Quando deixamos de ser nós mesmos ...
Segunda-feira, 26
de janeiro de 2026
Existe uma verdade
difícil de encarar: na maior parte do tempo, não somos quem realmente somos.
Crescemos imersos em um ambiente que nos ensina o que desejar, como agir e até
quem devemos ser. Sem perceber, passamos a viver uma vida que não nasceu de nós.
E, aos poucos, perdemos o rumo — e junto com ele, a noção da nossa própria
essência.
Por isso, a
consciência se torna urgente. Mas não é um caminho fácil. Reconheço que, muitas
vezes, vivo sustentando uma imagem falsa de mim mesmo. Uma espécie de
personagem que construí ao longo do tempo e que, em certos momentos, defendo
com força, como se fosse a verdade absoluta. Essa mentira se mistura tanto com
quem sou que chego a lutar para mantê-la viva, mesmo quando ela me afasta da
minha autenticidade.
Essa talvez seja
uma das grandes tragédias do nosso tempo: pensar com a cabeça dos outros e
desejar o que não nasce do nosso interior. Somos moldados pela mídia, pela
sociedade e pelas pessoas ao nosso redor, que nos dizem o que é sucesso,
felicidade e realização. Assim, deixamos de escutar a nossa própria voz.
Seguimos padrões
quase automaticamente. Se todos seguem uma tendência, seguimos também. Se algo
vira moda, passamos a querer. Tornamo-nos reflexos de um espelho social que nos
distorce, nos afastando de quem realmente somos.
Ainda assim,
existe uma boa notícia: a consciência. Perceber o labirinto já é um primeiro
passo para sair dele. Hoje, ao menos, reconheço essa ilusão. E esse
reconhecimento me permite começar o caminho de volta.
Desconstruir as
mentiras que contamos a nós mesmos e resgatar o verdadeiro eu, soterrado por
tantas influências, é um trabalho difícil e constante. Mas é o único que vale a
pena. O autoconhecimento não é um ponto de chegada. É um caminho contínuo, uma
escolha diária pela liberdade de ser.

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