O bem mais preciso que nós poder ter: a consciência ...
Terça-feira, 18 de agosto de 2026
Durante muito tempo, eu acreditava que
pensava com a minha própria cabeça.
Até que, em determinado momento da vida, uma
pergunta me atingiu com uma força que eu não esperava:
“Será que eu realmente penso por mim mesmo?”
A percepção não chegou de uma vez.
Foi surgindo devagar, quase sem que eu
percebesse.
Mas, quando ganhou clareza, meu corpo reagiu.
O coração acelerou, a respiração ficou difícil e uma inquietação tomou conta de
mim.
Lembro exatamente do pensamento que passou
pela minha cabeça:
“Meu Deus! Talvez eu não esteja pensando com
a minha própria cabeça. Talvez esteja pensando com a cabeça dos outros.”
A pergunta seguinte foi ainda mais
perturbadora:
Quanto daquilo que eu chamava de “eu” havia
sido construído pelo ambiente em que vivi?
Família, religião, educação, cultura, amigos,
sociedade, expectativas. Quantas opiniões nós adotamos sem nunca questioná-las?
Quantos comportamentos repetimos apenas
porque aprendemos que era assim que deveríamos agir?
E quantos personagens nós criamos para sermos
aceitos?
Foi aí que começou, para mim, uma
investigação que continua até hoje.
Ao longo de décadas, passei pela religião,
mergulhei na psicologia e encontrei na filosofia um espaço privilegiado para
continuar fazendo perguntas.
E quanto mais estudo, mais acredito que
existe um bem que supera muitos dos que costumamos perseguir:
Estar consciente não significa simplesmente
estar acordado.
Significa começar a observar a nós mesmos.
Perceber por que pensamos aquilo que
pensamos. Questionar nossos desejos. Examinar nossas escolhas. Descobrir de
onde vieram algumas das nossas certezas.
Consciência é aquele pequeno espaço que surge
entre o impulso e a ação e nos permite perguntar:
“É realmente isso que eu quero?”
Essa pergunta pode mudar uma vida.
Porque talvez nós passemos boa parte da
existência tentando alcançar objetivos que nunca escolhemos de verdade. Apenas
aprendemos a desejá-los.
Queremos dinheiro porque nos disseram que
precisamos de dinheiro.
Queremos reconhecimento porque aprendemos que
ser reconhecido significa vencer.
Queremos determinadas coisas porque todos ao
nosso redor parecem querer as mesmas coisas.
Mas será que essas escolhas são realmente
nossas?
Tenho aprendido que a consciência não nos
entrega todas as respostas. Talvez sua função mais importante seja outra: ela
nos ensina a fazer perguntas melhores.
E, ao questionarmos nossas próprias certezas,
começamos lentamente a separar aquilo que somos daquilo que simplesmente
aprendemos a ser.
Talvez essa seja uma das formas mais
profundas de liberdade.
Não fazer tudo o que desejamos, mas descobrir
quais desejos realmente merecem ser seguidos.
Hoje, depois de tantas décadas, continuo
investigando quem sou, o que penso e por que penso como penso.
Não me considero alguém que chegou a uma
resposta definitiva.
Muito pelo contrário.
Quanto mais consciência adquirimos, mais
percebemos o quanto ainda temos para descobrir.
Mas talvez seja justamente esse o caminho.
A consciência não é o ponto de chegada. É a
luz que nos permite enxergar o caminho.
E talvez, entre todas as coisas que nós
podemos conquistar nesta vida, nenhuma seja mais valiosa do que essa:
A coragem de olhar para dentro e começar,
finalmente, a descobrir quem estamos sendo.
"Se essa mensagem tocou você, compartilhe com quem pode estar precisando."
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