de generosidade e de ego ísmo. Q...

A dança da ansiedade e o poder do autoabraço ...

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Sábado, 31 de janeiro de 2026 A madrugada estava mais fria. E eu, inquieto. Virava de um lado para o outro da cama como quem dança sem música, preso a um looping interminável. O corpo cansado pedia descanso, mas a mente insistia em trabalhar contra mim. Mais uma vez, ela se transformava numa máquina de tortura. Pensamentos se acumulavam sem pedir licença: ansiedade , angústia , medo . E, como quase sempre acontece, a dor vinha logo atrás, silenciosa e pesada. Acordar me sentindo mal, abatido, quase depressivo , parecia apenas a consequência natural dessa noite mal dormida. Ainda assim, com a ponta do nariz para fora do lamaçal — tentando respirar antes que o desespero me puxasse de vez — uma pergunta começou a se formar dentro de mim: “É possível fazer algo para melhorar, nem que seja um pouco, a relação comigo mesmo?” Não quero — e não vou — responsabilizar Deus, o mundo ou as circunstâncias. Fugir da responsabilidade pode até aliviar por um instante, mas não resolve. Hoje...