Será que tudo o que acontece precisa ser bom para ter algum sentido?
Durante muito tempo, talvez por necessidade
de encontrar alguma ordem na vida, procurei acreditar que tudo o que acontece
tem uma razão.
Hoje, tenho mais cuidado com essa ideia.
Há coisas que simplesmente doem. Há perdas
injustas, fracassos inesperados e acontecimentos para os quais talvez nunca
encontremos uma explicação.
Isso não significa, porém, que nada possa
nascer depois deles.
Uma dificuldade pode nos obrigar a mudar de
direção.
Uma perda pode revelar aquilo que realmente
valorizamos.
Um fracasso pode mostrar uma fragilidade que
não queríamos enxergar.
Nada disso torna a dor desejável.
Mas pode transformar a maneira como
atravessamos aquilo que não escolhemos.
Talvez o despertar da consciência não esteja
em acreditar que tudo é bom, mas em compreender que nem sempre precisamos
transformar o que aconteceu em algo bom para encontrar uma maneira de seguir em
frente.
Existe uma diferença enorme entre aceitar a
realidade e aprová-la.
Aceitar é reconhecer que algo aconteceu e
perguntar:
“O que faço agora com isso?”
Talvez seja aí que exista uma forma mais
lúcida de confiança na vida.
Não a certeza de que tudo acontece para o
nosso bem.
Mas a confiança de que, mesmo quando não
entendemos o caminho, ainda podemos escolher como caminhá-lo.
Nem tudo o que nos acontece é bom.
Mas ainda podemos descobrir o que fazer de bom com aquilo que nos aconteceu.

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