A dança da ansiedade e o poder do autoabraço ...


Sábado, 31 de janeiro de 2026

A madrugada estava mais fria. E eu, inquieto.
Virava de um lado para o outro da cama como quem dança sem música, preso a um looping interminável. O corpo cansado pedia descanso, mas a mente insistia em trabalhar contra mim.

Mais uma vez, ela se transformava numa máquina de tortura. Pensamentos se acumulavam sem pedir licença: ansiedade, angústia, medo. E, como quase sempre acontece, a dor vinha logo atrás, silenciosa e pesada.

Acordar me sentindo mal, abatido, quase depressivo, parecia apenas a consequência natural dessa noite mal dormida. Ainda assim, com a ponta do nariz para fora do lamaçal — tentando respirar antes que o desespero me puxasse de vez — uma pergunta começou a se formar dentro de mim:

“É possível fazer algo para melhorar, nem que seja um pouco, a relação comigo mesmo?”

Não quero — e não vou — responsabilizar Deus, o mundo ou as circunstâncias. Fugir da responsabilidade pode até aliviar por um instante, mas não resolve. Hoje, mais do que nunca, sinto que preciso assumir minha própria vida. Olhar para dentro com honestidade. Parar de lutar contra mim mesmo.

Talvez eu não consiga controlar meus pensamentos de imediato. Talvez a ansiedade continue aparecendo. Mas há algo que ainda está ao meu alcance: a forma como me trato quando tudo isso acontece.

Neste momento delicado, percebo que o gesto mais necessário não é força, nem cobrança, nem julgamento. É acolhimento. É me abraçar — mesmo que simbolicamente. É me permitir sentir sem me abandonar. É me amar enquanto sigo, passo a passo, o meu caminho.

Talvez a cura não comece com grandes respostas, mas com um gesto simples: não virar as costas para si mesmo quando mais se precisa.

 

"Se essa mensagem tocou você, compartilhe com quem pode estar precisando."

m. trozidio

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