O perigo de querer tudo previsível ...
Se existe algo que
ainda tenta abalar a minha paz, é o inesperado. Durante muito tempo, lutei
contra ele. Eu queria dias previsíveis, caminhos conhecidos, situações sob
controle. No fundo, desejava segurança. Queria evitar o esforço de pensar
diferente, sentir diferente, recomeçar.
Mas a vida não
aceita contratos de estabilidade.
A natureza ensina
isso todos os dias. Nada permanece igual. O corpo muda, as estações mudam, os
relacionamentos mudam. Até o sangue, se parar de circular, deixa de cumprir sua
função. A vida é movimento. Resistir a isso é como tentar segurar o vento com as
mãos.
Percebi também
algo desconfortável: até nas minhas orações eu pedia tranquilidade permanente.
Pedia estradas retas. Mas a existência não é uma linha reta. É feita de curvas,
desvios e surpresas que nos amadurecem. O inesperado não é um erro do percurso
— é o próprio percurso.
Descobri, com
certa dor, que o sofrimento aumentava quando eu insistia em controlar o
incontrolável. Quanto mais eu resistia, mais pesado tudo ficava. A mudança não
era o problema. Minha resistência era.
Então comecei a
treinar um novo olhar: aceitar o inesperado como parte essencial da experiência
humana. Não como inimigo, mas como mestre. Cada imprevisto carrega uma
possibilidade de crescimento, ainda que venha disfarçado de desconforto.
Hoje entendo que
paz não é ausência de mudanças. Paz é flexibilidade interior. É confiar que,
mesmo nas curvas, a vida continua a fluir.
O rio segue
correndo. Posso lutar contra a corrente — ou aprender a dançar com ela.
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