Quem te irrita está te ensinando algo — você está disposto a aprender? ...
Terça-feira, 10 de fevereiro de 2026
Epicteto, um dos grandes nomes do estoicismo, deixou uma afirmação simples e ao mesmo tempo desconcertante:
“Qualquer pessoa capaz de te irritar se torna teu mestre.”
À primeira vista,
a frase pode soar exagerada ou até injusta. Afinal, como alguém que nos tira do
sério pode ser um mestre? A resposta está no ponto central da filosofia
estoica: não são os fatos que nos afetam, mas a forma como os interpretamos.
Quando alguém nos
irrita, essa irritação não nasce no outro. Ela já estava em nós, silenciosa,
esperando um gatilho. A pessoa apenas toca em algo sensível — um medo, uma
insegurança, um orgulho ferido, uma expectativa não atendida. Nesse sentido,
ela não cria o problema; apenas o revela.
Durante muito
tempo, sem perceber isso, eu reagia com discussões, estresse e desgaste
emocional. Acreditava que o problema estava sempre fora: no comportamento
alheio, na falta de empatia do outro, na injustiça da situação. Hoje, olhando
com mais honestidade, percebo que essas reações falavam muito mais sobre mim do
que sobre qualquer pessoa.
Epicteto nos
convida a um exercício corajoso: olhar para dentro em vez de apontar para fora.
Cada irritação se torna um espelho. Cada desconforto, uma chance de
autoconhecimento. Não é fácil, mas é libertador.
Por isso, aprendi
a agradecer — não à grosseria ou à falta de sensibilidade, mas à oportunidade
de crescer. Quem nos irrita pode não saber, mas está nos oferecendo uma aula
valiosa sobre quem somos e sobre quem ainda podemos nos tornar.
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