O perigo de querer tudo previsível ...


 Sexta-feira, 20 de fevereiro de 2026

Se existe algo que ainda tenta abalar a minha paz, é o inesperado. Durante muito tempo, lutei contra ele. Eu queria dias previsíveis, caminhos conhecidos, situações sob controle. No fundo, desejava segurança. Queria evitar o esforço de pensar diferente, sentir diferente, recomeçar.

Mas a vida não aceita contratos de estabilidade.

A natureza ensina isso todos os dias. Nada permanece igual. O corpo muda, as estações mudam, os relacionamentos mudam. Até o sangue, se parar de circular, deixa de cumprir sua função. A vida é movimento. Resistir a isso é como tentar segurar o vento com as mãos.

Percebi também algo desconfortável: até nas minhas orações eu pedia tranquilidade permanente. Pedia estradas retas. Mas a existência não é uma linha reta. É feita de curvas, desvios e surpresas que nos amadurecem. O inesperado não é um erro do percurso — é o próprio percurso.

Descobri, com certa dor, que o sofrimento aumentava quando eu insistia em controlar o incontrolável. Quanto mais eu resistia, mais pesado tudo ficava. A mudança não era o problema. Minha resistência era.

Então comecei a treinar um novo olhar: aceitar o inesperado como parte essencial da experiência humana. Não como inimigo, mas como mestre. Cada imprevisto carrega uma possibilidade de crescimento, ainda que venha disfarçado de desconforto.

Hoje entendo que paz não é ausência de mudanças. Paz é flexibilidade interior. É confiar que, mesmo nas curvas, a vida continua a fluir.

O rio segue correndo. Posso lutar contra a corrente — ou aprender a dançar com ela.

 

"Se essa mensagem tocou você, compartilhe com quem pode estar precisando."

m. trozidio

conheça meus livros

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

A Força de um Caminho ...

Sábias palavras chinesas ...

As Verdades Que Eu Preciso Compreender ...