O Corpo Também se Vicia em Sofrimento ...


Terça-feira, 03 de fevereiro de 2026

Pouca gente percebe, mas o sofrimento também produz química em nosso corpo. Quando sentimos medo, raiva, ansiedade ou angústia, o corpo entra em estado de alerta e libera substâncias como cortisol, adrenalina e noradrenalina. Elas têm uma função clara: nos proteger diante de uma ameaça. O problema começa quando esse estado deixa de ser exceção e vira rotina.

Com o tempo, o organismo se acostuma a essa descarga química. E mais do que isso: passa a precisar dela. Assim como qualquer outro vício, o corpo aprende que aquela combinação de substâncias traz uma sensação familiar — ainda que desconfortável. O conhecido, mesmo doloroso, parece mais seguro do que o desconhecido.

É aí que algo curioso acontece: sem perceber, começamos a buscar situações, pensamentos e memórias que ativem esses mesmos estados emocionais. Reclamamos mais, antecipamos tragédias, revivemos mágoas antigas. Não porque gostamos de sofrer, mas porque o corpo quer se “alimentar” da química à qual se viciou.

O sofrimento, então, deixa de ser apenas uma resposta ao mundo e passa a ser um hábito interno.

Romper esse ciclo não é simples, mas é possível. O primeiro passo é a consciência: perceber como pensamos, reagimos e sentimos no dia a dia. Ao escolher estados mais calmos — presença, respiração, silêncio, gratidão — novas substâncias começam a ser produzidas, e o corpo aprende outra forma de existir.

Mudança interior não é mágica. É reaprendizado.

 
"Se essa mensagem tocou você, compartilhe com quem pode estar precisando."

m. trozidio

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