A dança da ansiedade e o poder do autoabraço ...
A madrugada estava mais fria. E eu, inquieto.
Virava de um lado para o outro da cama como quem dança sem música, preso a um
looping interminável. O corpo cansado pedia descanso, mas a mente insistia em
trabalhar contra mim.
Mais uma vez, ela se transformava numa
máquina de tortura. Pensamentos se acumulavam sem pedir licença: ansiedade,
angústia, medo. E, como quase sempre acontece, a dor vinha logo atrás,
silenciosa e pesada.
Acordar me sentindo mal, abatido, quase
depressivo, parecia apenas a consequência natural dessa noite mal dormida.
Ainda assim, com a ponta do nariz para fora do lamaçal — tentando respirar
antes que o desespero me puxasse de vez — uma pergunta começou a se formar
dentro de mim:
“É possível fazer algo para melhorar, nem que
seja um pouco, a relação comigo mesmo?”
Não quero — e não vou — responsabilizar Deus,
o mundo ou as circunstâncias. Fugir da responsabilidade pode até aliviar por um
instante, mas não resolve. Hoje, mais do que nunca, sinto que preciso assumir
minha própria vida. Olhar para dentro com honestidade. Parar de lutar contra
mim mesmo.
Talvez eu não consiga controlar meus
pensamentos de imediato. Talvez a ansiedade continue aparecendo. Mas há algo
que ainda está ao meu alcance: a forma como me trato quando tudo isso acontece.
Neste momento delicado, percebo que o gesto
mais necessário não é força, nem cobrança, nem julgamento. É acolhimento. É me
abraçar — mesmo que simbolicamente. É me permitir sentir sem me abandonar. É me
amar enquanto sigo, passo a passo, o meu caminho.
Talvez a cura não comece com grandes
respostas, mas com um gesto simples: não virar as costas para si mesmo quando
mais se precisa.
Comentários
Postar um comentário