A tirania silenciosa dos desejos ...


Quarta-feira, 11 de fevereiro de 2026

Sem perceber, acabei me tornando escravo dos meus próprios desejos. Não foi uma prisão construída de fora para dentro, mas o contrário: fui eu quem ergueu as grades, uma a uma, sempre acreditando que o próximo desejo realizado traria paz, alívio ou felicidade.

Quando parei para investigar a origem do meu sofrimento, a constatação foi dura, porém libertadora: grande parte da minha dor vinha justamente daquilo que eu queria, mas não tinha. E, ao olhar com mais honestidade, percebi algo ainda mais desconcertante — mais de 90% desses desejos não eram essenciais para uma vida saudável ou plena. Eram caprichos de um ego inquieto, sempre insatisfeito, sempre exigindo mais.

Desejar, por si só, não é o problema. O problema nasce quando os desejos se tornam ilimitados, quando passam a ditar nosso valor, nossa alegria e nosso sentido de viver. Nesse ponto, a busca deixa de ser saudável e se transforma em tirania.

Os grandes mestres já nos alertaram: quanto maiores os desejos, maior será o sofrimento. A dor cresce na mesma proporção daquilo que acreditamos precisar para sermos felizes. A verdadeira liberdade não está em acumular, conquistar ou possuir tudo, mas em discernir o que é realmente necessário.

A felicidade não se mede pelo que temos, mas pelo que somos. E o despertar começa quando deixamos de alimentar correntes invisíveis e aprendemos a viver com menos exigência — e mais consciência.

  

"Se essa mensagem tocou você, compartilhe com quem pode estar precisando."

m. trozidio

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