68 anos: a maturidade que ainda aprende ...


Quinta-feira, 26 de fevereiro de 2026

Hoje completo 68 anos de vida.

Digo isso com serenidade. Não como quem anuncia um número, mas como quem reconhece um caminho percorrido. Sessenta e oito anos não são apenas tempo — são camadas. São estações atravessadas. São perdas que ensinaram, alegrias que marcaram, erros que doeram e acertos que, às vezes, vieram tarde, mas vieram.

A maturidade não chega de repente. Ela se infiltra. Vai se formando devagar, quase em silêncio. Um dia você percebe que já não reage como antes. Que certas discussões perderam o sentido. Que algumas urgências eram apenas vaidade disfarçada. Que nem tudo precisa de resposta, e que o silêncio, muitas vezes, é uma forma superior de sabedoria.

Com o tempo, aprendemos que viver não é dominar o mundo, mas compreender nossos limites dentro dele.

A filosofia estoica — especialmente os ensinamentos de Epicteto e Marco Aurélio — tem me ajudado profundamente nisso. Aprendi, com eles, algo que parece simples, mas transforma a existência: não controlo o que acontece comigo, mas posso escolher como reagir ao que me acontece.

Essa consciência é libertadora.

Não posso controlar o tempo, as perdas, as mudanças, as opiniões alheias ou os imprevistos da vida. Mas posso controlar minha postura diante de cada situação. Posso escolher a serenidade em vez do desespero. Posso optar pela compreensão em vez do ressentimento. Posso exercitar a aceitação quando a realidade não corresponde aos meus desejos.

E ainda assim — depois de 68 anos — reconheço algo que talvez seja o sinal mais honesto da maturidade: eu ainda não sei viver completamente.

Ainda erro. Ainda me precipito. Ainda me deixo afetar por coisas pequenas. Ainda tenho medos. Ainda estou aprendendo.

Talvez amadurecer seja exatamente isso: entender que a vida não é um diploma que recebemos, mas uma escola permanente onde continuamos alunos até o último dia.

Hoje, ao olhar para trás, não vejo apenas conquistas ou fracassos. Vejo percurso. Vejo transformação. Vejo alguém que já foi muito diferente do que é agora — e que, daqui a alguns anos, também já não será o mesmo.

E, acima de tudo, sinto gratidão.

Gratidão à Mãe Natureza. À força invisível que me formou, que me sustentou nas quedas, que me permitiu respirar até aqui. Gratidão por cada amanhecer concedido. Gratidão pelo aprendizado que veio com as dores. Gratidão por mais um dia — simples, comum, extraordinário.

Se cheguei aos 68, não foi por controle absoluto. Foi por graça da existência.

Hoje não celebro apenas o tempo vivido. Celebro a consciência de que continuo aprendendo a viver.

E isso, talvez, seja o verdadeiro sinal de maturidade.

 

"Se essa mensagem tocou você, compartilhe com quem pode estar precisando."

m. trozidio

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