O Perigo Oculto da Positividade ...


Sábado, 25 de abril de 2026

Com o tempo, comecei a questionar algo que parecia inquestionável: o culto à positividade. Frases como “pense positivo” ou “você pode ser o que quiser” soam bonitas, mas escondem uma armadilha silenciosa.

Essa positividade, muitas vezes, nasce da falta. Quando repetimos insistentemente o que queremos ser ou sentir, acabamos reforçando, sem perceber, aquilo que nos falta. É como se lembrássemos a nós mesmos, o tempo todo, do que ainda não temos, do que ainda não somos.

Existe aí um paradoxo: quanto mais buscamos afirmar uma felicidade ideal, mais nos distanciamos dela. Afinal, quem está verdadeiramente em paz não precisa se convencer disso diante do espelho. A felicidade real não se declara — ela se sente.

Quando vivemos projetados no “vir a ser”, deixamos de reconhecer o que já somos. E essa busca constante por um futuro ideal nos rouba o presente, nos transforma em eternos incompletos, sempre à espera de algo que ainda não chegou.

Foi então que percebi a necessidade de mudar o foco. Em vez de desejar ser algo diferente, passei a cultivar a serenidade de aceitar quem sou agora. Não como resignação, mas como ponto de partida verdadeiro.

Isso não significa abandonar sonhos. Significa compreender que a realização não está apenas no futuro, mas na forma como nos relacionamos com o presente. A verdadeira satisfação não nasce do “ter” ou do “se tornar”, mas do “ser”.

E talvez a pergunta mais importante seja: o que está por trás das suas próprias afirmações?

 

"Se essa mensagem tocou você, compartilhe com quem pode estar precisando."

m. trozidio

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