O Silêncio Que Temos Medo de Ouvir ...

 

Sexta-feira, 10 de julho de 2026

"Grande parte das inquietações humanas nasce da incapacidade de ficar em silêncio consigo mesmo."

Blaise Pascal

Vivemos rodeados de barulho.

Quando não é o celular, é a televisão. Quando não são as redes sociais, são as preocupações que ocupam a nossa mente. Parece que precisamos estar sempre fazendo alguma coisa, como se o silêncio fosse um vazio que precisasse ser preenchido.

Mas será que é o silêncio que nos assusta?

Ou será aquilo que ele pode revelar sobre nós?

Ficar alguns minutos sozinho, sem distrações, pode ser desconfortável. É nesse momento que surgem perguntas que costumamos evitar: estou vivendo a vida que desejo? O que realmente me faz feliz? Por que ando tão cansado? O que tenho tentado esconder de mim mesmo?

Muitas vezes, preferimos continuar ocupados a enfrentar essas questões.

Pascal percebeu isso há mais de trezentos anos. Grande parte da nossa inquietação não nasce apenas dos problemas externos, mas da dificuldade de olhar para dentro.

O silêncio não resolve todos os problemas. Mas ele nos ajuda a enxergá-los com mais clareza.

É nele que percebemos nossos excessos, nossos medos e também nossos verdadeiros desejos. É nele que encontramos espaço para refletir antes de agir, ouvir antes de responder e compreender antes de julgar.

Talvez seja por isso que tantas tradições filosóficas e espirituais valorizam momentos de recolhimento. Não para fugir do mundo, mas para voltar a ele com mais equilíbrio.

Em uma sociedade que nos incentiva a falar o tempo todo, aprender a escutar a própria consciência pode ser um dos maiores atos de coragem.

Porque quem faz as pazes com o próprio silêncio dificilmente será dominado pelo barulho do mundo.

E talvez a serenidade que tanto procuramos não esteja em encontrar mais respostas.

Talvez ela comece quando aprendemos, simplesmente, a permanecer alguns instantes em silêncio diante de nós mesmos.

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m. trozidio

"Se esta reflexão encontrou eco em você, talvez goste de conhecer meus livros, onde continuo essa mesma conversa por outros caminhos."

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... Após ter escrito esse texto, percebi que ultimamente, tenho convidado o leitor a desacelerar. Em um tempo marcado pela pressa, pela ansiedade e pela necessidade de respostas imediatas, estou propondo um momento de pausa. E deixo uma frase que nasceu enquanto escrevia esta reflexão:

"Quem teme o silêncio quase sempre está tentando fugir da única conversa que realmente importa: aquela que acontece dentro de si."

Creio que ela dialoga muito bem com o pensamento de Pascal e com a proposta do filo-sofando: usar a filosofia não apenas para compreender o mundo, mas também para compreender a nós mesmos.







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