Quando a Culpa Deixa de Fazer Sentido ...
Com o tempo,
percebi que a maneira como lidamos com a culpa revela o quanto amadurecemos por
dentro.
Na primeira fase,
a culpa sempre está fora. A pessoa imatura aponta o dedo: “A culpa é do meu
chefe, da minha família, do governo, de Deus…”. Nada é responsabilidade sua.
Ela se vê como vítima constante das circunstâncias. Enquanto pensa assim,
permanece presa, porque não assume o poder de mudar.
Na segunda fase,
algo começa a despertar. A pessoa passa a assumir a responsabilidade por tudo.
“A culpa é minha. Eu errei. Eu deveria ter feito diferente.” Aqui já existe
crescimento. Ela para de acusar o mundo e começa a olhar para si. Mas ainda há
um peso desnecessário: o excesso de autocrítica, a dureza consigo mesma, a
sensação de estar sempre em dívida com a vida.
Então surge a
terceira fase — a mais difícil e libertadora. A consciência madura compreende
que culpa não é o centro da questão. O que existe são escolhas, consequências e
aprendizados. Nem sempre controlamos o que acontece, mas sempre podemos
escolher como responder. Não se trata de negar responsabilidades, mas de
abandonar o julgamento constante.
Na maturidade,
entendemos que cada situação vivida — boa ou difícil — carrega uma lição. Não
para nos punir, mas para nos ensinar. A culpa paralisa. A consciência
transforma.
E talvez crescer
seja exatamente isso: trocar o peso da culpa pela leveza da responsabilidade
consciente.

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