Agora, agora eu tenho que ir mesmo ...
Quarta-feira, 04
de dezembro de 2019
Ela tocou meu braço esquerdo, olhou-me pela última vez,
virou-se e saiu andando. Acompanhei-a com os olhos e, para minha surpresa, em
vez de vê-la caminhando entre as outras pessoas, enxerguei a estrada novamente.
Sim, ela caminhava por aquela mesma estrada que eu vira há
pouco: uma estrada linda, repleta de árvores com folhas avermelhadas, que
lembravam o outono. Uma estrada sem carros ou tumulto, livre, tranquila e sóbria.
Consegui vê-la caminhando até uma curva à direita, que engoliu sua imagem para
sempre.
Um vento leve começou a varrer as folhas secas que pareciam
alçar voo sem destino. A cena se encerrou, estática e eterna, como uma pintura
emoldurada na parede do meu coração.
Confesso que a tristeza invadiu minhas muralhas sem pedir
licença, arvorando suas bandeiras na linha de frente. Ela se foi, a estrada se
foi, mas eu não conseguia parar de olhar para aquele quadro vivo, imóvel à
minha frente.
Como fumaça branca subindo aos céus, meus pensamentos venceram
a gravidade e se lançaram ao infinito. Chegadas e partidas, mais partidas do
que chegadas, faziam parte do contexto. Com um resquício de consciência, a
lembrança se fez presente, me lembrando que eu deveria seguir o meu caminho, um
caminho que, a princípio, parecia não ter mais fim.
Trecho do meu livro “O Grande Palco”
"Se
essa mensagem tocou você, compartilhe com quem pode estar precisando."