O vício da esperança: quando esperar nos rouba o presente ...
Segunda-feira, 10 de agosto de 2026
Fomos ensinados desde cedo a acreditar que a
esperança é sempre uma virtude. “Enquanto há vida, há esperança”, dizem. E
talvez seja mesmo. Mas, com o passar dos anos, comecei a perceber que existe
uma diferença importante entre ter esperança e viver esperando.
A esperança pode nos dar força para
continuar. O problema começa quando ela se transforma em espera passiva.
Esperamos que as coisas melhorem. Que alguém
mude. Que apareça uma oportunidade. Que o futuro finalmente nos entregue aquilo
que o presente não está oferecendo.
Enquanto esperamos, deixamos de viver o único
momento sobre o qual realmente temos alguma influência: o agora.
É aí que a esperança pode se transformar em
uma espécie de anestésico. Ela alivia temporariamente a insatisfação com o
presente, porque nos faz acreditar que, em algum momento, tudo será diferente.
Mas também pode nos afastar daquilo que precisa ser feito hoje.
E existe outro perigo: quanto maior a
expectativa que colocamos no futuro, maior pode ser a frustração quando ele não
corresponde ao que imaginamos.
Talvez seja por isso que algumas pessoas
passam anos esperando uma vida que nunca começa.
Não estou dizendo que devemos abandonar
nossos sonhos. Muito pelo contrário. Sonhar é importante. Ter objetivos nos dá
direção.
Mas existe uma diferença entre esperar que a
vida aconteça e trabalhar para que ela aconteça.
O futuro pode inspirar nossas escolhas, mas
não pode substituir o presente.
A verdadeira mudança começa quando paramos de
perguntar “quando tudo vai melhorar?” e começamos a perguntar:
“O que posso fazer, hoje, com a realidade que
tenho?”
Talvez a liberdade esteja justamente aí:
aceitar o presente sem se conformar com ele, abandonar a espera passiva e
transformar o momento que temos nas mãos no ponto de partida para aquilo que
desejamos construir.
A esperança pode apontar o caminho.
Mas são os nossos passos que nos levam até
lá.
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precisando."
"Se esta reflexão encontrou eco em você, talvez goste de conhecer
meus livros, onde continuo essa mesma conversa por outros caminhos."
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