68 anos: a maturidade que ainda aprende ...
Hoje completo 68
anos de vida.
Digo isso com
serenidade. Não como quem anuncia um número, mas como quem reconhece um caminho
percorrido. Sessenta e oito anos não são apenas tempo — são camadas. São
estações atravessadas. São perdas que ensinaram, alegrias que marcaram, erros
que doeram e acertos que, às vezes, vieram tarde, mas vieram.
A maturidade não
chega de repente. Ela se infiltra. Vai se formando devagar, quase em silêncio.
Um dia você percebe que já não reage como antes. Que certas discussões perderam
o sentido. Que algumas urgências eram apenas vaidade disfarçada. Que nem tudo precisa
de resposta, e que o silêncio, muitas vezes, é uma forma superior de sabedoria.
Com o tempo,
aprendemos que viver não é dominar o mundo, mas compreender nossos limites
dentro dele.
A filosofia
estoica — especialmente os ensinamentos de Epicteto e Marco Aurélio — tem me
ajudado profundamente nisso. Aprendi, com eles, algo que parece simples, mas
transforma a existência: não controlo o que acontece comigo, mas posso escolher
como reagir ao que me acontece.
Essa consciência é
libertadora.
Não posso
controlar o tempo, as perdas, as mudanças, as opiniões alheias ou os
imprevistos da vida. Mas posso controlar minha postura diante de cada situação.
Posso escolher a serenidade em vez do desespero. Posso optar pela compreensão
em vez do ressentimento. Posso exercitar a aceitação quando a realidade não
corresponde aos meus desejos.
E ainda assim —
depois de 68 anos — reconheço algo que talvez seja o sinal mais honesto da
maturidade: eu ainda não sei viver completamente.
Ainda erro. Ainda
me precipito. Ainda me deixo afetar por coisas pequenas. Ainda tenho medos.
Ainda estou aprendendo.
Talvez amadurecer
seja exatamente isso: entender que a vida não é um diploma que recebemos, mas
uma escola permanente onde continuamos alunos até o último dia.
Hoje, ao olhar
para trás, não vejo apenas conquistas ou fracassos. Vejo percurso. Vejo
transformação. Vejo alguém que já foi muito diferente do que é agora — e que,
daqui a alguns anos, também já não será o mesmo.
E, acima de tudo,
sinto gratidão.
Gratidão à Mãe
Natureza. À força invisível que me formou, que me sustentou nas quedas, que me
permitiu respirar até aqui. Gratidão por cada amanhecer concedido. Gratidão
pelo aprendizado que veio com as dores. Gratidão por mais um dia — simples,
comum, extraordinário.
Se cheguei aos 68,
não foi por controle absoluto. Foi por graça da existência.
Hoje não celebro
apenas o tempo vivido. Celebro a consciência de que continuo aprendendo a
viver.
E isso, talvez,
seja o verdadeiro sinal de maturidade.
Muitas felicidades prezado amigo. Saúde !!
ResponderExcluirAgradeço pelo carinho.
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