Não devemos pedir a Deus caminhos tranquilos ...
Muitas vezes, em
nossas orações, pedimos a Deus uma vida sem tropeços, sem dores, sem conflitos.
Pedimos “caminhos tranquilos”, como se a existência pudesse ser uma estrada
reta, plana e previsível. Mas, sendo honesto, isso nunca foi a regra da vida.
A própria natureza
nos ensina o contrário. Há dias de sol, mas também há tempestades. Há flores,
mas há espinhos. Há ordem, sim, mas o caos também faz parte da criação. Negar
isso é negar a própria dinâmica da vida.
Talvez, então,
nossas preces precisem mudar de tom. Em vez de pedir uma ausência de
dificuldades, poderíamos pedir força para atravessá-las. Em vez de suplicar por
um mundo sem dor, pedir coragem para não desistir quando ela aparecer. Não se
trata de desejar o sofrimento, mas de compreender que ele é inevitável — e,
muitas vezes, necessário para o amadurecimento.
Pedir apenas
caminhos tranquilos pode soar como um desejo infantil, quase um confronto com a
realidade. A vida não foi feita para nos poupar o tempo todo, mas para nos
formar. É no enfrentamento que descobrimos capacidades que desconhecíamos. É na
queda que aprendemos a levantar com mais consciência.
Deus, talvez, não
esteja interessado em nos dar uma estrada sem pedras, mas pernas firmes para
caminhar. E isso muda tudo. Porque, quando entendemos isso, deixamos de pedir
menos vida… e passamos a pedir mais presença, mais garra e mais sabedoria para
viver o que surgir em nossas vidas.
Comentários
Postar um comentário