Talvez nós estejamos lutando contra metade da vida ...
Existe uma coisa que tenho aprendido, embora nem sempre seja fácil
aceitar: a vida não vem em uma única direção.
Nós conhecemos a luz porque também conhecemos a escuridão.
O doce porque já provamos o amargo.
A alegria porque, em algum momento, conhecemos a tristeza.
Talvez seja justamente o contraste que nos permite perceber o valor das
coisas.
Uma vida feita apenas de felicidade, prazer e dias tranquilos parece ser
o sonho de todos nós. Mas, quanto mais observo a vida, mais percebo que talvez
esse seja um sonho impossível.
Não porque a felicidade não exista.
Mas porque ela não vem sozinha.
Ela divide espaço com a perda, a frustração, a dúvida, o medo e a dor.
E talvez grande parte do nosso sofrimento comece quando tentamos
eliminar da vida tudo aquilo que não queremos sentir.
Nós queremos apenas os dias bons.
Queremos amar sem correr o risco de perder.
Queremos conquistar sem fracassar.
Queremos segurança em um mundo que, por sua própria natureza, está
sempre mudando.
Mas a vida não parece funcionar assim.
Ela nos entrega, ao mesmo tempo, flores e espinhos.
Dias de sol e dias de tempestade.
Momentos em que caminhamos com segurança e outros em que mal conseguimos
enxergar o próximo passo.
Talvez amadurecer seja compreender que não precisamos gostar de tudo
aquilo que nos acontece para reconhecer que faz parte da experiência de estar
vivos.
A dor existe.
A perda existe.
A tristeza existe.
Negar isso é, de certa forma, lutar contra uma parte inevitável da
própria vida.
Mas existe algo sobre o qual podemos refletir: o que faremos com aquilo
que nos acontece?
Podemos permanecer presos indefinidamente à revolta, procurando culpados
para tudo o que não saiu como esperávamos.
Ou podemos, pouco a pouco, tentar compreender, aceitar a realidade e
perguntar o que ainda é possível fazer a partir dali.
Não temos o poder de escolher todos os acontecimentos.
Também não escolhemos muitas das dores que cruzam o nosso caminho.
Mas talvez possamos aprender a não entregar completamente a nossa vida a
elas.
A liberdade, para mim, começa nesse espaço.
Não no poder de controlar todos os lados da moeda, mas na possibilidade
de escolher, sempre que for possível, onde colocaremos a nossa atenção e o que
faremos com aquilo que recebemos.
A vida continuará tendo dois lados.
Não podemos escolher apenas a luz e eliminar todas as sombras.
Mas talvez possamos aprender a caminhar por ambas, sem esquecer que
nenhuma noite dura para sempre — e que, muitas vezes, é justamente depois de
atravessarmos a escuridão que voltamos a perceber o valor da luz.
"Se essa mensagem tocou você, compartilhe com quem pode estar precisando."
Comentários
Postar um comentário